Info Equestre
Farmacologia Edição 5º Ano 2020

Uso de Sulfas em Equinos

Uso de Sulfas em Equinos 1
V.5, Ed.1, N.224 (2020)

Uso de sulfas em equinos

Júlia Augusto Alcaide, granduanda em medicina veterinária na UNESP/FCAV

 

Introdução

As sulfas são antimicrobianos de amplo espectro e podem agir como bacteriostáticas ou bactericidas, a depender das concentrações em que são utilizadas. Trata-se de um quimioterápico que teve seu uso reduzido devido a resistência bacteriana, mas que com a descoberta do trimetoprim na década de 70 voltou a ser muito utilizada já que a associação de trimeroprim e sulfa possibilitou a cura de diversas infecções em que o uso da sulfa isolado já não era suficiente (SPINOSA,2011).

Discussão

As sulfas são um análogo estrutural do ácido P-aminobenzoico (PABA), substância esta  que é essencial para a síntese de ácido fólico, que em sua forma reduzida – ácido tetra-hidrofólico – participa da síntese de DNA e RNA bacteriano. Sendo assim, as sulfas agem como um antimetábolico (SPINOSA, 2011).

As sulfas competem com o PABA, ou seja, a alta concentração de um deles desloca o outro, por isso deve-se evitar o uso concomitante de Sulfas e derivados do PABA (SPINOSA, 2011).As sulfonamidas potencializadas (sulfonamida + trimetoprim) possuem ação de amplo espectro contra bactérias gram negativas e gram positivas, porém pseudo-monas sp, Mycoplasma sp e outros isoldasos de klebesiella sp são resistentes a combinação (WILSON, 2001).

Possuem também ação contra toxoplasma sp e coccidia, além de alguns outros protozoários (SPINOSA, 2011)Seu uso é mais eficaz quando administrada no início da doença, infecções crônicas e com grande quantidade de debris não respondem bem ao medicamento (SPINOSA, 2011).

Apesar das sulfonamidas potencializadas apresentarem uma boa absorção intestinal em equinos, o trimetropim apresenta uma redução em sua absorção devido a alimentação enquanto que as sulfonamidas apresentam um retardamento (WILSON, 2011)

Uso de Sulfas em Equinos 11
Figura 1 – adaptada de SPINOSA, 2011. Representação esquemática da formação de DNA, RNA e Proteínas bacterianas, e da ação das Sulfas e trimetropim.

A rápida absorção do trimetropim leva uma persistência prolongada da sulfa, resultando em concentrações maiores que a ótima no local de infecção. Por esse motivo é recomendado que a combinação sulfa + trimetropim seja aplicada ao menos duas vezes ao dia (WILSON, 2001). A dose inicial das sulfas deve ser maior que a dose de manutenção, usa-se, de maneira geral, o dobro da dose na primeira aplicação (SPINOSA, 2011).

O uso concomitante de fenilbutazona pode levar a um aumento das concentrações plasmáticas de sulfonamidas, já no caso da procraina pode haver uma redução da atividade antimicrorbiana e um aumento do risco de diarreia; a rifampicina não deve ser utilizada concomitante por aumentar a taxa de eliminação do trimetoprim (DOWLING, 2004).

Dentre os efeitos adversos causados pela sulfonamidas potencializadas tem-se uma neutropenia reversível sem desvio a esquerda quando em tratamentos prolongados, tal fato pode ser explicado pela supressão da síntese de ácido fólico.

Esta se resolve após o termino do tratamento e pode ser acelerada pela suplementação com ácido folínico soba forma de levedura de cerveja. (WILSON, 2001).

Os animais podem ainda apresentar tremores, excitação, ataxia e raramente vir a óbito durante ou logo após a administração por via intravenosa quando o ritmo de administração é rápido (WILSON, 2001)Não se deve fazer a administração de sulfas com Depressores da medula óssea pois pode ocorrer aumento dos efeitos leucopênicos e trombocitopênicos.

Anticoagulantes cumarínicos, como a warfarina, também devem ser evitados pois pode ocorrer um aumento da toxicidade deste. (DOWLING, 2004) O uso concomitante de trimetoprim por via intravenosa com detomidina pode ser associado a hipotensão, arritmias e morte dos animais (WILSON, 2001). Há ainda um risco de efeitos congênitos quando a sulfa é administrada em fêmeas prenhes. (DOWLING, 2004)

Referências

Wilson, W. (2001). Rational Selection of Antimicrobials for Use in Horses. AAEP proceedings. v. 47, p. 75 – 93.

Spinosa, H. de S.; GÓRNIAK, S. L.; BERNARDI, M. M. (2011). Farmacologia aplicada à medicina veterinária. 5. ed. p. 432 – 441.

Dowling, P.M. (2004). Antimicrobial Therapy. In: Bertone, J. J.; Horspool, L. J. I. Equine Clinical Pharmacology. USA: Saunder, 2004. c. 2, p. 12 -47.

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