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Aproveitando o poder do DMSO

Aproveitando o poder do DMSO
V.5, Ed.1, N.205(2020)

APROVEITANDO O PODER DO DMSO

BERKEMBROCK, I ª

[email protected]
ª Estudante de Medicina Veterinária

RESUMO:

O dimetilsulfóxido que é popularmente conhecido como DMSO, é um anti-inflamatório muito potente que tem origem de resíduos da indústria do papel e possui uma longa história em busca de aprovação. Ainda faltam muitas pesquisas para que todos os benefícios do DMSO possam ser comprovados. De acordo com estudos publicados até o momento, o mecanismo de ação do DMSO se dá pela sua alta afinidade pelo hidrogênio, possibilitando que esse anti-inflamatório chegue com facilidade em tecidos de difícil acesso ou que promova efeitos com rapidez. Pode ser encontrado no formato de solução e em gel para uso tópico.

Palavras-chave: DMSO, equinos, anti-inflamatório.

ABSTRACT:

Dimethylsulfoxide, which is popularly known as DMSO, is a very potent anti-inflammatory that comes from waste from the paper industry and has a long history in search of approval. Much research is still lacking so that all the benefits of DMSO can be proven. According to studies published to date, the mechanism of action of DMSO is due to its high affinity for hydrogen, making it possible for this anti-inflammatory to reach easily to tissues that are difficult to access or that promote effects quickly. It can be found in solution and gel form for topical use.

Keywords: DMSO, equines, anti-inflammatory.

  1. INTRODUÇÃO AO USO DO DMSO:

O DMSO é uma droga milagrosa ou uma toxina perigosa? Essa é uma pergunta muito frequente quando assunto é o dimetilsulfóxido.

Um longo caminho vem sendo trilhado em busca da aceitação do DMSO, que é produzido a partir de resíduos da indústria do papel e foi considerada uma droga milagrosa nos primeiros anos de uso, mas logo após cessou completamente por conta da preocupação dos fabricantes com os efeitos que poderiam ser desencadeados. Mais alguns anos se passaram e o uso do dimetilsulfóxido voltou a ser estudado, obtendo aprovação para utilização em equinos.

Muitas drogas entram para o catálogo do modismo terapêutico, onde passam por fases em que ocorre o uso indiscriminado das medicações, possibilitando aplicações de maneira errônea por profissionais que não possuem vasto conhecimento sobre suas aplicações.

As pesquisas acerca das propriedades do DMSO ainda são baixas, e deve-se afirmar que ainda faltam muitos estudos para que possa ser confirmado os até então efeitos ‘’milagrosos’’ do dimetilsulfóxido, porém, é inegável que essa droga já entrou para o ranking de anti-inflamatórios mais comuns na utilização em tratamentos de afecções da espécie equina, podendo ser encontrado em forma de gel e solução  (ROSE & HUDGSON, 1993).

Desde que o DMSO foi desenvolvido e introduzido no mercado dos medicamentos vem dividindo opiniões entre os profissionais da área. Posicionamentos negativos se dão por conta de que ele possui inúmeras complexidades acerca de seus benefícios e malefícios que ainda não foram objetivamente esclarecidos, e positivas porque possui mais de trinta propriedades farmacológicas em que promove bons resultados, que são obtidos principalmente pela capacidade que o dimetilsulfóxido tem de interagir com ácidos nucléicos, proteínas e carboidratos (SOJKA et al. 1990).

Possui intensa capacidade e habilidade em penetrar a pele íntegra, sendo funcional no tratamento de lesões em áreas do organismo animal de difícil acesso, ou que outros fármacos levariam muito tempo até que pudessem desempenhar algum tipo de reação (BRAYTON, 1986; BLYTHE et al.1986; ROSE & HODGSON, 1993; RAND-LUBY et al. 1996).

O DMSO é um composto químico orgânico de fórmula C2H6SO (ROSENBAUM, 1965), peso molecular 78 (CARPENTER,1994). A elevada capacidade higroscópica decorre da sua intensa afinidade pelo hidrogênio, formando pontes mais fortes que às formadas entre moléculas de água. Isso faz com que o DMSO puro passe rapidamente para a concentração entre 66-67% se for deixado exposto ao ar ambiente (BRAYTON, 1986), razão porque deve ser mantido em frasco hermeticamente fechado (ALSUP & DEBOWES, 1984).

A estrutura molecular do DMSO lhe garante grande versatilidade como agente terapêutico, permitindo que possa interagir de formas atípicas com a água, e isso pode ser explicado porque as moléculas de água e do DMSO tem semelhante forma, tamanho e polaridade.

O mecanismo de ação do DMSO se dá pela movimentação que ele faz através das membranas, fazendo a substituição da água para que ela puxe algumas substâncias que normalmente não se moveriam através das células. A ligação do DMSO com a água foi considerada como 1,3x mais forte do que a ligação entre água-água.

Os radicais livres causam inchaço e inflamação. O DMSO se liga prontamente aos hidróxidos e aos radicais livres, por serem compostos de oxigênio e que podem danificar ou destruir células saudáveis. Estudos mostram que o DMSO tem grande poder para retardar ou cessar a cascata de destruição inflamatória causada ao tecido saudável por esses radicais.

O uso do gel DMSO tem crescido cada vez mais por conta do sucesso no tratamento de edemas, isso se dá pela afinidade que o dimetilsulfóxido possui pelas moléculas de água, atraindo-as e retirando do tecido. Por promover a redução do edema e inchaço, o uso do DMSO é indicado para reduzir a pressão entre as meninges ou medula espinhal, o que lhe coloca como anti-inflamatório amplamente utilizado no tratamento de inflamações cerebrais ou espinhais associadas a trauma (THOMAS, S. H. 2012).

Muitos médicos veterinários tem receitado o DMSO como anti-inflamatório para auxiliar no combate da câimbra muscular que alguns animais expostos a alta rotina de exercícios podem desenvolver. Ele promove função como diurético, fazendo com que o cavalo urine mais, excretando assim mais líquidos e resíduos provenientes da quebra das células musculares, gerando aumento da circulação sanguínea em determinada área.

Em casos de edema pulmonar agudo, o uso do dimetilsulfóxido é indicado para realizar a extração dos fluidos dos pulmões. Juntamente ao DMSO é indicada a utilização de algum tipo de corticosteróide, com o intuito de reduzir o edema e inflamação (THOMAS, S. H. 2012).

2.   PRECAUÇÕES:

Algumas precauções devem ser tomadas quanto ao uso tópico do DMSO, é importante que a pele esteja completamente limpa, lembrando que o DMSO tem a alta capacidade de permeabilidade, carregando produtos tóxicos para a corrente sanguínea, como por exemplo sprays anti moscas, ou determinados produtos que possuem sal de mercúrio em sua composição, considerando que poderia causar toxicidade fatal ao animal. Outras drogas como corticosteróides e atropina se tornam mais poderosas e perigosas quando associadas ao DMSO.

Outra situação possivelmente perigosa envolvendo produtos tópicos compreende animais que serão expostos a exames antidoping, uma vez que existem drogas anti-inflamatórias que são projetadas apenas para uso tópico, porém, associadas ao DMSO ganham alta permeabilidade, chegando aos tecidos e caindo na corrente sanguínea, gerando um teste positivo no exame antidoping.

O DMSO é um potente vasodilatador e diurético, sendo assim, seu uso deve ser limitado à animais que estão desidratados ou estão em choque, o que só iria piorar a situação.

A administração IV do DMSO deve ser feita com muito conhecimento e cautela, pois em doses elevadas pode causar diarréia, tremores musculares, convulsões e até mesmo cólicas nos equinos (THOMAS, S. H. 2012).

DMSO possui diversas indicações como principal anti-inflamatório por possuir segurança elevada e baixa toxicidade quando utilizado corretamente, uso este que fica por conta do médico veterinário responsável pela indicação do protocolo e pela manutenção do tratamento. Quando o clínico responsável desconsidera alguns fatores individuais sobre determinada afecção (estágio em que se encontra a afecção, o tipo da lesão encontrado e possíveis pré-disposições que o animal possa ter), os resultados do DMSO podem ser irrelevantes.

Em um estudo também foi realizada a indução de sinovite em articulação do carpo, onde foi tratada com aplicações de gel tópico de DMSO à 90%, gerando resultados positivos quanto à diminuição da contagem de glóbulos brancos. Já ao comparar os níveis de proteína sinovial e a pontuação da claudicação não houve diferença alguma entre os grupos de animais em que o estudo foi realizado (SMITH et al. 1998).

Animais que fazem o uso do DMSO exalam um odor característico da medicação até 48 horas após a finalização do tratamento. Essa medicação é excretada majoritariamente pela via urinária, e apenas 3% pela via respiratória, como muitos julgam por conta do cheiro (BRAYTON, 1986).

  1. EFEITOS COLATERAIS:

Odor: É comparado ao de alho e resulta da eliminação via respiratória dos produtos de degradação do DMSO (ROSENBAUM, 1965; BRAYTON, 1986).

Hemólise: Ocorrerá se forem administradas, por via IV, concentrações acima de 20 % (ALSUP & DEBOWES, 1984; STONE, 1993), ou se a solução a 20% for administrada rapidamente por essa via (BLYTHE et al.1986; APPELL et al. 1992; HENRY 1992; ROSE & HODGSON, 1993; RAND-LUBY et al. 1996).

Reações cutâneas: Podem ocorrer nas diversas espécies, variando de eritema discreto a dermatite descamativa, na dependência individual, regional e da posologia. Tais reações são devidas à reação exotérmica decorrente da liberação de histamina (ROSE & HODGSON, 1993) por degranulação de mastócitos (BRAYTON, 1986).

  1. CONTRA INDICAÇÕES:

Desidratação: O DMSO não deve ser administrado a pacientes em desidratação dinâmica, com risco de atingir o grau severo (MACKAY, 1992).

Anticolinesterásicos: Antes de administrar DMSO deve-se ter certeza de que o paciente não foi tratado com drogas que agem por esse mecanismo. Algum antiparasitário por exemplo.

Reações anafiláticas: Devido a sua ação histaminogênica, o DMSO não deve ser administrado a pacientes portadores de reações anafilactóides importantes, decorrentes de ofidismo, ataque de abelhas, intoxicação alimentar, etc.

Mastocitoma: Evidências indicam que o DMSO não é cancerígeno, podendo até ter valor na terapia do câncer, exceto em caso de mastocitoma em que a droga pode induzir histaminemia fatal devido a degranulação de mastócitos (BRAYTON, 1986).

  1. CONCLUSÃO:

Atualmente ainda são frequentes dúvidas quando o assunto tratado diz respeito ao uso do dimetisulfóxido (DMSO), mas são inegáveis os beneficios que esse medicamento pode promover às diversas doenças que os cavalos podem desenvolver. Muitos proprietários, médicos veterinários e atletas acreditam no potencial uso do DMSO como potente anti-inflamatório e garantem seus efeitos junto as afecções que ele é capaz de tratar. Diversos estudos vêm sendo publicados tratando do uso, dos benefícios e malefícios que o DMSO pode causar ao animal e até mesmo ao profissional que o está manipulando.

REFERÊNCIAS:

ALSUP, E.M., DeBOWES, R.M. Dimethyl sulfoxide. J. Am. Vet. Med. Assoc. v.185, 1984.

APPELL, L.H., BLYTHE, L.L., LASSEN, E.D., CRAIG, A.M., Adverse effects of rapid intravenous DMSO administration on horses. J. Equine. Vet. Sc. v.12, 1992.

BLYTHE, L.L., CRAIG, A.M., APPELL, L.H., LASSEN, E.D. Intravenous use of dimethyl sulfoxide (DMSO) in horses: clinical and physiologic effects. Proceed Annual Conv. Assoc. Equine Pract. v.32, 1986.

BRAYTON, C.F. Dimethyl sulfoxide (DMSO): a review. Cornell Vet, 1986.

CARPENTER, R.J., ANGEL, M.F., MORGAN, R.F. Dimethyl sulfoxide increases the survival of primarily ischemic island skin flaps. Otolaring. Head Neck Surg. v.110, 1994.

 THOMAS, S. H. Harnessing the Power of DMSO. Equus Magazine. 2012

HENRY, M.M. Hemolytic anemia. In: ROBINSON, N.E. Current therapy in equine medicine: Saunders. 1992.

MACKAY, R.J. Endotoxemia. In: ROBINSON, N.E. Current therapy in equine medicine: Saunders. 1992.

RAND-LUBY, L., POMMIER, R.F., WILLIAMS, S.T. et al. Improved outcome of surgical flaps treated with topical dimethylsulfoxide. v.224, 1996.

ROSE, R.J., HODGSON, D.R. Manual of equine practice: Saunders. 1993.

ROSENBAUM, E.E., HERSCHLER, R.J., JACOB, S.W. Dimethyl sulfoxide in musculoskeletal disordens. J. Am. Med. Assoc. v.192, 1965.

SMITH, G., BERTONE, A.L., KAEDING, C., SIMMONS, E.J. and Apostoles.  Anti-inflammatory effects of topically applied dimethyl sulfoxide gel on endotoxin-induced synovitis in horses. Am. J. vet. Res. 1998.

SOJKA, E.J., KIMMICK, S.V.B., CARISON, G.P. et al. Dimethyl sulfoxide update – New applications and dosing methods. Proceed. Am. Assoc. Equine Practit. v.36, 1990.

STONE,R.W. Clinical uptates on the use of dimethyl silfoxide. Canine Pract. v.18, 1993.

 

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