Info Equestre
Clínica Edição 3° Ano 2018

Doença Emergente dos Equinos. Preocupação dos proprietários

Doença Emergente dos Equinos

v . 3 , n. 6 (2018)

Doenças emergentes são aquelas cuja incidência de casos aumentou nos últimos tempos. No caso dos equinos, as doenças emergentes são: Mormo, encefalite equina e influenza equina.

O mormo é uma doença infectocontagiosa causada pela bactéria gram-negativa encapsulada do gênero Burkholderia mallei que acometem os equídeos, ao homem e também a outros animais. O principal meio de contaminação se dá pela ingestão de alimentos e águas contaminadas, no entanto, também podem ser vias de infecção a inalação do microrganismo através de fômites, o agente cai na circulação sanguínea e depois alcança os órgãos, principalmente pulmões e fígado.
Em equídeos, os sinais clínicos podem ser divididos em três categorias: nasal, pulmonar e cutânea. Na forma nasal, há o aparecimento de úlceras profundas e nódulos dentro das cavidades nasais, resultando numa espessa descarga purulenta de cor amarelada que pode ser unilateral ou bilateral e se tornar sanguinolenta (SILVA, 2008). Na forma pulmonar, são encontrados nódulos e abscessos nos pulmões, com presença de sinais respiratórios que variam de ligeira dispneia à doença respiratória grave, incluindo tosse, episódios febris de até 42ºC e debilitação progressiva (SANTOS, 2006). E, por último, na forma cutânea aparecem nódulos na pele que se rompem e formam úlceras, descarregando exsudato oleoso-purulento de coloração amarelada. Os vasos linfáticos regionais e os linfonodos tornam-se aumentados de volume, devido a presença do exsudato, ocorrendo geralmente nos membros posteriores que pode levar a um inchaço nas articulações e edema dolorido, que pode acometer todo o membro (SANTOS, 2006; SILVA, 2008).
O diagnostico para essa patologia é feito a partir de exames sorológicos como o ELISA e PCR. Oficialmente, no Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento indica somente a realização dos testes de Fixação do Complemento (FC) e maleinização, tais testes sorológicos podem apresentar resultados ambíguos no prazo de seis semanas após a realização do teste da maleína (MAPA,2015). Não existe tratamento recomendado para esta enfermidade, como também não existe vacina como método de prevenção, fazendo com que sejam primordiais medidas profiláticas, sendo elas: a eutanásia dos animais positivos, limpeza do ambiente com desinfetantes eficazes contra a bactéria e queimação ou enterro dos materiais contaminados.

A encefalite é uma doença infectocontagiosa que acomete o sistema nervoso dos hospedeiros, sendo um deles o equino. Tal enfermidade é causada por vírus da família Togaviridae, gênero Alphavirus, o qual ela vai acontecer pela inoculação deste agente pela picada do mosquito vetor. Em seguida, o vírus se replica em tecidos próximos ao local de inoculação e nos linfonodos regionais, produzindo viremia. Posteriormente, ele consegue chegar à corrente sanguínea e a partir desta o vírus pode invadir o cérebro por transporte passivo através do endotélio vascular, replicação nas células endoteliais, infecção do plexo coroide e epêndima, ou também sendo transportado no interior de monócitos e linfócitos. O vírus pode se replicar no trato respiratório superior, pâncreas e fígado, e também nos órgãos linfoides (FLORES, 2007).
Os animais infectados podem apresentar: conjuntivite, febre; alterações de reflexo; andar em círculo; movimentos de pedalagem; paralisia e morte.
Entre as técnicas de diagnóstico laboratorial para as encefalites, pode ser feita a identificação viral por meio de teste de neutralização por redução de placas, fixação de complemento e imunofluorescência direta ou indireta (KOTAIT, 2008). A prevenção contra essa enfermidade é realizada com o uso de vacinas, que são recomendadas a partir do terceiro mês, com revacinação semestral. Ademais, outra medida profilática seria o controle do vetor, adotando medidas como eliminação de água parada e criadouros dos mosquitos.

A influenza equina, ou gripe equina, é uma enfermidade que afeta as vias aéreas superiores de equídeos, é causada pelo Vírus da Influenza Equina (Equine Influenzavirus – EIV), pertencente à família Orthomyxoviridade, gênero Influenzavirus A.
Esta patologia acomete equinos de todas as idades, principalmente aqueles que não tenham sofrido exposição prévia ao agente ou que não tenham sido vacinados. Além disso, a enfermidade ocorre com maior frequência em animais que são transportados por longas distâncias ou confinados em locais pouco ventilados.
A transmissão se dá por aerossóis, secreções, água e alimento contaminados e por contato direto. Após a entrada do vírus pela via aerógena, ocorre a replicação principalmente no epitélio do trato respiratório superior, produzindo sinais respiratórios.
Os sinais clínicos incluem febre; tosse paroxística e descarga nasal serosa, podendo evoluir para descarga muco purulenta; linfadenopatia; taquipnéia; anorexia; perda de peso e, em animais imunocomprometidos, complicações como miocardite, miosite ou mesmo encefalite podem se desenvolver.
O diagnóstico clínico baseia-se nos sinais clínicos e comprovação com testes laboratoriais, que são recomendados para diferenciar influenza equina de infecções por outros vírus, no qual se utiliza técnicas como isolamento viral, ensaio imunoenzimático (ELISA), imunofluorescência direta, reação em cadeia pela polimerase com transcriptase reversa (RT-PCR) ou PCR em tempo real.

Referências:
BRASIL. MAPA. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Situação do Mormo no Brasil Disponível em < http://www.agricultura.gov.br/assuntos/camaras-setoriais-tematicas/documentos/camaras-setoriais/equideocultura/anosanteriores/situacao-do-mormo-brasil>. 2015. Acessado em 01 maio de 2018.
FONSECA, R.D. et al. Garrotilho e mormo em equídeos – Revisão de literatura. Disponível em: <http://www.pubvet.com.br/uploads/2330d0ed392557889636c7d69eb6ce3f.pdf>. Acesso em: 08 abr. 2018.
GALHARDO, J.A., MENEZES, D.C., OLIVEIRA, N.G. Influenza equina: revisão de literatura. Disponível em: <http://www.pubvet.com.br/uploads/1654bae56be15310879e157691553787.pdf>. Acesso em: 08 abr. 2018.
JOHANN, M., SPEROTTO, V.R. ENCEFALITES EQUINAS DE ORIGEM VIRAL: REVISÃO DE LITERATURA. Disponível em: <https://home.unicruz.edu.br/seminario/downloads/anais/ccs/encefalites equinas de origem viral revisao de literatura.pdf>. Acesso em: 08 abr. 2018.
KOTAIT, I. ITO, F. CARRIERI, M.L. DE SOUZA, et al. Programa de vigilância de zoonoses e manejo de eqüídeos do estado de São Paulo – Módulo II: principais zoonoses virais de eqüídeos e vigilância epidemiológica em unidades municipais. Boletim epidemiológico Paulista São Paulo. Vol. 5 Nº 54. Junho, 2008.
LEOPOLDINO, D.C.C., OLIVEIRA, R.C., ZAPPA, V. MORMO EM EQUINOS. São Paulo: Revista científica eletrônica de Medicina veterinária, jan. 2009. Semestral. Disponível em: <http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/nx84WKidH1wD4Os_2013-6-21-11-56-24.pdf>. Acesso em: 08 abr. 2018.

Maria Clara Silva de Miranda
Universidade Potiguar, Natal-RN

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