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Clínica Edição 5º Ano 2020

Criptorquismo em Equinos

Criptorquismo em Equinos 1
V.5, Ed.1, N.84(2020)

CRIPTORQUIDISMO EM EQUINOS

CRIPTORQUIDISM IN EQUINES

ALVES, D. S.¹

¹ Discente de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Uberlândia/MG – Brasil. E-mail para correspondência: [email protected]

 

 

RESUMO: O criptorquidismo é uma das principais patologias testiculares de equinos, é caracterizada pela não descida para a bolsa escrotal de um ou ambos os testículos, sendo assim chamada de criptorquidismo unilateral ou bilateral respectivamente. É uma doença de caráter hereditário, sendo assim a recomendação é que esses animais não reproduzam além de ser considerada congênita.

Os animais acometidos demostram temperamento semelhante ao de um garanhão, devido ao testículo retido manter a produção hormonal. O diagnóstico é feito por palpação externa da bolsa escrotal, palpação retal para avaliar o anel inguinal, além de dosagem de hormônios, ultrassonografia e laparoscopia. O tratamento de eleição é o cirúrgico, com a remoção de ambos os testículos, até mesmo o presente no escroto.

Palavras-chave: Criptorquidismo; Equinos; Sistema reprodutor.

ABSTRACT: Cryptorchidism is one of the main testicular pathologies of horses, it is characterized by the non-descent into the scrotum of one or both testicles, being thus called unilateral or bilateral cryptorchidism respectively. It is a disease of hereditary character, so the recommendation is that these animals do not reproduce beyond being considered congenital. Affected animals show a temperament similar to that of a stallion, due to the retained testicle maintaining hormonal production. The diagnosis is made by external palpation of the scrotum, rectal palpation to evaluate the inguinal ring, in addition to hormone levels, ultrasound and laparoscopy. The treatment of choice is surgical, with the removal of both testicles, even the one present in the scrotum.

Keywords: Cryptorchidism; Equines; Reproductive system.

 

Introdução

O criptorquidismo em equinos é uma patologia comum, com grande importância na criação de equinos, já que o animal acometido apresenta todas as características comportamentais de garanhão, porém não é indicada sua utilização para reprodução (SCHUMACHER, 2012; ARIGHI, 2007).

O criptorquidismo é relacionado à falha durante a descida dos testículos para o escroto, é o tipo mais comum de diferenciação anômala do sistema genital masculino e é muito comum em diversas espécies e em sua maioria atinge apenas um testículo, que pode ficar retido em região abdominal ou inguinal (HAFEZ & HAFEZ, 2004). Segundo Arighi (2011) a porcentagem de potros criptorquidas é estimada de 5 a 8%, sendo que as raças mais acometidas são Quarto de Milha e Percheron, também em pôneis e mestiços (SCHUMACHER, 2012; ARIGHI, 2007).

Discussão

Em cavalos diferentemente de outras espécies, supõe que a hereditariedade do criptorquidismo seja de caráter autossômico dominante enquanto nos demais animais sejam de caráter recessivo. Porém, diversos pesquisadores relatam que pode haver uma base genética para o criptorquidismo em cavalos (BLANCHRD ET AL., 2003), contudo até o momento não tem uma confirmação do mecanismo genético ligado a doença, devido as diversas observações conflitantes de transmissão genética do criptorquidismo em cavalos, pode-se assim, sugerir que o mecanismo de herança é complexo e provavelmente envolve vários genes (SCHUMACHER, 2012).

Nos equinos a descida dos testículos ocorre 30 antes do nascimento e até 10 dias após o nascimento (SCHUMACHER, 2012; ARIGHI, 2011). Para que ocorra a descida dos testículos é necessária à ocorrência de alguns eventos como: encurtamento do gubernáculo, a regressão do ligamento suspensor cranial do testículo e o ampliação da pressão intra-abdominal, que auxilia o processo de passagem do testículo através do canal inguinal até o escroto (ARIGHI, 2011; LU, 2005; HUTSON ET AL., 1997). Casos em que ocorra falha em algum desses mecanismos pode gerar os animais com a patologia.

A origem do criptorquidismo está relacionada: a uma falha na ampliação da porção subperitoneal do gubernáculo, o que resulta em uma inapropriada expansão do canal inguinal e do anel vaginal para a passagem do testículo (SCHUMACHER, 2012; BLANCHARD ET AL., 2003); a expansão exagerada da porção subperitoneal do gubernáculo, o que impede a regressão adequada (SCHUMACHER, 2012; LOPATE ET AL., 2003); pode ocorrer por falha de regressão suficiente do testículo, em tamanho, para poder atravessar o anel vaginal; inadequada pressão abdominal, de forma que não seja suficiente para ocorra a expansão do processo vaginal; o testículo deslocado para dentro da cavidade pélvica, de forma que a pressão abdominal induziria a uma tensão ineficiente do gubernáculo (ARIGHI, 2011; BLANCHARD ET AL., 2003).

O testículo retido pode se localizar em qualquer local da via de descida, na região inguinal, ou em uma posição ectópica, após atravessar o canal inguinal (HAFEZ & HAFEZ, 2004). Cavalos criptorquidas bilaterais são inférteis, com a libido elevada e mais agressivo, devido a alta produção de hormônios masculinos (THOMASSIAN, 2005).  Os animais criptorquidas unilaterais são férteis, mas não é indicado que esses animais se reproduzam (HAFEZ & HAFEZ, 2004).

Os testículos retidos são menores, com coloração mais escura e menos consistentes a palpação. Os túbulos seminíferos tem um diâmetro reduzido além do número de camadas de células espermatogênicas serem inferiores aos animais sem a anomalia, sendo assim são considerados afuncionais sob o ponto de vista espermatogênico, sendo os espermatócitos primários como os estágios mais maduros de células espermatogênicas (THOMASSIAN, 2005).

Criptorquismo em Equinos 2
Figura 1: testículo retido e testículo da bolsa escrotal em animal criptorquida unilateral.
Fonte: BATISTA, A. S. G.; MOURA, A. J. O. L. de; HENRIQUES, M. O. (2016).

Os testículos retidos são mais susceptíveis as neoplasias, o que também aumenta o risco de tumores na gônada localizada no escroto. Teratomas, seminomas, tumores de células intersticiais ou de Leydig, tumores de células de Sertoli e carcinoma “in situ” associado a seminoma, são os tumores mais comuns em gônadas criptórquias. (CATTELAN, 2004).

Para diagnosticar a patologia, primeiramente se observa a ausência de um ou ambos testiculos na bolsa escrotal, em animais a partir do segundo ano de vida. Pode-se realizar a palpação transrretal, para confirmação do diagnostico (THOMASSIAN, 2005). A palpação transretal nos da resultados contraditórios devido a idade e temperamento do animal, além da mobilidade e consistência flácida do testículo retido. A dosagem de testosterona sérica é um procedimento mais confiável com uma margem de erro reduzida, já que vai avaliar a presença de tecido testicular (CATTELAN, 2002).

A orquiectomia é o tratamento mais indicado em animais criptorquidas, já que não são indicados para reprodução e frequentemente pode ser acometida por tumores nos testículos (HAFEZ & HAFEZ, 2004), a cirurgia é realizada pelas vias inguinal, pré-inguinal, pré-púbica, paramediana, paraprepucial, pela fossa paralombar ou por cirurgia transendoscópica (THOMASSIAN, 2005). Os tratamentos hormonais, que são realizados em humanos para indução da descida dos testículos não produzem os mesmos efeitos em (THOMASSIAN, 2005).

Conclusão

Diante do exposto, os animais criptorquidas unilaterais tem a produção de espermatozoide mantida no testículo presente na bolsa escrotal, por outro lado os animais criptorquida bilateral são inférteis, pois têm os dois testículos retidos. Porém, por ser uma patologia de caráter hereditário, o ideal é que não utilize esses animais para reprodução, e que realize a castração como forma preventiva.

REFERÊNCIAS

ARIGHI, M. Testicular descente and cryptorchidism. In: SAMPER, J.C.; PYCOCK, J.F.; McKINNON, A.O. Current Therapy in Equine Reproduction. Saint Louis: Elsevier, 2007. p. 185-194.

BATISTA, A. S. G.; MOURA, A. J. O. L. de; HENRIQUES, M. O. Criptorquidismo unilateral em equino: Relato de caso. Saber Digital, v. 9, n. 2, p. 61-71, 2016.

BLANCHARD, T.L.; VARNER, D.D.; SCHUMACHER, J. et al. Manual of Equine Reproduction. 2. ed. Saint Louis: Mosby, 253 p., 2003.

CATTELAN, J. W. Aspectos de casuística, morfométricos, morfológicos e de testosterona sérica no criptorquidismo em cavalos. Jaboticabal, p. 64, 2002. Tese (Livre – Docência) – Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinária, Universidade Estadual Paulista.

HAFEZ, B; HAFEZ, E. S. E. Reprodução animal, 7º ed. Barueri: Manole, 2004. p. 291 – 93 ; 313.

HUTSON, J.M.; HASTHORPE, S.; HEYNS, C.F. Anatomical and functional aspects of testicular descent end cryptorchidism. Endocrine Reviews, v. 18, n. 2, p. 259-280, 1997.

LU, K.G. Clinical diagnosis of the cryptorchid stallion. Clinical Techniques in Equine Practice, v. 4, n. 3, p. 250-256, 2005.

SCHUMACHER, J. Testis. In: AUER, J.A.; STICK, J.A. (Org.). Equine Surgery. 4. ed. Saint Louis: Saunders, 2012. p. 804-840

SCHUMACHER, J.; VARNER, D.D. Enfermedades del aparato reproductivo: el padrillo. In: COLAHAN, P.T.; MAYHEW, I.G.; MERRITT, A.M. et al. (Org.). Medicina y Cirugia Equina. 4. ed. Buenos Aires: Intermédica, 1998. v. 2, p. 773-867.

THOMASSIAN, A. Enfermidades dos cavalos. 4.ed. São Paulo: Varela, 2005. 573p.

 

 

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