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Deformidades Flexurais Em Potros. Saiba Mais.

Deformidades Flexurais Em Potros. Saiba Mais. 1

Deformidade flexural é o nome dado aos casos em que se observa restrição de uma articulação em posição flexionada ou a inabilidade de estendê-la completamente. Ou seja, essa condição é caracterizada pelo desvio da orientação normal do membro, detectada pela constante hiperflexão de uma ou mais regiões articulares. Acomete frequentemente regiões distais do membro, sendo as articulações interfalangeanas, metacarpo/metatarsofalangeana e a articulação carpal as principais envolvidas.

As deformidades flexurais podem atingir um ou mais membros e em formas mais severas da doença outras articulações podem ser comprometidas, como a articulação do pescoço e da cabeça. Essas deformidades são classificadas em leves, moderadas e severas, e divididas ainda em congênitas ou adquiridas. Esporadicamente ocorrem lesões por hiperextensão, já que, as lesões mais comuns são aquelas de hiperflexão.

A forma congênita tem sido associada à diversos fatores, dentre eles, mal posicionamento intrauterino, ingestão de toxinas teratogênicas pela égua, agentes infecciosos durante a prenhez, alterações neuromusculares, defeitos na formação de elastina, problemas relacionados à aderência das fibras de colágeno, entre outros.  Em casos mais leves os potros permanecem em estação, porém o boleto é projetado dorsalmente, já em casos mais graves da deformidade, o animal pode chegar a caminhar sobre a superfície dorsal da articulação.

Os fatores envolvidos na forma adquirida podem incluir nutrição inadequada, traumas e poliartrite infecciosa. O desenvolvimento dessa alteração pode estar, muitas vezes, relacionado à dor. Qualquer manifestação de dor em um membro irá desencadear o reflexo de flexão para a retirada do membro do solo, resultando em contração dos músculos flexores e posição alterada da articulação. Além desses fatores, os potros mantidos presos por longos períodos, que não se exercitam e não se alongam também podem desenvolver essa deformidade. Com o progresso da alteração e o ângulo entre a parede dorsal e o chão passando de 90 graus, os talões e a ranilha já não encostam mais no chão. Essa deformidade é dividida em estágio I quando a superfície dorsal do casco não ultrapassa a linha vertical, e quando isso ocorre, a deformidade classifica-se como estágio II, o que, em alguns casos, faz com que o animal ande sobre a superfície dorsal do casco.

O tratamento clínico baseia-se na associação de mudanças de manejo, uso de medicamentos, casqueamento e ferrageamento corretivos, imobilização, e fisioterapia. Em alguns casos, a intervenção cirúrgica é indicada para resolução do problema.

Quaisquer alterações dolorosas em equinos em desenvolvimento devem ser imediatamente diagnosticadas e tratadas, evitando, assim, o sofrimento do animal e favorecendo o crescimento saudável e o futuro do animal, de acordo com a atividade em que será destinado.

Texto por: Daiane Schroeder – Médica Veterinária CRMV/SC 7303 – Rio Negrinho/SC.

Edição e Revisão: Deivisson Ferreira Aguiar – Médico Veterinário CRMV/ES 1569 – Muniz Freire/ES

REFERÊNCIA

MOLNAR, Bruna F. P. DEFORMIDADES FLEXURAIS CONGÊNITAS E ADQUIRIDAS EM POTROS. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2010. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/38720>. Acesso em 14 de junho de 2016.

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