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Edição 6º Ano 2021 Revisão de Literatura

Alternativas Terapêuticas para Tecido de Granulação Exuberante em Equinos

Alternativas Terapêuticas para Tecido de Granulação Exuberante em Equinos
V.6, Ed.1, N.21(2021)

ALTERNATIVAS TERAPÊUTICAS PARA TECIDO DE GRANULAÇÃO EXUBERANTE EM EQUINOS – REVISÃO DE LITERATURA

 

THERAPEUTIC ALTERNATIVE FOR EXBERANT GRANULATION TISSUE IN HORSES – LITERATURE REVIEW 

 

FERNANDES, R.A.¹, QUEIROZ, A.S.¹, FERREIRA, M.A.² 

(Universidade São Judas) São Paulo, São Paulo

¹Alunos do curso de Medicina Veterinária da Universidade São Judas e ²Professor Orientador 

Endereços para contato: [email protected] / [email protected]

 

Resumo: O processo de cicatrização dos equinos representa um grande desafio para o médico veterinário. Devido à facilidade da ocorrência de ferimentos e pelo baixo aporte sanguíneo em determinadas regiões anatômicas, o tratamento se torna complexo e demorado, onde muitas vezes a cicatrização não é ideal, principalmente pela formação exacerbada do tecido de granulação. O diagnóstico do exuberante desenvolvimento de tecido cicatricial é de extrema importância para determinar as condutas terapêuticas que serão utilizadas. Dessa forma, a busca por terapias alternativas é realizada para promover o bem-estar desses animais, levando em consideração o custo benefício. Pelo presente, buscou-se relatar tratamentos complementares para o tecido de granulação exuberante em equinos, destacando os benefícios de cada terapia.

 

Palavras-chave: cicatrização, equinos, tecido de granulação.

 

Abstract: The healing process of the horses represents a great challenge for the veterinary doctor. Due to the ease of injury and low blood supply in certain anatomical regions, the treatment becomes complex and time consuming, where often the healing is not ideal, mainly due to the exacerbated formation of granulation tissue. The diagnosis of the exuberant development of scar tissue is of extreme importance to determine the therapeutic conducts that will be used. Thus, the search for alternative therapies is performed to promote the welfare of these animals, taking into consideration the cost benefit. For the present, it was sought to report complementary treatments for lush granulation tissue in equines, highlighting the benefits of each therapy.

 

Keywords: healing, equines, granulation tissue

 

I.  INTRODUÇÃO:

 

Nos últimos dezenove anos, a equinocultura cresceu, em média, 12% ao ano, contribuindo com a geração de mais de 3,2 milhões de empregos diretos e indiretos. O Brasil possui mais de 6,0 milhões de equinos, constando 2,5 milhões nos seus livros de registros genealógicos, o que dá uma dimensão da grandiosidade dessa prática. Devido a diversos fatores, principalmente pelo estresse de confinamento em baias e manejo inadequado, os equinos são mais sensíveis à doenças, principalmente a cólicas, claudicações e lesões cutâneas (Pritchard et al., 2005; Paganela et al., 2009). Nesse contexto, as feridas possuem grande importância, devido ao fato da facilidade da ocorrência de ferimentos, principalmente em membros locomotores.

Na espécie equina, o tratamento de feridas é demorado e, muitas vezes, a reparação tecidual não é ideal (Ashdown e Done, 2012), principalmente pela formação exacerbada de tecido de granulação e menor irrigação em determinadas regiões anatômicas, o que resulta em uma deficiência na oxigenação, dificultando a liberação de citocina pelas células, prolongando a fase inflamatória. Tratamentos incorretos e a tendência à cronicidade das lesões são outros problemas que dificultam o curso da cicatrização.

Tendo em vista a grande prevalência de formação de tecido de granulação exuberante, a busca por terapias alternativas para esta afecção, apresentam grande ascensão, visto que buscam minimizar o tempo e os custos do tratamento, enfatizando o bem estar do animal. Objetiva-se neste trabalho, realizar uma revisão bibliográfica do tema, abordando as técnicas mais utilizadas para tratamento em tecido de granulação exuberante, relacionando os principais benefícios das mesmas.

 

 

II.  TERAPÊUTICAS ALTERNATIVAS:

 

A cronicidade de feridas cutâneas com tecido de granulação exuberante em equinos, muitas vezes, está associada à terapias prolongadas. Diante disso, protocolos terapêuticos citados em literaturas mais antigas, são métodos de escolha no pronto atendimento, todavia, metodologias alternativas e complementares podem ser associadas no manejo destas afecções.

O uso de agentes cáusticos no manejo terapêutico do tecido de granulação, são os mais utilizados, os quais agem induzindo a necrose no local, gerando uma diminuição gradativa do exacerbado tecido. São exemplos dessas substâncias, o licor de villate, permanganato de potássio, sulfato de cobre, ácido nítrico.

Agentes ricos em carboidratos como o mel de abelha e o açúcar, possui muitas propriedades, dentre elas, estão inclusas a ampla ação antimicrobiana, ação anti-inflamatória, além de estimular novos fatores de crescimento de tecido.

O efeito estimulatório do mel na cicatrização de feridas pode estar relacionado à auto regulação de citocinas inflamatórias nos monócitos (Tonks et al., 2003), ação osmótica, que promove a saída da linfa dos tecidos mais profundos, favorecendo a oxigenação tecidual, permitindo um maior aporte de nutrientes para a lesão, ação oxidante, desbridante e previne a cicatrização hipertrófica (Cooper et al, 2009).

Durante algum tempo, os implantes biológicos são apresentados em literatura. Estes materiais são enxertos de origem orgânica, livres e inertes, possuindo em sua composição, basicamente colágeno, os quais se tornam materiais de baixa antigenicidade (Alvarenga, 1992).

As membranas são provenientes de tecidos placentários ou pele, que por função, promovem a cicatrização por regrediram a formação do tecido de granulação exuberante, mantendo o ambiente úmido, ocasionando em uma regeneração e migração de células epiteliais, as quais previnem o desencadeamento de infecções bacterianas (Purna e Babu, 2000).

Há relatos que comprovam a eficácia dos corticosteróides em aplicações intralesionais, como a triancinolona, utilizada com um intervalo de 48 horas, suprime a formação do tecido de granulação exuberante na cicatrização por segunda intenção.

Acredita-se que o mecanismo de ação seja pela diminuição da produção dos fatores de crescimento β1 pelos monócitos e  macrófagos, propiciando uma proliferação adequada do tecido cicatricial (Viana, 2014).

A laserterapia tem-se destacado na terapêutica de feridas cutâneas em equinos, incluindo no manejo do tecido de granulação exuberante. Em estudos realizados, instituiu-se um protocolo de 14 dias com laserterapia durante no manejo de uma ferida que desenvolveu o exuberante tecido de granulação, observou-se a regressão da ferida nas margens, o que contribuiu na redução do tecido de granulação exuberante.

A terapia à laser ainda, pode ser introduzida nos métodos terapêuticos através da técnica dos Três L’s, instituída pela Therapy4Horses, uma sigla caracterizada pela inicial de três procedimentos: low friction, lasertherapy e Leptospermum scoparium, ou seja, baixa fricção, laserterapia e pomada à base de Leptospermum scoparium.

A higienização da ferida com soluções adequadas e com movimentos de baixa fricção, geram a manutenção da camada mais superficial da pele, propiciando assim à cicatrização. A pomada é constituída por um componente com potente ação anti-inflamatória e antibacteriana, o metilglioxal, que promove ainda, um ambiente adequado para cicatrização. Em contrapartida, a fotobioestimulação promovida pelo laser, tem ação direta na síntese de ATP celular, na redução da fase inflamatória e estimulação da fase proliferativa.

De acordo com Theoret & Wilmink (2016), a utilização de bandagens de silicone podem ser úteis no tratamento de tecido de granulação exuberante, tendo em vista que, os curativos compostos por silicone promovem uma diminuição na formação distrófica, gerando uma melhoria na qualidade do tecido. Essa terapia ocasiona na diminuição do fator p53, um inibidor indireto da apoptose, o qual ocasiona em uma deficiência na proliferação celular adequada, dificultando a reepitelização, fibroplasia e neovascularização.

Os fitoterápicos são citados de modo frequente como terapia alternativa, onde, o óleo de copaíba e extratos de barbatimão, se destacam nas pesquisas. A ação do tanino, substância presente no barbatimão, promove uma precipitação das proteínas dérmicas, as quais desencadeiam uma superfície impermeável à agentes nocivos, formando uma estrutura homogênea a qual impede a proliferação de agentes bacterianos, além da ação anti inflamatória, afetando diretamente na regeneração tecidual.

O óleo de copaíba possui agentes antibacterianos e antiinflamatórios, como hidrocarbonetos e ácidos carboxílicos, que favorecem ainda a proliferação de fibras de colágeno favorecendo a cicatrização adequada.

Segundo Varasano et al. (2018), o uso do formaldeído 4% intralesional em pequenas quantidades, podem ocasionar em uma ablação química tecidual através de um processo necrótico, desencadeando assim uma regressão do tecido de granulação exuberante.

É válido ressaltar a necessidade de estudos e experimentos científicos mais detalhados sobre o uso do composto nestas lesões, a fim de avaliar de forma aprofundada a sua eficácia, bem como a incidência e a gravidade de quaisquer reações adversas.

III.  DISCUSSÃO:

 

Em virtude das suas características fisiológicas de adaptação para fuga e agilidade, mediantes à situações de ameaça, os equinos são animais suscetíveis a sofrerem traumas que ocasionam em feridas cutâneas, que muitas vezes, se estendem para tecidos mais internos, como o ósseo.

Segundo Barber (1990), a predisposição dos equinos para ocorrência do tecido de granulação exuberante, bem como sua patogênese, pode ainda não está completamente esclarecida, em contrapartida, alguns fatores favorecem o desenvolvimento e dificultam a evolução no tratamento.

Diante disso, é válido ressaltar a prevalência dessa distrofia em feridas localizadas nas regiões distais dos membros locomotores, tendo em vista que são áreas de constante movimentação, baixo aporte de oxigênio, a expressão prolongada de citocinas pró-fibróticas, a precária atividade contrátil dos miofibroblastos, a desregulação da apoptose e o acúmulo excessivo de substâncias extracelulares, acabam desencadeando distúrbios fibroploriferativos, como o tecido de granulação exuberante.

Atualmente muitos protocolos são instituídos para o manejo terapêutico dessa afecção, alguns métodos mais convencionais e outros que ainda são recentes na rotina clínica, porém é válido ressaltar que estas terapias devem ser aplicadas de forma que, promovam substancialmente, o bem estar animal.

 

IV.  CONCLUSÃO:

No que se refere às alternativas terapêuticas, é válido afirmar que, apesar dos diferentes mecanismos de ação, todas possuem por intuito promover a regressão do tecido distrófico exuberante. Sendo assim, é ideal que sejam avaliados todos os parâmetros e apresentações clínicas de cada caso individualmente, para que dessa forma seja aplicado o melhor método de manejo terapêutico, promovendo assim a reepitelização adequada da lesão.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

ALVARENGA, J. (1992). Possibilidades e limitações da utilização de membranas biológicas em cirurgia, São Paulo, SP. In: Semana de ciências e tecnologia agropecuária da faculdade de ciências agrárias e veterinárias da UNESP, 1992, Jaboticabal, SP, Anais Jaboticabal, UNESP, 1992 v. 1, p. 33-42.

ASHDOWN, R; DONE, S H. Atlas colorido de anatomia veterinária de equinos. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. 360 p.

AUER, J. A. e STICK, J. A. (1999). Wound Management..in: Equine surgery. Philadelphia: WB Saunders. 2ª ed., 937.

BARBER, S. M. (1990). Second intention wound healing in the horse: the effect of bandages and topical corticosteroids. Paper presented at the Proceedings of the Annual Convention of the American Association of Equine Practitioners.

COOPER, R., MOLAN, P., WHITE, R. (2009). Honey in Modern Wound Management. Malta: Wounds UK.

PAGANELA, J. C. et al. Abordagem clínica de feridas cutâneas em equinos. Revista Portuguesa de Ciências Veterinárias, v. 104, n. 569, p.13-18, jan. 2009. Anual. Acesso em: 18 abr. 2017

PRITCHARD, J. C. et al. Assessment of the welfare of working horses, mules and donkeys, using health and behavior parameters. Preventive Veterinary Medicine, v. 69, n. 3-4, p.265- 283, jul. 2005.

PURNA, S. K. e BABU, M. (2000). Collagen based dressings – a review. Burns, 26, 54-62.

STASHAK, T. S. (1991). Equine wound management. Lea and febiger. Philadelphia, USA.

THEORET, C. & WILMINK, J. M. (2016). Exuberant granulation tissue. Equine wound management. Nova Jersey, USA.

TONKS, A. J., COOPER, R. A. e JONES, K. P. Honey stimulates inflammatory cytokine production from monocytes. Cytokine, Volume 21, Issue 5, 7 March 2003, Pages 242-247.

VARASANO, V., MARRUCHELLA, G. & PETRIZZI, L. (2018). Exuberant granulation

tissue in a horse: successful treatment by the intralesional injection of 4% formaldehyde solution. Veterinaria Italiana, 54(2):155-159.

VIANA, L. F., WENCESLAU, A. A., COSTA, S. C. L., FIGUEIREDO, M. A. F., DIAS, F.

  1. S. & FERREIRA, M. L. (2014). Tratamentos complementares para ferida com tecido de granulação exuberante em um equino-Relato de caso. Brazilian Journal of Veterinary Medicine, 36(4):417-420.

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