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Artigos Edição 5º Ano 2020

Uso de Análogos de GnRH na Indução da Ovulação na Reprodução Equina

Uso de Análogos de GnRH na Indução da Ovulação na Reprodução Equina 1
V.5, Ed.1, N.165(2020)

USO DE ANÁLOGOS DE GnRH NA INDUÇÃO DA OVULAÇÃO NA REPRODUÇÃO EQUINA : REVISÃO DE LITERATURA 

 

VIEIRA, LUCAS REIS

Médico Veterinário Autonomo, [email protected] – Cataguases MG, Brasil.

 

INTRODUÇÃO

O ciclo reprodutivo da égua apresenta-se com maior variabilidade de duração entre os animais domésticos. Algumas éguas parecem ser verdadeiramente poliéstricas anuais, podendo ficar prenhes em qualquer época do ano; no entanto, a maioria é poliéstrica sazonal, ou seja, período que se restringe apenas durante seis meses do ano (HAFEZ et al., 2004; MELO,2006).

O desenvolvimento e a utilização das novas biotecnologias voltadas para reprodução contribuíram para o crescimento da indústria equina em todo Brasil. Biotecnologias de reprodução assistida são necessárias para aumentar a eficiência reprodutiva e consequentemente os ganhos da produção (FARIAS et al., 2016).

A reprodução é um dos principais fatores que tem impulsionado o cenário da equideocultura no Brasil e no mundo, favorecendo o aprofundamento em pesquisas com biotecnologias que promovam à eficiência nos sistemas produtivos, a exemplo da manipulação do ciclo estral.

As características do ciclo estral são variáveis entre os animais domésticos, particularmente os equinos, devido à singular fisiologia reprodutiva desta espécie (GINTHER et al.,2003; GINTHER et al.,1972). A hormonioterapia aplicada para o uso indução da ovulação, por permitir estimar o momento em um intervalo de tempo específico, é de extrema importância (McKINNON e McCUE, 2011).

Alguns agentes indutores de ovulação são administrados comumente em éguas no estro para estimular a ovulação, em um tempo programado. Entre os agentes indutores comumente utilizados, têm-se a gonadotrofina coriônica humana (hCG) e o hormônio liberador de onadotrofina (GnRH) (VIEIRA, et al 2012).A maioria das éguas tratadas com hCG ovulam 48 horas após o tratamento (variação de 12 a 72 horas), enquanto a maior parte daquelas tratadas com GnRH ovulam, 36 a 42 horas pós-tratamento (LEY, 2006).

A utilização de tais agentes se dá em várias situações, como em casos com meta de uma única monta natural ou inseminação artificial, especialmente no uso de garanhões com alta demanda ou com particularidades reprodutivas, ou na necessidade de transporte da égua ou do garanhão para a cobertura, e em casos de éguas que sejam susceptíveis à endometrite pós-cobertura (SAMPER, 2008; McKINNON e McCUE, 2011).

Tal uso ainda para evitar a disseminação de doenças e na aplicação de outras biotécnicas como transferência, congelamento, e vitrificação de embriões, além da fertilização in vitro (SAMPER e TIBARY, 2006; FARIA e GRADELA, 2010). Os benefícios gerados pelos agentes indutores também envolvem profissionais e proprietários de animais (FARIA E GRADELA, 2010). O uso destes agentes permite planejamento e agendamento dos serviços e, consequentemente, redução da mão-de-obra despendida (SAMPER, 2008; McKINNON, 2009).

 

GnRH’S MAIS UTILIZADOS NA REPRODUÇÃO EQUINA

 

Na espécie equina, o uso do GnRH natural não foi associado a resultados interessantes na sincronização e indução da ovulação devido a sua curta meia-vida e potência, sendo necessárias aplicações repetidas (SAMPER, 2008). Entretanto, análogos do GnRH são relatados na indução de ovulação com eficácia, estes aceleram a ovulação de folículos pré-ovulatórios, especialmente a Deslorrelina, pelo fato de estimularem a liberação de LH e Hormônio Folículo Estimulante (FSH) a partir da glândula hipófise anterior (CAMPBELL, 2012).

A razão mais comum para o aparente “fracasso” no uso dos agentes indutores é sua administração em momento inadequado (McKINNON e McCUE, 2011). Segundo os referidos autores, entre os requisitos para o uso dos mesmos considera-se a presença de um folículo pré-ovulatório e de edema uterino, e suficiente relaxamento de cérvix. Após indução da ovulação, a maioria das éguas ovula dentro de 36-48 horas.

A amplitude do intervalo entre administração e ovulação pode estar relacionada à variação individual na responsividade do folículo ao Hormônio Luteinizante (LH) e presença de folículos com diâmetros compatíveis com a indução da ovulação (SAMPER, 1997).

Análogos do GnRH são relatados na indução de ovulação com eficácia, onde estes aceleram a ovulação de folículos pré-ovulatórios, especialmente a Deslorrelina, pelo fato de estimularem a liberação de LH e Hormônio Folículo Estimulante (FSH) a partir da glândula hipófise anterior (CAMPBELL, 2012).

Inicialmente, a Deslorrelina foi fornecida como um pequeno implante subcutâneo e, mais recentemente, o produto tornou-se disponível na forma injetável (McCUE et al., 2007). O hormônio pode ser utilizado em folículos menores (<35mm). Em estudo realizado por Cuervo-Arango e Newcombe (2008) eficiência foi demonstrada quando diâmetros foliculares no momento da aplicação do implante variaram entre 30-35 mm (FARIAS et al, 2016).

Quando a administração do agente farmacológico ocorrer em momento adequado, a indução da ovulação com uso de Deslorelina se dá em um intervalo de tempo muito estreito, 36-42 horas com implante (2,1 mg; SAMPER et al., 2002;) e 40-46 horas quanto utilizada na forma injetável (1,5 mg, IM; McCUE et al., 2007).

Além da Deslorelina, a utilização de outros análogos do GnRH também é descrita com objetivo de induzir ovulação. Estudo recente demonstrou que a administração de uma única injeção contendo 0,5 mg de buserelina foi eficiente na indução de ovulação em 82,6% das éguas tratadas (FARIAS et al, 2016), em jumentas a dose mínima capaz de induzir a ovulação é de 0,04 mg (CAMILLO et al., 2014).

Quarenta e oito horas após o tratamento, ovulação foi observada em 90% das éguas em que foi feita administração de 100 mcg de fertilirina (SANTOS et al., 2008) e em todas éguas tratadas com duas doses de acetato de lecirelina com intervalo de 12 horas (AWAN et al., 2016). Outro análogo do GnRH possivelmente útil para indução de ovulação em éguas é o acetato de triptorelina, entretanto, pesquisas adicionais são necessárias com intuito de alcançar taxas comparáveis às obtidas com outros produtos (FARIAS et al., 2015).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A utilização de tratamentos hormonais relacionado a indução de ovulação em éguas tem sido de grande valia para eficiência reprodutiva e permitindo assim grandes avanços relacionados a reprodução. Bons agentes de indução da ovulação juntamente com técnica, geram grande benefícios para profissionais e mais ainda para os proprietários.

Entretanto, entendimento teórico-prático da anatomofisiologia da égua e dos exames utilizados para prever a ovulação, conhecimento dos agentes indutores disponíveis no mercado, incluindo resultados e efeitos adversos, além de avaliação individual do animal e do manejo são fundamentais para o sucesso do tratamento.

 

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

AWAN FS, MEHMOOD MU, SATTAR A, AHMAD N. COMPARATIVE EFFICACY OF hCG OR GnRH ANALOGUE (LECIRELIN ACETATE) ON FOLLICULAR DYNAMICS, DEGREE OF ENDOMETRIAL EDEMA, SEXUAL BEHAVIOR, OVULATION AND PREGNANCY RATE IN CROSSBRED BROODMARES. JOURNAL EQUINE VET SCIENCE, v.41, p.71-72, 2016.

CAMILLO F, VANOZZI I, TESIA M, SABATINI C, ROTA A, PACIOLLA E, DANG-NGUYEN I, PANZANI D. INDUCTION OF OVULATION WITH BUSERELIN IN JENNIES: IN SEARCH OF THE MINIMUM EFFECTIVE DOSE. ANIMAL REPRODUCTION SSCIENCE, 151:56-60, 2014.

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GINTHER,O.J., WHITEMORE,H.L. & SQUIRES,E.L.(1972). CHACATERISTICS OF ESTRUS, DIESTRUS, AND OVULATION IN MARES AND EFFECTS OF SEASON AND NURSING. AMERICAN JOURNAL OF VETERINARY RESEARCH, p.1935-1939. 1972.

HAFEZ, E.S.E., HAFEZ, B. REPRODUÇÃO ANIMAL. 7ªED: MANOLE. SÃO PAULO, p.513. 2004.

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VIEIRA  LR, SANTOS GM, LOURENÇO GG. USO DE HORMÔNIOS INDUTORES DE OVULAÇÃO (GnRH e hCG) SOBRE A TAXA DE RECUPERAÇÃO EMBRIONÁRIA EM ÉGUAS MANGALARGA MARCHADOR ANAIS IV SIMPAC 4 2012 317 REVISTA CIENTIFICA UNIVIÇOSA – VOLUME 3 – N. 1 – VIÇOSA-MG – p. 317-322. 2013.

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