Info Equestre
Edição 5º Ano 2020 Relato de Caso

Artrite Séptica Pós-Trauma em Equinos – Relato de Caso

Artrite Séptica Pós-Trauma em Equinos - Relato de Caso 1
V.5, Ed.1, N.202(2020)

ARTRITE SÉPTICA PÓS-TRAUMA EM EQUINO – RELATO DE CASO

Autores: Larissa Queiroz De Souza – (Universidade Federal Do Recôncavo Da Bahia – UFRB);

Coautores: Camila de J. Oliveira (Hospital de Equinos – Clinilab), Carla Damiana L. Bispo (UFRB), Cicely Maria F. Fontes (Bioequus), Luiz Eduardo Leite (Clinilab), Monise P. De O. Almeida (UFRB), Tamires Almeida (Clinilab) e João Vitor P. Careta (Clinilab).

RESUMO

Artrite é o termo usado para definir um processo inflamatório que atinge as articulações, podendo ocorrer de três formas, por via hematógena, por trauma local ou por via iatrogênica. No presente relato um equino desenvolveu artrite séptica após uma lesão traumática na região do boleto do membro torácico direto.

Para resolução do caso, foram utilizados métodos diagnósticos, como a avaliação do líquido sinovial, radiografia, cultura e antibiograma. E como tratamento fez-se o uso da lavagem articular, perfusão regional e antibióticos sistêmicos. Por fim, é possível concluir que o tratamento foi eficaz na cura da artrite séptica, sendo essa uma afecção ortopédica que se não diagnosticada e tratada de forma rápida e correta pode pôr em risco a carreira atleta do animal.

PALAVRAS-CHAVE: líquido sinovial; perfusão regional; lavagem articular; ozonioterapia.

ABSTRACT

Arthritis is the term used to define an inflammatory process that affects the joint,
it can occur in three ways, by hematogenic route, by local trauma or by iatrogenic route. In the present report an equine developed septic arthritis after a traumatic injury in the billet region of the direct thoracic limb. To solve the case, diagnostic methods were used, such as evaluation of synovial fluid, radiography, culture and antibiogram. As treatment, joint washing, regional perfusion and systemic antibiotics were used. Finally, it is possible to obtain that the treatment was effective in curing septic arthritis, which is an orthopedic condition that, if not diagnosed and treated quickly and correctly, can jeopardize the athlete’s career.

KEY-WORDS: synovial fluid; regional infusion; joint wash; ozone therapy.

Artrite Séptica Pós-Trauma em Equinos - Relato de Caso 11

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INTRODUÇÃO

Artrite é um termo genérico utilizado para definir basicamente, todo e qualquer processo inflamatório que atinge as articulações (THOMASSIAM, 2005). A artrite infecciosa ou séptica é o problema mais grave observado na articulação de equinos. Pode ocorrer de três formas, por via hematógena, por trauma local ou por via iatrogênica através de injeção articular (STASHAK, 2006).

O trauma direto é uma das causas de artrite séptica mais comum em animais adultos. Essa infecção pode desencadear a degradação da cartilagem articular de maneira bastante rápida. E com isso, o animal apresenta sinais clínicos como claudicação intensa, edema e muita dor à manipulação (STASHAK, 2006). Com isso, o objetivo desse trabalho é relatar o caso de um equino que desenvolveu artrite séptica após uma lesão traumática, dando ênfase aos métodos diagnósticos e terapêuticos adotados no caso.

RELATO DE CASO

Um equino da raça Mangalarga Machador, com 5 anos de idade e pesando 450 kg foi atendido com queixa principal de ferida no membro torácico direito na região da articulação metacarpofalangeana. De acordo com o relato do proprietário, o animal sofreu um acidente dentro da baia, um dia antes do primeiro atendimento.

No exame físico especial do sistema locomotor foi constatado claudicação de grau 3, e várias escoriações no membro. No protocolo inicial, foi usado Maxicam® 2% na dose 0,6mg/kg e Ceftiofur na dose 2,2mg/kg por via intramuscular durante 7 dias, na tentativa de controlar a inflamação e infecção, além da administração do soro antitetânico e da limpeza local das feridas com antissépticos, fazendo curativos com bandagens fechadas.

Como o quadro clinico não progrediu, após uma semana o animal foi reavaliado e diagnosticado com artrite séptica, sendo então encaminhado para um hospital particular especializado em equinos. O animal ficou internado e durante o período foi feita avaliação do liquido sinovial, com resultado da contagem de 28.000 leucócitos, confirmando uma infecção aguda. Uma radiografia do membro também foi feita, e constatou fratura completa no osso sesamóide proximal medial (Figura 1), com fragmento instalado no tecido, que foi retirado logo em seguida de forma cirúrgica.

 

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Figura 1: Radiografia da região do boleto do membro torácico direto, com evidências de fratura completa no osso sesamóide proximal medial.

O protocolo adotado foi lavagem articular com Amicacina 10mg/kg e soro ozonizado, além do bag de ozônio na ferida externa. O ozônio tem propriedades bactericidas, anti-inflamatórias e analgésicas, justificando seu uso nesse caso. Também foi feito perfusão regional com Gentamicina 6,6mg/kg, em dias alternados e intercalando os procedimentos, afim de controlar a infecção bacteriana instalada.

Para controle de dor usou-se a Fenilbutazona 2,2mg/kg por via intravenosa nos 5 primeiros dias e o Maxicam® 2% 0,6mg/kg IM durante 20 dias. Para proteção gástrica institui-se leite de magnésia Phillips® 0,5ml/kg e omeprazol 5mg/kg por via oral, durante todo período de tratamento.

Visto que o quadro não evoluía positivamente, foi solicitado uma cultura com antibiograma, feita através de um swab da articulação metacarpofalangeana. O resultado foi positivo para pseudomonas sp., bactéria gram negativa. No antibiograma constatou-se resistência a maioria dos antibióticos, sendo sensível apenas a Ciprofloxacina. Logo, mudou-se os antibióticos que estavam sendo usados, passando para a Ciprofloxacina 2,5mg/kg, via oral, e a lavagem articular passou a ser apenas com soro ozonizado.

A evolução da ferida foi positiva (Figura 2), e a infecção foi controlada. Porém, devido a posição antálgica adotada pelo animal, com apoio intenso no membro contralateral esquerdo, levou o desenvolvimento de uma laminite.

 

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Figura 2: Ferida com evolução positiva na cicatrização. Animal em baia de areia e com tamancos de madeira para tratamento da laminite.

 

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

Segundo Stashak (2006), a análise do líquido sinovial é um método de auxilio diagnostico significativo, pois permite um diagnostico definitivo no caso. Assim, justifica-se a realização da técnica no caso relatado, com resultado no aumento de leucócitos, demonstrando uma infecção.

A cultura e o antibiograma é uma parte considerável quando se inicia um tratamento de artrite séptica, pois direciona o protocolo que será estabelecido para melhora do animal, porém recomenda-se que esquemas de tratamento com antibióticos de largo espectro sejam usados antes dos resultados de cultura e antibiograma (STASHAK, 2006). No caso relato essas técnicas feitas foram essenciais para controle e regressão da infecção com o uso de antibióticos corretos.

É possível concluir que o tratamento foi eficaz na cura da artrite séptica, sendo essa uma afecção ortopédica que se não diagnosticada e tratada de forma rápida e correta pode pôr em risco a carreira atleta do animal. Tendo impacto direto nas perdas econômicas. Além disso, é importante destacar os variados métodos diagnóstico e terapêuticos, como a avaliação do liquido sinovial, radiografia, lavagem articular, perfusão regional e ozonioterapia que podem ser usados nesses casos, auxiliando para um tratamento efetivo.

REFERÊNCIAS

STASHAK, T. S. Claudicação em equinos segundo Adams. Roca Ltd, 2006, 2 ed., 1093 p.

THOMASSIAN, A. Enfermidades dos cavalos. Varela, 2005, 4 ed. 537 p.

 

 

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