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Coprofagia. Por que Isso Acontece?

Coprofagia. Por que Isso Acontece? 1

A domesticação dos equinos ocasionou mudanças no manejo geral destes animais. Devido ao distanciamento de hábitos naturais os cavalos foram desenvolvendo os tão temidos movimentos repetitivos, conhecidos como estereotipias comportamentais, ou popularmente como vicio de cocheira, indicando problemas relacionados ao bem – estar equino, além de enfermidades que ocorrem como consequência das repetições e prejuízos para criação.

A coprofagia é um das estereotipias orais comumente vistas nas criações de equinos. Trata-se do ato, onde o animal come fezes, conhecida como uma estereotipia comportamental exercida principalmente por cavalos encocheirados, podendo ser vista como um comportamento adaptativo, se tratando de animais bem jovens, pois potrinhos com  até aproximadamente 2 meses de idade podem ingerir as fezes de suas mães, com o objetivo de compor sua própria flora bacteriana e sanar deficiências minerais e de vitaminas. Porém cavalos adultos podem adquirir o comportamento indesejado devido ao tédio do encocheiramento excessivo, baixa oferta de volumoso e grande consumo de grãos, ou até mesmo na tentativa de remover sujidades excessivas dentro da cocheira.  Nota-se que animais alimentados com feno, por exemplo passam mais tempo comendo o alimento, o que resulta na diminuição do tempo ocioso utilizado comer fezes ou praticar outras estereotipias comportamentais, (principalmente estereotipias orais) do que animais alimentados com concentrado.

É importante salientar que alguns estudos comprovam diminuição significativa no ato de comer fezes em criações onde a cama do animal é limpa inúmeras vezes durante o dia.
Diante de tantas possíveis causas, diagnosticar a origem deste comportamento para solucionar o problema de forma correta é muito importante (exceto potrinhos bem jovens, como mencionado anteriormente). Lembrando que além de interferir no bem-estar do animal esse comportamento também pode levar a contaminação ou recontaminação por vermes do trato gastrointestinal, embora alguns autores relatem que parasitismos intestinais intensos também podem levar a coprofagia, por isso muita atenção para as datas de vermifugação e bases farmacológicas utilizadas.

 

Lílian Helen Vidal Pires/ CRMV-RJ 13684

Médica Veterinária formada pela Universidade Castelo Branco em 2015/2. Atuante em clínica médica de equinos, em estabelecimento localizado dentro da Sociedade Hípica Brasileira – RJ.

Estudiosa e pesquisadora do bem – estar  e comportamento equino

Pós graduanda em Acupuntura Veterinária pelo instituto Bioethicus – Botucatu/SP

E-mail: [email protected]

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