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Edição 5º Ano 2020 Notícias

Os Cinco Desencadeadores Mais Comum de Reação Alérgica em Cavalos

Os Cinco Desencadeadores Mais Comum de Reação Alérgica em Cavalos 1
V.5, Ed.1, N.197(2020)

GUIA DE CAMPO: OS CINCO DESENCADEADORES MAIS COMUNS DE REAÇÕES ALÉRGICAS EM CAVALOS

FIELD GUIDE: THE FIVE MOST COMMON TRIGGERS OF ALLERGIC REACTIONS IN HORSES

 

Autora: Heather Smith THOMAS
Traduzido e Adaptado por:
SPERANDIO, L. M.S.¹

¹Residente na área de clínica médica e cirúrgica de grandes animais na Universidade Federal do Matogrosso do Sul (UFMS/FAMEZ). *[email protected].

 

RESUMO: As reações alérgicas fazem parte da vida de alguns cavalos. Elas ocorrem quando, o sistema imunológico do animal torna-se hipersensibilizado a uma determinada substância. Por isso que é importante aprender as causas mais comuns das reações alérgicas, os sinais que elas produzem e os tratamentos mais eficazes. Os cinco desencadeadores mais comuns de reações alérgicas em cavalos são: Picadas de insetos; agentes aerotransportados; por contato; alergias alimentares; e por medicamentos, vermífugos e vacinas.

Palavras-chave: Hipersensibilidade, alérgenos, dermatite atópica.

ABSTRACT: Allergic reactions are part of the life of some horses. They occur when the animal’s immune system becomes hypersensitive to a particular substance. That is why it is important to learn the most common causes of allergic reactions, the signs they produce and the most effective treatments. The five most common triggers of allergic reactions in horses are: Insect bites; airborne agents; by contact; food allergies; and for medicines, deworming and vaccines.

Keywords: Hypersensitivity, allergens, atopic dermatitis.

Introdução

As reações alérgicas fazem parte da vida de alguns cavalos. Por razões que não são totalmente compreendidas, elas ocorrem quando, o sistema imunológico de um cavalo torna-se hipersensibilizado a substâncias, chamados de alérgenos, que normalmente não causam graves danos.

Quando isso ocorre, a reação imunológica fica fora de controle. É produzida uma grande quantidade de anticorpos que, por sua vez, estimulam a liberação de prostaglandinas, histaminas e outras substâncias. Uma vez que um cavalo tenha uma reação alérgica a uma substância, cada exposição subsequente tende a aumentar a gravidade da resposta de seu corpo.

Externamente, as manifestações dessa reação fisiológica costumam ser vistos na pele e no sistema respiratório. A dermatite atópica, geralmente causa prurido e / ou urticária, alopecia irregular, aumento de volume e também crostas.

Já no sistema respiratório, ocorre obstrução recorrente das vias aéreas (ORVA). Inicialmente, pode apresentar uma tosse leve e intolerância aos exercícios, mas à medida que a condição avança o cavalo geralmente tosse com mais frequência, e apresenta dispneia mesmo quando está parado.

 

Discussão

As alergias não são muito comuns em cavalos, mas quando ocorre, a intervenção precoce pode ajudar a evitar que o problema se torne maior. É por isso que é importante aprender as causas mais comuns das reações alérgicas, os sinais que elas produzem e os tratamentos mais eficazes. Os cinco desencadeadores mais comuns de reações alérgicas em cavalos são:

  1. Picadas de insetos

A hipersensibilidade causada por picadas de insetos é a alergia mais comum em equinos.  A deposição de componentes proteicos provenientes da saliva desses artrópodes na pele do hospedeiro durante o repasto sanguíneo estimula a produção de imunoglobulinas E (IgE) por plasmócitos e desencadeia uma resposta imunológica específica (Tizard, 2002). Os Culicoides spp fazem parte dos principais causadores dessa reação.

Dentro das manifestações clínicas encontra-se: prurido intenso, que às vezes resulta em manchas sem pelos e pele inflamada e com crostas. As áreas afetadas por alergias cutâneas dependem de quais insetos instigam o problema. Porém, são mais frequentes lesões à base da cauda, garupa, ao longo do dorso, cernelha, crina, cabeça, orelhas e menos comumente, linha média ventral (RADOSTITS et al., 2002).

As pomadas tópicas com anti-inflamatório esteroide ou um condicionador sem enxágue de hidrocortisona podem reduzir o prurido. Em alguns casos, os anti-histamínicos ajudam. Corticosteroides orais de curta ação, como a prednisona ou prednisolona também são indicados (SMITH, 2015).

Para o controle / proteção contra insetos nos cavalo podem ser usados repelentes e / ou inseticidas. Produtos a base de permetrina são recomendados, mas para ser um repelente, deve haver pelo menos 2% de permetrina. Telas de malha fina ajudam manter esses insetos fora das baias dos equinos.

Equino com reação alérgica cutânea devido à picada de insetos. Arquivo pessoal.
Equino com reação alérgica cutânea devido à picada de insetos.
Arquivo pessoal.

 

  1. Agentes aerotransportados

Os cavalos podem desenvolver sensibilidade a fungos, poeira, pólen e outros alérgenos transportados pelo ar.

As alergias ambientais estimulam reações respiratórias ou cutâneas. A maioria dos cavalos apresenta um ou outro, mas não os dois ao mesmo tempo. As reações cutâneas geralmente aparecem na cabeça, membros e corpo e podem ou não causar prurido. Os sinais podem ser sazonais ou persistir o ano todo.

As alergias respiratórias tendem a produzir secreção nasal, tosse e dispneia. Outros sinais inespecíficos de sensibilidade ambiental incluem olhos lacrimejantes, mal-estar geral e tremores de cabeça.

É impossível eliminar a maioria dos alérgenos ambientais da vida de um cavalo, por isso é importante tomar medidas para minimizar sua exposição a eles. Podem-se realizar estratégias de manejo para mantê-los longe do ambiente que agrava a condição.

O feno deve-se oferecido livre de poeiras e bolores, fornecendo-o no solo para que as partículas inaladas caiam para baixo diminuindo o contato com as vias respiratórias. Molhar o feno antes da alimentação também minimiza a poeira. Se as alergias respiratórias de um cavalo forem agravadas pelo pólen das pastagens de verão, ele se beneficiará em ser mantido em uma baia bem ventilado durante essa temporada.

  1. Contato

Xampus, sprays repelentes, bacheiros, sela e bandagens, tem o potencial de desencadear reações alérgicas na pele. As alergias de contato produzem sinais típicos de dermatite atópica, mas o fator distintivo é que as lesões aparecem apenas na área do corpo onde o alérgeno entrou em contato.

A solução mais básica para as alergias de contato é identificar a origem da reação e parar de usá-la nos cavalos. Depois de identificar a origem do problema, verifique o rótulo e compre um substituto com ingredientes ativos diferentes. Os produtos hipoalergênicos e aqueles formulados para cavalos com pele sensível estão disponíveis em muitas categorias.

Como medida preventiva, tenha como prática experimentar qualquer novo produto em apenas uma pequena parte do corpo do cavalo primeiro. Se a pele ainda parecer normal após 24 horas, o produto deve ser seguro para uso em qualquer lugar no animal. Corticosteroides e / ou anti-histamínicos podem ajudar a manter o cavalo confortável até que os sinais desapareçam.

  1. Alergias alimentares

Isso não acontece com frequência, mas os cavalos podem desenvolver sensibilidade a alimentos naturais, como gramíneas ou grãos, bem como aditivos em rações processadas ou suplementos. O principal sinal de uma alergia alimentar é a urticária, com ou sem prurido, que cobre o corpo. Outros sinais de dermatite atópica também podem estar presentes. Uma vez identificada à fonte da alergia, elimine esse produto ou forragem da dieta do cavalo. Nenhum outro tratamento é eficaz.

  1. Medicamentos, vermífugos e vacinas

As verdadeiras reações alérgicas a medicamentos ou vacinas são raras, mas em alguns casos as consequências podem ser fatais.

Normalmente, um cavalo alérgico apresenta aumento de volume localizado no local da injeção e, possivelmente, um surto de urticária por todo o corpo. Em casos raros, entretanto, um cavalo pode desenvolver anafilaxia, uma reação de choque sistêmica. Isso geralmente ocorre repentinamente, logo após a administração do medicamento ou agente, e o cavalo pode morrer sem tratamento veterinário imediato.

Qualquer medicamento pode causar erupção medicamentosa, mas os compostos mais frequentemente incriminados incluem agentes antibacterianos (especialmente penicilinas semissintéticas e as sulfas), tranquilizantes fenotiazínicos, AINEs e antipiréticos (especialmente fenilbutazona), anestésicos locais e anticonvulsivantes.

Em geral, quanto mais recentemente um medicamento foi administrado, mais provável pode ser a causa de uma doença de pele. O clínico deve tentar determinar uma associação temporal entre a administração do medicamento e a reação alérgica (SMITH, 2015).

As reações à penicilina frequentemente resultam em morte imediata. Isso é muito raro. Mais comumente, um cavalo tem uma reação à penicilina procaína intramuscular porque parte dessa acabou em um vaso sanguíneo.

Isso faz com que o cavalo reaja de forma incontrolável, galope, gire em círculos, escale as paredes de uma baia. Não há nada que possa fazer. As reações à procaína não são reações alérgicas, e esses cavalos não são mais propensos a ter uma segunda reação à procaína do que qualquer outro cavalo.

O diagnóstico é baseado na suspeita clínica associada a um histórico de administração de medicamentos e na exclusão de outras causas possíveis. Em um caso suspeito, todos os medicamentos devem ser interrompidos.

A administração de corticosteroides pode fornecer algum alívio, mas as erupções medicamentosas respondem de forma variável aos corticosteroides. A exposição futura a quaisquer compostos implicados e substâncias quimicamente relacionadas deve ser evitada (SMITH, 2015).

A administração de anti-histamínicos e / ou antiinflamatórios junto com a vacina também pode reduzir a gravidade de uma reação alérgica.

Conclusão

Quando ocorrem as alergias nos equinos é importante à intervenção precoce para evitar que o problema se torne maior. É por isso que é importante aprender as causas mais comuns das reações alérgicas, as suas manifestações clínicas, para assim, poder ter sucesso no tratamento, dando o mais rápido possível o conforto para o animal.

Referências

RADOSTITS, O. M. et al.; Clínica Veterinária – Um Tratado de Doenças dos Bovinos, Ovinos, Suínos, Caprinos e Equinos. Guanabara koogan; Rio de Janeiro; 2002, 9. ed, cap.: 33; pág.: 1553-1554.

THOMAS, H. S. Field Guide to Equine Allergies. Equus. Apr 14, 2020.

TIZARD, I.R. Imunologia veterinária. São Paulo: Roca, 2002, 6.ed, p. 546.

SMITH, P. B. Large animal internal medicine. Elsevier, 2015, 5.ed, p. 2024.

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