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Farmacologia Edição 6º Ano 2021

Como Escolher o Princípio Ativo Antimicrobiano para Cada Situação

Como Escolher o Princípio Ativo Antimicrobiano para Cada Situação 1
V.6, Ed.1, N.04 (2021)

COMO ESCOLHER O PRINCÍPIO ATIVO ANTIMICROBIANO PARA CADA SITUAÇÃO

(CÓMO ELEGIR EL PRINCIPIO ACTIVO ANTIMICROBIANO PARA CADA SITUACIÓN)

 

FERNANDES, R. A.*
* Estudante do nono período de Medicina Veterinária pela Universidade São Judas
(USJ) São Paulo, São Paulo.
Endereços para contato: [email protected] / [email protected]

 

RESUMO:

 

A terapêutica antimicrobiana em equinos, se torna limitada diante dos aspectos característicos da espécie, reduzindo a possibilidade de escolhas e requerendo cada vez mais uma minuciosidade diagnóstica para a determinação das substâncias farmacológicas à serem escolhidas.

Algumas características são comumente citadas, principalmente aquelas que se referem às doses a serem utilizadas, as quais normalmente se aproximam de dosagens tóxicas, a restringência da administração de fármacos por via oral, os efeitos adversos desencadeados em órgãos vitais e outros.

Desta forma, torna-se imprescindível a realização de avaliações detalhadas do indivíduo, a certificação de que a enfermidade está sendo desencadeada por um agente infeccioso, uma investigação pormenorizada da causa de base e alterações secundárias, bem como a determinação do microrganismo em questão, são fatores importantes na definição do antimicrobiano a ser empregado.

Diante destas variáveis, o presente estudo tem por objetivo relacionar os principais aspectos a serem levados em consideração durante a escolha dos antimicrobianos, ressaltando a importância da realização de um diagnóstico preciso para a determinação de uma terapêutica ideal para cada situação.

 

UNITERMOS: antimicrobianos, equino, antibioticoterapia, agentes infecciosos.

 

ABSTRACTO:

 

La terapia antimicrobiana en caballos es limitada en vista de los rasgos característicos de la especie, reduciendo la posibilidad de elección y requiriendo cada vez más detalles diagnósticos para determinar las sustancias farmacológicas a elegir.

Se citan comúnmente algunas características, especialmente las que se refieren a las dosis a utilizar, que normalmente se acercan a las tóxicas, la restricción de la administración de fármacos por vía oral, los efectos adversos desencadenados en órganos vitales, entre otros.

Por tanto, es fundamental realizar evaluaciones detalladas del individuo, la certificación de que la enfermedad está siendo desencadenada por un agente infeccioso, una investigación detallada de la causa subyacente y los cambios secundarios, así como la determinación del microorganismo en cuestión, son fundamentales. factores importantes para definir el antimicrobiano que se utilizará.

Ante estas variables, el presente estudio tiene como objetivo enumerar los principales aspectos a tener en cuenta a la hora de elegir antimicrobianos, destacando la importancia de realizar un diagnóstico certero para determinar una terapia ideal para cada situación.

 

PALABRAS-CLAVE: antimicrobianos, equino, antibioticoterapia, agentes infecciosos.

 

INTRODUÇÃO:

   A nômina de antimicrobianos, se diz respeito ao conjunto de substâncias que atuam sobre os mais variados micróbios desencadeadores de infecções no organismo, podendo ser citados os antibióticos, antifúngicos, antivirais e antiparasitários.

Os agentes antimicrobianos ou anti-infecciosos, são instituídos nas terapias para inibição do crescimento de microorganismos patogênicos (fungistáticos, bacteriostáticos; etc) ou de ação direta (fungicidas, bactericidas; etc), os quais, são produzidos de forma natural, sintética ou semissintética; e ainda, podem ser classificados em inespecíficos, o agrupamento que se refere aos antissépticos e desinfetantes, e os específicos, que possuem ação direta sobre um determinado agente (SPNOSA et. al, 2017).

Embora os princípios básicos para implementação da terapia antimicrobiana não defira de outras espécies, o advento dessa intervenção em equinos, apresenta-se limitada, tendo em vista as circunstâncias envolvidas que dificultam a utilização comparados a outros animais, onde alguns fatores podem ser citados, como: as doses necessárias a serem administradas, principalmente por via oral, se estendem ao limite terapêutico, além de alguns fármacos não exercerem sua função ou serem mal absorvidos quando empregados por esta via; ademais, a lista de opções de antimicrobianos em equinos não é ampla (LAURIE, 1998).

Além disso, por possuírem um intestino posterior fermentador, são mais propensos a efeitos adversos gastrointestinais, como a colite; algumas substâncias podem ocasionar em nefrotoxicidade e ressaltando ainda, os equinos mais jovens são suscetíveis a desenvolverem alterações articulares quando submetidos à terapias com drogas inadequadas (WEESE et. al, 2010).

Posto que, esta espécie dispõe destes aspectos limitantes, a utilização destas substâncias nos equinos se torna possível quando são realizados precedentes clínicos adequados, uma boa investigação acerca da causa primária de determinada infecção, bem como, a realização de pesquisas laboratoriais, direcionando para um diagnóstico ideal. Pelo presente, objetivou-se relacionar os métodos prevalecentes na determinação de um antimicrobiano adequado nas situações cotidianas envolvidas na medicina equina.

 

MATERIAL E MÉTODOS:

 

  O uso dos antimicrobianos em equinos deve ser embasado em preceitos que direcionem a escolha de substâncias adequadas para cada infecção nos diferentes sistemas; dentro deste conceito, Stephen e Warwick (2000) apontam um método baseado em princípios, que podem ser associados durante a determinação da terapia antimicrobiana à ser instituída.

Inicialmente deve-se certificar que um microorganismo patogênico está desencadeando a enfermidade, tendo em vista que a presença de um agente, pode ser de menor relevância para a ocorrência da mesma. Faz-se imprescindível que haja o reconhecimento do patógeno em questão, onde, alguns micróbios produzem lesões macroscópicas, e o auxílio de diagnósticos complementares não se torna necessário.

Por outro lado, outros são reconhecidos por meio da microscopia óptica em amostras de tecido ou material do local infeccionado, e ainda, existem aqueles patógenos que não são passíveis de reconhecimento sem a execução de testes bioquímicos ou ensaios microbiológicos, como a cultura, a qual é utilizada para determinar o gênero do organismo e sua abundância na amostra testada (STEPHEN & WARWICK, 1998); considerando ainda a localização do processo infeccioso, faixa etária do animal e achados epidemiológicos (SPNOSA et. al, 2017).

No que se diz respeito à seleção do agente antimicrobiano adequado, torna-se importante que o tratamento seja instaurado com base na sensibilidade de um patógeno frente à uma substância, em que, precedentemente sejam avaliados antibiogramas conhecidos sobre o micróbio, bem como, sua susceptibilidade a tais drogas.

Os testes de sensibilidade do antibiograma direcionam na determinação de fármacos que não serão selecionados, do que o oposto, tendo em vista a importância da escolha do agente ideal para minimizar o uso de substâncias que apenas selecionam microorganismos e não atinjam os responsáveis pela infecção, desencadeando em resistência no organismo do animal (STEPHEN & WARWICK, 1998).

Torna-se válido pontuar que, um aspecto responsável por tornar díspar a reação in vitro no antibiograma e a ação da substância no animal, é o microambiente no local da infecção, pois influencia sobremaneira, na atividade das drogas; valendo a ressalva de algumas variáveis, como o potencial hidrogeniônico (pH), pressões parciais dos gases, osmolaridade, concentração de íons e temperatura.

Em função disso, o microambiente pode induzir ou impedir a atividade das drogas antimicrobianas, podendo ainda, ser alterado por tratamentos anteriores (LAURIE, 1998).

O tipo de resposta inflamatória desencadeada no hospedeiro, torna-se um fator contribuinte para um raciocínio clínico lógico mediante a situação infecciosa, na qual, alguns microorganismos promovem lesões características durante sua ação, tais como, os agentes estreptocócicos e estafilocócicos que geram reações inflamatórias piogênicas, as espécies de Pasteurella suscitam reações fibrinóides; o Rhodococcus equi, o qual gera reações granulomatosas, e os microorganismos clostridiais, que provocam inflamação necrosante e hemorrágica ( STEPHEN & WARWICK, 1998; MUSCATELLO et al., 2007).

Ademais, outros preceitos podem ser relacionados no momento da escolha do antimicrobiano, principalmente no que se diz respeito às defesas do hospedeiro, pois, quando não se encontram em constância de homeostase, a condição infecciosa pode persistir por mais tempo, pode ocorrer uma recidiva repentina do quadro após o suporte terapêutico, ou ainda, o mesmo pode não ser efetivo; ressaltando algumas situações como prenhez, animais com enfermidades pré-existentes (nefropatias, hepatopatias; etc), animais muito jovens ou mais idosos, fatores genéticos, entre outros (SPNOSA et. al, 2017).

Em vista disso, é importante avaliar as condições que interferem no desempenho esperado do sistema de defesa do organismo,  sendo necessário, realizar uma suplementação ao sistema imune. Em um equino imunocompetente, a escolha de um agente que impeça o crescimento ou uma droga de ação direta não implicará sobremaneira, no tratamento, tendo em vista o espectro de ação do mesmo; contudo, em um animal imunocomprometido, que apresente alterações importantes, como neutropenia, hipogamaglobulinemia ou se a infecção se manifesta de forma grave (septicemia), os agentes de ação direta (ex: bactericidas), são primeiramente indicados (HOLBROCK & EADES, 1995).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO:

 

  Uma reação infecciosa se estabelece no organismo de um animal por um desarranjo entre a relação simbiótica do hospedeiro com o microorganismo patogênico, e quando as defesas naturais do organismo não são capazes de combaterem as alterações desencadeadas pelo patógeno, o uso de substâncias que atuem diretamente, as quais agem de maneira direta ou inibam o crescimento do mesmo, deve ser instituído.

Esta condição pode se estabelecer por decorrência de alguns fatores, tais como, a administração de esteróides, os quais desencadeiam imunossupressão, estresse físico ou emocional, desnutrição, manipulações cirúrgicas ou até mesmo soluções de continuidade penetrantes, onde rompem o leito vascular resultando em acúmulo de fluidos extravasculares; os microorganismos são capazes de alterar diretamente ou produzirem substâncias que prejudiquem o funcionamento adequado das células do hospedeiro (LAURIE, 1998).

De acordo com Spinosa et. al (2017), para a determinação de um antimicrobiano ideal, este deve estar de acordo com os seguintes aspectos: ser capaz de destruir o patógeno, ao invés de inibir o seu crescimento, apresentar amplo espectro de ação sobre os microorganismos patogênicos, possuir alto índice terapêutico, não produzir reações de hipersensibilidade, não favorecer o desenvolvimento de resistência bacteriana, distribuir-se em todos os tecidos e líquidos do organismo, em concentrações adequadas, entre outros. Diante do exposto, ao selecionar um agente antimicrobiano, com tais características, o conhecimento amplo sobre o microrganismo, bem como, a sua vulnerabilidade às drogas, torna-se imprescindível.

Dentre as possibilidades de substâncias antimicrobianas disponíveis para utilização em equinos, uma família de fármacos possuem maior diversidade no que se refere às apresentações e princípios ativos, sendo esta a dos antibióticos bacterianos. Um estudo realizado a partir de amostras clínicas de cavalos atendidos no Ontario Veterinary College, no Canadá (WEESE et. al, 2010), relacionaram testes de susceptibilidade antimicrobiana pelo método de difusão em disco de Kirby-Bauer à bactérias, onde obteve-se alguns resultados, tendo como exemplos: 100% de sensibilidade do Streptococcus zooepidemicus, S. equi, Actinobacillus equi ao ceftiofur, S. equi apresentou 100% de vulnerabilidade à gentamicina, cloranfenicol e ao ceftiofur; o gênero Rhodococcus equi 100% suscetível à eritromicina, gentamicina e à amicacina; o Enterococcus spp. se mostrou como o microrganismo de maior resistência aos agentes antimicrobianos, apresentando-se com 67% de sensibilidade ao cloranfenicol.   

 

CONCLUSÃO:

 

Em virtude dos aspectos mencionados, a seleção de um antimicrobiano ideal para uso em equinos, deve ser embasada nas condições de uma boa investigação acerca do caso, as circunstâncias apresentadas pelo animal, no que concerne à integridade fisiológica do mesmo, características físicas, faixa etária, presença de alterações patológicas pré-existentes; além disso, a identificação do órgão alvo da infecção, os patógenos comumente encontrados em materiais oriundos destes órgãos, bem como sua sensibilidade às substâncias antimicrobianas. Torna-se válido ressaltar ainda, a importância do conhecimento das drogas, as doses necessárias para realizar ação terapêutica; suas reações adversas, possibilidades e contra-indicações de interação com outros fármacos, a amplitude do seu espectro de ação, e outros; são estes, fatores relevantes ao executar a escolha de um antimicrobiano adequado para a espécie equina.

 

REFERÊNCIAS:

 

HOLBROCK T. C., EADES S. C., (1995) Principles of drug and fluid therapy. The Horse Diseases & Clinical Management, 1st. Ed. Vol. I. Philadelphia PA: WB Saunders; pág. 41-45.

 

LAURIE, A. B. (1998) Principles of antimicrobial therapy. Equine internal medicine, 1st. Ed. Philadelphia PA: WB Saunders. pág. 157-169.

 

MUSCATELLO, G. et al. (2007) Rhodococcus equi infection in foals: the science of ‘rattles’. Equine Veterinary Journal, v.39, n.5, pág. 470-478.

 

SPINOSA, H. S., GÓRNIAK, S. L., BERNARDI, M. M. (2017). Farmacologia aplicada à Medicina Veterinária. 4ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. cap. 31, pág. 671-674.

STEPHEN, M. R., WARWICK, M. B., (1998). Medicina Interna Equina. 1ª Ed. Rio de Janeiro:Guanabara Koogan. cap. 4, pág. 135-139.

WALTHER, R. D. (1992) Antimicrobial chemother, current therapy in Equine Medicine. 3rd. Ed. Philadelphia PA: WB Saunders.

WEESE, J. S.; BAPTISTE, K. E.; BAVERUD, V.; TOUTAIN, P. L. (2010). Guide To Antimicrobial Use in Animals. 1ª Ed. Porto Alegre: Artmed. cap. 10, pág. 201-222.

 

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