Info Equestre
Clínica Edição 5º Ano 2020

Ocorrência de Hemorragia Pulmonar Induzida por Exercício nos Cavalos do Jockey Clube de São Paulo

Ocorrência de Hemorragia Pulmonar Induzida por Exercício nos Cavalos do Jockey Clube de São Paulo
V.5, Ed.1, N.150(2020)

OCORRÊNCIA DE HEMORRAGIA PULMONAR INDUZIDA POR EXERCÍCIO NOS CAVALOS DO JOCKEY CLUBE DE SÃO PAULO

Bruna Vasconcellos Bottiglieri Stellutti, Luís Renato Oselieiro, Marilia Nunes Cardoso, Paolo Neandro Bona Soares, Rodrigo Silveiro Ferreira da Cruz, Rodrigo Tavares Nieman.

 

RESUMO

A Hemorragia Pulmonar Induzida por Exercício (HPIE) ocorre em grande parte dos cavalos atletas, pode[1]ndo atrapalhar o seu rendimento. O Puro Sangue Inglês em corridas é a raça mais acometida devido ao grande esforço que é submetido, entretanto outras raças utilizadas para esporte podem apresentar a HPIE como o Puro Sangue Árabe e Quarto de Milha.

O objetivo deste trabalho foi realizar um estudo clínico retrospectivo a fim de avaliar a ocorrência de Hemorragia Pulmonar Induzida por Exercício (HPIE), em equinos utilizados em corridas do Jockey Clube de São Paulo. Foram avaliados 1.372 laudos de exames endoscópicos realizados entre os anos de 2017 e 2019 em 512 animais. Os exames foram realizados entre 30 e 60 minutos após o exercício.

Foram observados que em 492 (35,8%) laudos houve algum grau de sangramento pulmonar; em 868 (63,2%) laudos não houve nenhum grau de sangramento pulmonar; e, 12 (0,8%) laudos não tiveram conclusão, pois os animais não permitiram a realização do exame ou foram retirados da corrida por outra causa não descrita.

Apesar da doença estar frequentemente presente nos equinos de corrida estudados, ainda não se descobriu um tratamento eficaz para afecção, sendo então medicados apenas para diminuir ou parar sintomas de sangramento momentâneo e a inflamação induzidos pelo exercício.

Palavras-chave: hemorragia pulmonar, exercício, equinos, endoscopia.

 

INTRODUÇÃO

A Hemorragia Pulmonar Induzida por Exercício (HPIE) é caracterizada pela presença de sangue nos alvéolos pulmonares e vias aéreas, impedindo a troca gasosa, reduzindo assim a eficiência pulmonar (HINCHCLIFF et al. 2005). Esta doença tem caráter importante com relação a queda de performance atlética de cavalos de corrida, principalmente os da raça Puro Sangue Inglês (PSI) (BACCARIN, 2005).

Segundo Hinhcliff (2000), a HPIE não deveria ser considerada uma patologia propriamente dita e sim uma condição habitual e comum dos equinos de esporte. Outros autores reconhecem este sangramento post exercício como um fenômeno fisiológico que resulta do exercício extremo (West e Costello, 1999).

Essa condição, seja patológica ou não, ainda é uma grande preocupação na indústria da corrida devido às implicações financeiras relacionadas à diminuição de desempenho, dias de treinos perdidos, uso de medicação profilática antes da corrida e retirada dos cavalos da atividade atlética (Erickson, 2000; Raphel; Soma, 1982; Pascoae; Raphel, 1982; Pascoae et al., 1981). O processo, uma vez iniciado, é para toda a vida, dando sequência toda a vez que o animal realiza um exercício árduo (PASCOE, 1996).

Historicamente, a HPIE era diagnosticada apenas na presença de sangue nas narinas após exercício. Antes da introdução e uso generalizado do rígido e subsequentemente endoscópio flexível, não era conhecida com nenhuma certeza de que o pulmão era a origem da hemorragia na maioria dos casos.

A furosemida é o fármaco de eleição no tratamento e prevenção da HPIE, já que aumenta o volume urinário, diminuindo o volume sanguíneo, aliviando a função sistólica do ventrículo direito, com diminuição da pressão arterio pulmonar (MORAN et al. 2003).  Segundo Moran e Araya (2003) o uso da furosemida administrada intravenosa de uma a quatro horas antes do exercício parece atenuar a pressão capilar pulmonar, beneficiando alguns eqüinos .

 

OBJETIVO

Este trabalho tem como objetivo realizar um estudo retrospectivos das endoscopias realizadas em equinos PSI, Puro Sangue Árabe e Quarto de Milha, pós corrida no jockey club de São Paulo para análise da Hemorragia Pulmonar Induzida pelo Exercício (HPIE).

 

  1. REVISÃO DE LITERATURA:

 

2.1 DEFINIÇÃO E HISTÓRICO

As alterações do sistema respiratório podem ocupar o segundo lugar, atrás dos distúrbios do sistema músculo-esquelético, na limitação do desempenho atlético dos equinos.

Ocorrem grandes perdas econômicas quando os programas de treinamento de eqüinos são interrompidos em razão de enfermidades respiratórias (REED; BAYLY, 2000). A detecção precoce de problemas respiratórios é essencial para o rápido retorno dos animais de corrida ao treinamento.

A hemorragia pulmonar induzida por esforço ou exercício (HPIE) constitui-se na  uma afecção típica de equinos atletas (THOMASSIAN, 2005). A HPIE é definida como sendo a presença de sangue livre, de origem pulmonar, na árvore traqueobrônquica ou sinais de sangue, após exercício intenso. (Costa et al., 2004; Newton et al., 2005).

De acordo com Derksen e Robinson (2002), esta é uma das enfermidades de maior importância do trato respiratório equino, juntamente com a Obstrução Recorrente das Vias Aéreas (ORVA) e a Doença Inflamatória das Vias Aéreas (DIVA).

Em 1688 foi descrito pela primeira vez por Markhan o quadro em equinos de sangramento pulmonar após o exercício (WEST & COSTELLO, 1994). Em 1883 Robertson comunicou a existência de epistaxe em cavalos de corrida atribuindo-a a uma condição hiperêmica dos vasos pulmonares e em 1913 atribuiu-se a epistaxe a uma condição hereditária em cavalos Puro Sangue de corrida (PASCOE 2000).

Hinchcliff (2000) relatou que a HPIE deveria ser considerada uma condição habitual e comum nos cavalos de esporte e não uma patologia propriamente dita. Ele considera que é uma conseqüência fisiológica de exercícios extenuantes.

A etiopatogênia da HPIE pode ser caracterizada por hipertensão pulmonar, edema nas paredes dos alvéolos, rompimento de capilares alveolares, hemorragia intra-alveolar e presença de sangue nas vias respiratórias, notadamente nos lobos caudo dorsais (THOMASSIAN, 2005).

Sua apresentação seria favorecida pela coexistência de múltiplos fatores, que serão predisponentes ou causadores desta condição (ART & LEKEUX, 1994).

Alguns autores descrevem como fatores predisponentes a velocidade inicial do cavalo durante a corrida, o peso do jóquei, a temperatura e umidade ambiente, estresse da corrida, aumento da viscosidade sanguínea, a altitude da pista em relação ao nível do mar, e o tipo e a qualidade da pista (grama e areia leve e pesada) possam ter importante participação no desencadeamento do sangramento alveolar (THOMASSIAN, 2005).

Pascoe (1991) relatou ainda que a enfermidade ocorre quando o equino atinge velocidades maiores do que 840 m/min.

Os equinos podem apresentar como sinal clínico queda da performance e epistaxe, que . Além desses sintomas, os cavalos podem deglutir e tossir mais frequentemente, durante a recuperação do exercício devido à presença de sangue na faringe e laringe.

De acordo com um artigo publicado pela Universidade de Michigan, menos de 5% dos cavalos apresentam sinais de sangramento nasal após exercício intenso, isso demonstra a importância do exame endoscópico.

O critério de graduação da hemorragia visível ao exame endoscópico foi estabelecido por Pascoe et al. (1981), variando da seguinte maneira: Grau 0: ausência de sangue visível; Grau 1: traços de sangue na traquéia; Grau 2: presença de filete de sangue na traquéia; Grau 3: presença de sangue na traquéia em quantidade superior acumulando-se no assoalho traqueal; Grau 4: presença abundante com acúmulo de sangue na traquéia; Grau 5: hemorragia nasal e/ou presença de sangue abundante e acumulado na traquéia até a orofaringe.

2.2 TRATAMENTO

Devido à etiologia variada e provavelmente multifatorial, não existe um tratamento efetivo para a HPIE (PIOTTO, 2006). Reed & Bayly (2000) recomendaram como forma de tratamento o repouso, entretanto acreditam na possibilidade de recidiva da HPIE assim que o animal retornar ao trabalho.

Os mesmos autores também indicaram antimicrobianos no tratamento, pois o sangue proveniente da hemorragia constitui um excelente meio para o crescimento bacteriano. O objetivo do tratamento seria reduzir a severidade da hemorragia além de minimizar suas seqüelas, ou seja, inflamação e fibrose intersticial e de vias aéreas (BACCARIN, 2005).

Thomassian (2005) indicou repouso dos animais que apresentam graus acima de três como início do tratamento e o considera inconsistente.

Piotto (2006) relatou que outros tratamentos menos específicos têm sido descritos, mas geralmente baseiam-se nas afecções paralelas que podem ser agravantes ou indutoras da HPIE, como os tratamentos das enfermidades infecciosas, inflamatórias e mesmo da laringe.

O desenvolvimento de terapias efetivas para a HPIE foram pesquisadas, algumas alternativas à furosemida que são usadas ​​para prevenir e tratar EIPH incluem dilatadores nasais, soro equino concentrado, óxido nítrico, formulações à base de plantas, estrogênios conjugados, uma dieta rica em ácidos graxos ômega-3 e descanso.

2.2.1 FUROSEMIDA NO MANEJO DA HPIE

A utilização da furosemida no controle da HPIE, embora haja controvérsia, é admitida em alguns hipódromos do mundo. Entretanto, o seu uso deve se restringir aos animais que apresentam graus de sangramento acima de três ou com piora gradativa do quadro clínico (THOMASSIAN, 2005). Porém esse autor destacou que não há uma comprovação científica que o uso da furosemida impeça ou retarde a evolução da afecção.

A furosemida age diretamente na função renal tubular pela inibição da reabsorção de sódio e cloretos na porção ascendente da alça de Henle favorecendo a diluição do fluído tubular (HINCHCLIFF & MUIR, 1991). Ela causa uma queda quase que imediata da pressão sanguínea nos pulmões e a liberação de uma E-prostaglandina, de origem renal, que seria broncodilatadora (ROBINSON, 1979).

Soma et al. (2000) demonstraram que os efeitos benéficos da furosemida na HPIE vão diminuindo com a idade do animal, já que os jovens têm uma melhor resposta a droga em comparação com indivíduos mais velhos.

Após a aplicação da furosemida, os cavalo de corrida podem perder até 2,4% do seu peso pela urina, reduzindo o volume plasmático de 8 a 11%, diminuindo a pressão de 7 a 10 mmHg, embora mantenha a mesma quantidade de células vermelhas, responsáveis pelo envio de oxigênio para os músculos. Isso pode diminuir a incidência e a gravidade da hemorragia pulmonar (PIOTTO, 2006).

Costa (2004) relatou em seu estudo que 38,34% dos animais em que se utilizou furosemida apresentaram HPIE grau 0, ou seja, houve redução do sangramento anteriormente observado ao endoscópio e que 61,66% dos animais submetidos ao tratamento continuaram a apresentar algum grau de hemorragia ao exame endoscópico após a corrida. Mucciacito (2006), em seu estudo, encontrou uma menor incidência de HPIE (52,40%) no grupo de animais que utilizou a furosemida previamente à corrida em relação ao grupo não medicado (60,00%).

Também relatou que houve uma menor incidência de HPIE grau 4 nos animais medicados com furosemida em relação aos não medicados.

Thomassian (2005) cita a redução de fatores que produzam inflamação das vias aéreas posteriores, como poeira, pó de alfafa, profilaxia de doenças respiratórias e programas de exercícios controlados para que se atinja o condicionamento atlético do animal gradativamente, são medidas que podem ser eficazes na prevenção e redução da HPIE.

2.2.2 DILATADORES NASAIS

O uso da fita tem sido amplamente utilizado em diversas modalidades esportivas. A atividade em que mais se observa o uso dessa tecnologia é em corridas nos hipódromos com o objetivo principal de evitar ou diminuir episódios de hemorragia pulmonar induzida pelo esforço, doença muito comum em animais PSI que causa prejuízo no desempenho dessa atividade (POOLE et al., 2000; MORLEY et al., 2015).

Os cavalos são respiradores nasais obrigatórios, portanto, a resistência nasal em equinos é mais importante do que em humanos. A tira nasal FLAIR foi desenvolvida para cavalos para prevenir ou reduzir a colapso das passagens de ar, para diminuir a resistência das vias aéreas (particularmente resistência nasal), e para prevenir oscilações da pressão intrapleural e alveolar que podem contribuir para altos níveis pulmonares pressões transmurais capilares e EIPH (Holcombe et al. 2002).

Alguns autores demonstram que o uso da fita nasal diminui a pressão inspiratória e o grau de esforço requerido pelos músculos respiratórios, reduzindo a energia requerida pela respiração (HOLCOMBE et al., 2002), e que associada ao uso da furosemida reduz a fadiga e a ocorrência de HPIE em testes de esforço em esteira (MCDONOUGH et al., 2004).

2.2.3 ÓXIDO NÍTRICO

O óxido nítrico inalado reduz a pressão pulmonar e pressão arterial durante o exercício (Mills et al.1996a; Mills et al. 1996b); no entanto, a gravidade da HPIE aumenta com a inalação de óxido nítrico (Kindig et al. 2001).Esses dados também sugerem que o óxido nítrico exógeno utilizado no tratamento durante o exercício em cavalos pode não apenas ser uma profilaxia ruim, mas pode realmente exacerbar a severidade do EIPH.

2.2.4 FORMULAÇÕES À BASE DE PLANTAS

As formulações de ervas são usadas para tratar cavalos com HPIE; no entanto, poucos estudos científicos foram feitos para determinar a eficácia de ervas nos remédios. As formulações à base de plantas são usadas para diminuir a inflamação e edema no pulmão e mover sangue estagnado para fora das vias aéreas.

As formulações também foram projetadas para atender defeitos de coagulação, como função plaquetária, que pode contribuir para o HPIE. Dois comumente usados formulações à base de plantas (Yunnan Paiyao e Single Imortais) foram avaliados recentemente, mas não foram considerados eficazes, nesta dose específica e duração do tratamento, na redução da HPIE (Epp et al.2005).

2.2.5  ESTROGÊNIOS CONJUGADOS

Agentes hemostáticos são freqüentemente usados para tratar sangramento não controlado em pacientes com fibrinólise. Estrogênios e antifibrinolíticos conjugados são usados na pista para impedir HPIE. No entanto, não há evidências científicas  de que cavalos com HPIE aumentaram fibrinólise ou a coagulação defeituosa (Bayly et al.1983; Johnstone et al. 1991).

2.2.6 ÁCIDOS GRAXOS (ÔMEGA-3)

Muitos suplementos eqüinos são ricos em ômega-3 com a hipótese de reduzir o HPIE através de sua ação na cascata de ácido araquidônico e redução da inflamação das vias aéreas. Desde a doença inflamatória das vias aéreas pode ser um importante componente do HPIE, uma dieta rica em ácidos graxos ômega-3 ácidos podem prevenir e reduzir HPIE (H. H. Erickson, T. S. Epp and D. C. Poole 2006).

Em resumo, existem alternativas à furosemida para reduzir e tratar HPIE. No entanto, apenas os dilatadores nasais e o soro equino concentrado têm demonstrado eficácia científica no momento. Descansar e um cronograma de treinamento reduzido também deve ser um parte do regime de tratamento para permitir a cura de tecido pulmonar traumatizado e depuração do sangue das vias aéreas (H. H. Erickson, T. S. Epp and D. C. Poole 2006).

2.3 DIAGNÓSTICO

A HPIE pode ser reconhecida através do exame endoscópico das vias aéreas superiores, ou, através de contagens de células em lavados de origem bronqueoalveolar (Fogary et al., 1991; Sweeney, 1991; McKane at al., 1993; Lapointe et al., 1994; Erickson, 1995; Moore, 1996; Manohar, 2000).

Na radiografia, um padrão específico de densidade pulmonar pode ser encontrada em cavalos que sofrem de EIPH. Este padrão consiste em um aumento da pressão bronco-intersticial, opacidades limitadas às regiões dorso caudais do pulmões.

A variação no padrão dessa opacidade pode observada de acordo com o tempo desde o episódio de sangramento (O’Callaghan e Goulden 1982). Uma serie de exames radiográficos de sangramentos confirmados mostrou que a resolução das opacidades pulmonares pode durar de vários dias a vários meses (Pascoe et al. 1983).

Quando lesões EIPH são detectáveis ​​com radiografia, as alterações correlacionam-se significativamente com gravidade real da lesão, determinada por post mortem exame dos pulmões (O’Callaghan et al. 1987a). Entretanto, enquanto as opacidades radiográficas são prontamente identificados em alguns casos de EIPH, a grande maioria dos cavalos com sinais clínicos apresentam poucas características radiográficas.(O’Callaghan et al. 1987a).

O mecanismo de desencadeamento da HPIE ainda necessita de esclarecimento, porém, as teorias mais aceitas atribuem a causa às altas pressões vasculares atingidas nos pulmões durante o exercício. De qualquer modo, trata-se de uma condição progressiva e, ao que se saiba, ainda não existe tratamento eficaz para sua resolução (Costa et al., 2004).

MATERIAL E MÉTODOS:

Foi realizado um levantamento das endoscopias feitas entre o período de janeiro de 2017 à maio de 2019 (1.372 exames), pelo Departamento de Assistência Veterinária do Jockey Clube de São Paulo, em cavalos de corrida em sistema de treinamento desconhecido.

Foram avaliados 1.372 laudos de endoscopia de exames  que foram realizados em 512 animais, entre eles machos e fêmeas, das raças Puro Sangue Inglês, Árabe e Quarto de Milha com idades entre 2 e 10 anos, submetidos ou não ao efeito da furosemida, estes com base no regulamento próprio para uso do fármaco. Os exames foram realizados em um período de 30 a 60 minutos após a corrida, e os animais percorreram entre 402m a 4.000m de prova.

A avaliação endoscópica se deu através da endoscopia flexível em estação pós exercício,  iniciou-se  no  trato  respiratório  superior, observando-se  estruturas anatômicas da cavidade nasal (narinas, cornetos, etmóide), faringe (óstio das bolsas guturais), palato mole, laringe (aritenóides, epiglote), traquéia (observando secreção, apresentação e localização) e finalizando na bifurcação dos brônquios principais (carina).

A finalidade do exame era realizar uma avaliação completa do trato respiratório além de observar presença ou ausência de secreção mucóide, muco purulenta ou sanguinolenta nas vias aéreas. Quando havia sangramento o mesmo era graduado em graus de I a V conforme a presença de volume de sangue e sua distribuição ao longo das vias aéreas.

 

RESULTADOS:                                                                                                                                        

Neste estudo observou-se que a hemorragia pulmonar induzida pelo exercício (HPIE) é uma alteração presente nos cavalos de corrida. Constatou-se que nos 1.372 exames realizados em 512 equinos, 12 (0,8%) laudos não tiveram conclusão, pois os animais não permitiram a realização do exame ou os animais não participaram do evento esportivo; em 868 (63,2%) laudos não foi constatado HPIE; em 172 (12,5%) laudos havia HPIE grau 1; em 128 (9,3%) laudos havia HPIE grau 2; em 93 (6,7%) laudos havia HPIE grau 3; em 47 (3,4%) laudos havia HPIE grau 4; e em 52 (3,7%) laudos havia HPIE grau 5.

Adicionalmente foi realizada a análise 746 (54,3%) laudos de equinos que correram sob o efeito da Furosemida, dos quais 273 animais continuaram apresentando algum grau de sangramento.

Já nos laudos de animais que não correram sob efeito da Furosemida, 626 (45,6%), constatou-se que em 219 laudos os animais apresentaram algum grau de sangramento, e em 12 laudos (0,8%) não tiveram conclusão, pois os animais não permitiram a realização do exame ou não foi descrito o resultado a partir do exame realizado. Foi observado que mesmo com a utilização da Furosemida alguns animais continuaram apresentando algum grau de HPIE.

Como já descrito a epistaxe é um dos sintomas clínicos apresentados na HPIE (PASCOE 2000). Foi observado em quais laudos foi possível observar o sangramento, constatando algum grau de hemorragia, porém em alguns animais onde não foi constatado nenhum grau de hemorragia ou grau I e II a epistaxe pode ter sido advinda de um trauma.

Ainda no mesmo estudo em alguns laudos foi possível observar outras afecções, como a presença em 36 (2,6%) laudos o deslocamento de palato persistente e em 1.136 (97,3%) não havia deslocamento. E também a hemiplegia de laringe, em 1 (0,07%) laudo hemiplegia laringeana direita; em 49 (3,5%) laudos hemiplegia laringeana esquerda; e em 1.322 (96,3%) laudos não havia hemiplegia laringeana.

  1. CONCLUSÃO:

De acordo com os dados encontrados em 1.372 laudos, permite-se concluir que o exame endoscópico das vias aéreas anteriores e posteriores realizado, foi o importante para comprovar a incidência da Hemorragia Pulmonar Induzida pelo Exercício, e graduar a doença, estando presente em 504 (35,8%) exames e ausente em 868 (63,2%) exames, em animais da raça Puro Sangue Ingles, Árabe e Quarto de Milha.

Com a administração da Furosemida foi possível observar que em 468 (37,11%) laudos não apresentaram nenhum grau de sangramento e em 5 (0,36%) laudos não tiveram conclusão, pois os animais não permitiram a realização do exame ou não foi descrito o resultado a partir do exame realizado.

Em 273 (19,9%) laudos os animais apresentaram algum grau de sangramento onde, 103 laudos (7,5%) os animais apresentaram HPIE grau 1; em 81 (5,9%) laudos havia HPIE grau 2; em 60 (4,3%) havia HPIE grau 3; em 19 (1,39%) laudos havia HPIE grau 4; e em 10 (0,73%) laudos havia HPIE grau 5.

Apesar da doença estar frequentemente presente nos equinos de corrida estudados, ainda não se descobriu um tratamento eficaz para afecção, sendo assim muito importante a realização do exame endoscópico com frequência, após o trabalho, para que seja possível agir de forma profilática. Medicando os animais para diminuir ou parar sintomas de sangramento momentâneo e a inflamação induzidos pelo exercício.

Estudos mais aprofundados a respeito devem ser realizados para correlacionar a presença de hemorragia pulmonar induzida pelo exercício com e sem o uso da Furosemida, além da presença de fatores como distância, velocidade e doenças pré existentes.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ART, T.; LEKEUX, P. L’ hemorragia pulmonaire induite par 1’ exercice chez le cheval: une énigme de la médicine équine? Ann Méd Vét. v.138, p.145-153, 15 1994.

BACCARIN, R. Y.A. Diagnóstico e tratamento das pneumopatias de esforço. In: II Simpósio Internacional do Cavalo Atleta e IV Semana do Cavalo – SIMCAV. 2005, Belo Horizonte, Anais II Simpósio Internacional do Cavalo Atleta. Minas Gerais: Universidade Federal de Minas Gerais, 2005, p. 12-28.

BAYLY, W. M.: Furosemide, Proc 46th Annu Conv AAEP, 2000, p. 225-228.

COOK, W. R. Epistaxis in the racehorse. Equine vet. J., v. 6, p. 45-48, 1974

Bayly, W.M., Meyers, K.M., Keck, M.T., Huston, L.J. and Grant, B.D. (1983) Effects of furosemide on exerciseinduced alterations in haemostasis in Thoroughbred horses exhibiting post exercise epistaxis. In: Snow, S.G.B. Persson, and R.J. Rose (Eds.) Equine Exercise Physiology Granta Editions, Cambridge, pp. 64-70.

COSTA, M. F. Avaliação da influência do peso do jóquei, distância percorrida, tipo de pista e estação do ano na persistência e na severidade de Hemorragia Pulmonar Induzida por Exercício (HPIE) e sua correlação com a colocação obtida em animais de corrida da raça Puro-Sangue Inglês medicados com Furosemida. 2004. 121p. Tese (Mestrado em Cirurgia de Grandes Animais) – FMVZ – UNESP – Botucatu.

DERKSEN, F.J.; ROBINSON, N.E. Overview of the equine respiratory system. In: LEKEUX, P. Equine Respiratory Disease. Ithaca: International Veterinary Information Service, 2002. Disponível em: . Acesso em: abril 2009

Epp, T.S., McDonough, P., Padilla, D.J., Cox, J.H., Poole, D.C., and Erickson, H.H. (2005) The effect of herbal supplementation on the severity of exercise-induced pulmonary haemorrhage. Equine Comp. Exer. Physiol. 2, 17-25.

ERICKSON, H. A review of exercise-induced pulmonary hemorrage: new concepts for preventions. Proc. Ann. Conv. Am. Assoc. Equine Practice. v. 46, p. 193-96, 2000.

Erickson, H.H. and Hildreth, T.S. (2004) Novel and emerging therapies for EIPH. Proc. ACVIM 22, 111- 222

Erickson, H.H. and Poole, D.C. (2002) Exercise-induced pulmonary hemorrhage. www.ivis.org. In: Equine Respiratory Diseases, Ed: P. Lekeux.

Erickson, H.H. (2000) A review of exercise-induced pulmonary hemorrhage and new concepts for prevention. AAEP Proc. 46, 193-196.

EXERCISE INDUCED PULMONARY HAEMORRHAGE STUDY GROUP Royal Society of Medicine, Londres: Horserace Betting Board, 1999.

HINCHCLIFF, K. W. Counting red cells-is it na Answer to EIPH. Equine Vet. J. v.32, p.979-984, 2000.

FORGARTY, U.; BUCKLEY, T. Bronchoalveolar lavage findings in horses with exercise intolerance. Equine Veterinary. Journal, v. 6, p 434–437, 1991.

HINCHCLIFF, K. W.; JACKSON, M. A.; BROWN, J. A.; DREGDE, A. F. O’ CALLAGHAN, P. A.; MCCAFFREY, J. P.; MORLEY,P.S.; SLOOCOMBE, R. F.; CLARKE, A. F. Tracheobronchoscopic assessment of exercise-induced pulmonary hemorrhage in Thoroughbred race horses. Journal American Veterinary Medical Association, v.6, p.596-598, 2005.

HINCHCLIFF, K. W.; MUIR, W. W. Pharmacology of furosemide in the horse: A review, J Vet Int Med, 1991, v. 5, p. 211-218.

Holcombe, S.J., Berney, C. Cornelisse, C.J., Derksen, F.J., and Robinson, E. (2002) Effect of commercially available nasal strips on airway resistance in exercising horses. Am. J. vet. Res. 63, 1101-1105.

Johnstone, I.B., Viel, L., Crane, S., and Whiting, T. (1991) Hemostatic studies in racing Standardbred horses with exercise-induced pulmonary hemorrhage. Hemostatic parameters at rest and after moderate exercise. Can. J. vet. Res. 55, 101-106

Kindig, C.A., McDonough, P., Fenton, G, Poole, D.C., and Erickson, H.H. (2001a) Efficacy of nasal strip and furosemide in mitigating EIPH in Thoroughbred horses. J. appl. Physiol. 91, 1396-1400.

Kindig, C.A., McDonough, P., Finley, M.R., Behnke, B.J. Richardson, T.E., Marlin, D.J., Erickson, H.H., and Poole, D.C. (2001b) NO inhalation reduces pulmonary artery pressure but not hemorrhage in maximally exercising horses. J. appl. Physiol. 91, 2674-2678

LAPOINTE, J. M.; VRINS, A.; LAVOIC, J. P. Effects of centrifugation and specimen preparation technique on bronchoalveolar lavage analysis in horse. Equine Veterinary. Journal, v.26. p 227-229,1994.

MANOHAR, M.; GOETZ, T. E.; ROTHENBAUM, S. Clenbuterol administration does not attenuate the exercise-induced pulmonary arterial, capillary or venous hypertension in strenuously exercising Thoroughbred horses. Equine Vet. J. v.32, n.6, p.546-50, 2000.

MCDONOUGH, P.; KINDIG, C.; HILDRETH, T.; PADILHA, D; BEHKE, B.; ERICKSON, H.; POOLE, D. Effect of Furosemide and the Rquine Nasal Strip on Exercise Induced Pulmonary- Haemorrhage and Time-to-Fatigue in Maximally Exercising Horses. Equine and Comparative Exercise Physiology, v. 1, n. 03, p. 177-184, 1 ago. 2004.Disponível em: http://journals.cambridge.org/abstract_S1478061504000222. Acesso em: 11 jul. 2015.

McKANE, S.A.; CANFIELD, P.J.; ROSE, R.J. Equine bronchoalveolar lavage cytology: survey of thoroughbred racehorses in training. Australian Veterinary Journal, v.70, n.11, p.401-404, 1993.

Mills, P.C., Marlin, D.J., Demoncheaux, E., Scott, C. Casas, I., Smith, N.C. and Higenbottam, T. (1996a) Nitric oxide and exercise in the horse. J. Physiol. (London) 495, 863-874.

Mills, P.C., Marlin, D.J., Scott, C.M., Casas, I. and Smith, N.C. (1996b) Nitric oxide during exercise and pulmonary disease in the horse. Pferdeheikunde 12, 551-556.

MORAN, G.; ARAYA, O. Hemorragia pulmonar inducida por el ejercicio en el caballo: una revision. Arch. Med. Vet., v.35, n. 2, p. 127-38, 2003.

MORAN, G.; CARRILLO, R.; CAMPOS, B.; GARCIA, C. Evaluación endoscópica de Hemorragia Pulmonar Inducida por El Ejercicio en equinos de pólo. Arch. Med. Vet. v.35, p.109-113, 2003.

MORLEY, P. S.; BROMBEREK, J. L.; SAULEZ, M. N.; HINCHCLIFF, K. W; GUTHRIE, A. J. Exercise-induced pulmonary haemorrhage impairs racing performance in Thoroughbred racehorses. Equine Veterinary Journal, v. 47, n. 3, p. 358-365, 2015.

MUCCIACITO JÚNIOR, D. A. Estudo da correlação entre hemorragia 18 pulmonar induzida por exercício e alterações das vias aéreas anteriores e traquéia identificadas por exame endoscópio em equinos da raça Puro Sangue Inglês no Jockey Club de São Paulo. 2006. 110p. Tese (Mestrado em Clínica Cirúrgica Veterinária) – FMVZ – USP.

NEWTON, J.R.; ROGERS, K.; MARLIN, D.J. et al. Risk factors for epistaxis on British racecourses: evidence for locomotory impactinduced trauma contributing to the aetiology of exercise-induced pulmonary haemorrhage. Equine Veterinary Journal, v.37, p.402-411, 2005.

O’CALLAGHAN, M.W. & GOULDEN, B.E. (1982). Radiographic Changes in the lungs of horses with exercise-induced epistaxis. N. Z. Vet. J., 30:117-118.

O’CALLAGHAN, M.W.; PASCOE, J.R.; TYLER, W. S.; MASON, D. K. (1987a). Exercise-induced Pulmonary Haemorrhage in the horse: Results of a Detailed Clinical Post Mortem and imaging study I. Clinical Profile of Horses. Equine Vet.J., 19(5): 384-388.

PASCOE, J. 2000. Text reprinted with permission from proceeding of the American Association of Equine Practitioners. XI Congreso Nacional de Medicina Veterinaria. Anais… Santiago de Chile.

PASCOE, J.R. (1983). Exercise-Induced Pulmonary Hemorrhage. In: ROBINSON, N.E. Currente Therapy in Equine Medicine. Philadelphia, W. B. Saunders, p. 516-519.

PASCOE, J. R. Exercise-induced pulmonary hemorrhage: a unifying concept. Proceedings of the Annual Convention American Association of Equine Practitioners, v. 42, p. 220-226, 1996.

PASCOE, J. R. Exercise induced pulmonary hemorrhage, In: Beech, J. Equine Resp. Disorder. Ed. Lea and Febiger, Pennsylvania, USA. 1991.

PASCOE, J. R.; FERRARO G. L.; CANNON, J. H.; ARTHUR,D. V. M.; WHEAT, D. V. M. Exercise-induced pulmonary hemorrhage in racing Thoroughbreds; a preliminary study. American Journal of Veterinary Research, v.42, p. 703-707, 1981.

PASCOE, J. R.; RAPHAEL, C. F. Pulmonary hemorrhage in exercising horses. Compendium of Continuing Education for the Practicing Veterinarian Supplied, v.4, pS411-S416, 1982.

PIOTTO JR, S. B. Hemorragia pulmonar induzida por esforço. Revista Brasileira de Medicina Veterinária + Equina, ano 1, n.3 – janeiro/fevereiro, p.22- 25, 2006.

POOLE, D.C; KINDIG, C. A.; FENTON, G.; FERGUSON, L.; RUSH, B. R.; ERICKSON, H. H. Effects of external nasal support on pulmonary gas exchange and EIPH in the horse. Journal of Equine Veterinary Science, v. 20, n. 9, p. 578-585, 2000.

ROBINSON, N. E. Functional abnormalities caused by upper airway obstruction and heaves: their relationship to the etiology of epistaxis. Vet. Clin. North Am. Large Animal Pract., v.1, p.17-34, 1979.

SOMA, L. R.; BIRKS, E. R.; UBOH, C. E.; MAY, L.; TELEIS, D.; MARTINI, J. The effects of furosemide on Racine time of Standardbred pacers. Equine Vet. J. v.32, p.334-340, 2000.

SWEENEY, C. R.; BEECH, J. Bronchoalveolar Lavage. In: BEECH, J. Equine Respiratory Disorderas. Philadelphia: Lea & feliger, 1991. p. 41- 53.

THOMASSIAN, A. Afecções do Aparelho Respiratório. In: THOMASSIAN, A. Enfermidades dos cavalos. São Paulo. 4. ed. Varela, 2005. 206-207 p.

WEST, J.; MATHIEW-COSTELLO, O. Stress Failure of Pulmonary Capillaries as a mechanism for exercise induced pulmonar hemorrhage in the horse. Equine Vet. J. v.26, p.441-447, 1994.

Posts relacionados

Exame para diagnóstico de claudicação

Redação InfoEquestre

Pneumonias e Pleuropneumonia em Equinos – Revisão de Literatura

Redação InfoEquestre

Obstrução Esofágica

hugo garcia da silveira 16996446886

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Aceitar Mais

error: Conteúdo protegido !!