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Comportamento Reprodutivo de Equinos

Comportamento Reprodutivo de Equinos

Comportamento Reprodutivo de Equinos 1  

Comportamento Reprodutivo de Equinos. Cativeiro x Vida Selvagem 

Os cavalos são animais que vivem em bando e se organizam em verdadeiros haréns, assim, desempenham papeis complementares entre si. Garanhões se aprimoram a todo tempo para protegerem seus haréns, enquanto a fêmea mais experiente lidera o grupo em busca do melhor abrigo, alimentação e fonte de água, porém estes grupos também podem ser liderados por garanhões, embora, sua função principal seja a vigia e a reprodução Desta forma, observa-se em natureza a capacidade de se relacionarem mutuamente entre os sexos, onde não se baseiam na autoridade, nota-se então, uma verdadeira organização “social” entre eles, onde, apenas os machos maduros e prontos sexualmente farão a cobertura nas éguas, já os mais jovens costumam se unir em pequenos grupos instáveis de machos solteiros.

Dentre as inúmeras organizações sociais que os cavalos podem apresentar em vida selvagem, os haréns são as mais comumente vistas. Nesta organização, as fêmeas mais velhas tendem a dominar as mais jovens e demonstram mais acessibilidade ao garanhão, fato que explica o motivo pelo qual a taxa de cobertura é maior em fêmeas mais velhas. Porém esta hierarquia pode ser alterada, caso ocorra morte ou afastamento de algum membro do grupo, gerando estresse, que pode atrapalhar a fertilidade do garanhão, bem como a presença de um inimigo. Tendo em vista os motivos que levam a queda de fertilidade em natureza, correlaciona-se facilmente o estresse também ao cativeiro, onde alguns autores defendem que o bom manejo é crucial para o bom desenvolvimento reprodutivo do garanhão, pois observa-se que garanhões mais isolados, que vivem sozinhos em cocheiras acabam sem aprender nada ou bem pouco sobre cortejar as éguas e a interação que ocorre antes da monta. É importante salientar que, a forma como esses garanhões são conduzidos também pode interferir negativamente no momento da monta, lembrando que uma interação sexual ruim, leva o garanhão a ter um baixo interesse reprodutivo, além de agressividade com a égua e pessoas próximas.

 

Em vida livre, as interações sexuais começam a ocorrer mais acentuadas no período anterior ao Estro, logo as éguas caminham mais próximas ao macho, lateralizam a cauda, e urinam mais, assim os machos interagem com as fêmeas e cheiram sua urina por dias, até que chegue o momento do Estro, onde as éguas podem rejeitar os machos apenas no começo, se tornando mais receptivas no momento da ovulação. Na sequência, adquirem uma postura de ameaça, relincham, mordem, porém os garanhões reagem ao período do cio das éguas, com galopes, mordendo a crina, flanco e paletas basicamente, mas os atos que caracterizarão o momento que antecede a monta, são realizados pelas éguas que, erguem a cauda, expõem o clitóris, afastam os membros posteriores, mostrando receptividade aos machos, urinando repetitivamente. O macho “responde” os estímulos da Fêmea dando leves mordidas que podem ir da cabeça ao flanco, área inguinal e perineal, executando o reflexo de flehmen. O Garanhão consegue a monta quando empina, porém montas sem ereção são vistas facilmente no momento do cortejo. Lembrando que para todas estas alterações acontecerem, é importante saber, que as éguas são poliestricas estacionais e dependem de dias mais longos, que ocorrem na primavera e no verão, para então iniciarem seu ciclo estral, que dura em média 21 dias dentro destas estações do ano, podendo ocorrer variações de acordo com a região que habitam e variações climáticas. ( animais de vida livre )

Algumas pesquisas afirmam que alterações comportamentais devido a falta de interação, ausência de rufiação, além de pouca investigação olfatória de urina e fezes, os garanhões de monta assistida, podem adquirir sucesso reprodutivo apenas por já estarem condicionados na situação imposta, e que infelizmente encontram-se muito distantes de seus comportamentos naturais.

 

Autora: Lílian Helen Vidal Pires/ CRMV-RJ 13684

Médica Veterinária formada pela Universidade Castelo Branco em 2015/2. Atuante em clínica médica de equinos, em estabelecimento localizado dentro da Sociedade Hípica Brasileira – RJ.

Terapia com florais de Bach.

Estudiosa e pesquisadora do bem – estar  e comportamento equino

Pós graduanda em Acupuntura Veterinária pelo Instituto Bioethicus – Botucatu/SP

E-mail: [email protected]

Referencias Bibliográficas:

FREITAS, C.C.de., MATTOS, C.C. Aspectos do comportamento reprodutivo na monta natural de equinos da raça crioula. http//hdl.handle.net/10183/5759. Acesso em 16/08/17 às 20h.

KLINGEL, H. Social organization of feral horses. J. Reprod. Fertil., Suppl 32,89-95.

1982.

Mc.CORT, W.D.Behaviorof feral horse and ponies. J. Anim.Sci.58: 2.493-499.1984.

McDONNEL, S.M. Normal and abnormal sexual behavior. In: Blanchard, T.L., Vaner, D.D. (eds.), Stallion Management. Vet. North Am. Equine Pract. 8, 71-89.

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