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Hemorragia Pulmonar Induzida Por Exercício.

Hemorragia Pulmonar Induzida Por Exercício. 1

A Hemorragia Pulmonar Induzida por Exercício (HPIE) é caracterizada pela presença de sangue de origem pulmonar na árvore traqueobrônquica e também por presença de sangue nas narinas após exercício (Geralmente intenso). A presença de sangramento em uma ou ambas as narinas ocorre durante ou após o exercício, sendo notada com mais freqüência quando animal retorna à cocheira. Além do sangramento nasal, o animal acometido também apresenta diminuição do rendimento atlético, e pode apresentar ainda outros sinais clínicos como dispnéia em casos de hemorragias severas, deglutição excessiva e tosse freqüente, devido à presença de sangue na laringe e faringe.

A HPIE é mais descrita em animais submetidos à provas de velocidade, sendo que as raças mais acometidas são Puro Sangue Inglês (PSI) de corridas e provas de salto e Quarto de Milha (QM) de provas rurais como três tambores, seis balizas e laço. Segundo algumas literaturas, os animais que realizam essas provas estão mais predispostos ao desenvolvimento dessa síndrome, pois são provas de explosão e exigem atividade muscular elevada e atividade cardiorrespiratória de grande intensidade de maneira repentina.

O sangue observado nos casos de HPIE tem origem pulmonar e resulta da ruptura de capilares alveolares. O aumento da pressão é o que causa essa ruptura, e como conseqüência ocorre a hemorragia. Segundo alguns estudos, existe ainda outra teoria para a causa dessa hemorragia, que seria a “Teoria do Pistão”, em que os pulmões sofrem estresse mecânico devido ao choque frequente dos órgãos abdominais contra o diafragma no momento do esforço físico, e segundo essa teoria, esses choques contínuos levariam à lesão capilar.

O diagnóstico é feito através dos sinais clínicos com o auxilio de broncoscopia (Exame endoscópico). Este exame permite a visualização das vias aéreas posteriores, além de avaliar a quantidade de sangue presente e a severidade da doença. O exame deve ser realizado entre 30 a 120 minutos após o exercício, pois esse é o tempo ideal para que o sangue atinja a traquéia. Também podem ser utilizadas outras técnicas como aspirado traqueobrônquico e lavagem broncoalveolar. Estas técnicas permitem coletar amostras de células presentes nas secreções das mucosas bronquiais e da região alveolar que podem indicar alterações respiratórias crônicas.

O tratamento é baseado no quadro do animal e na severidade do caso. Dentre os medicamentos que podem ser usados, estão broncodilatadores, antiinflamatórios, esteróides e diuréticos, porém o uso excessivo dessa última classe pode causar alterações do equilíbrio eletrolítico e até choque no animal caso o animal esteja desidratado.

Além do tratamento adequado, os animais afetados deverão ficar afastados dos treinamentos e provas por um período determinado até a melhora do mesmo.

Texto por: Maria Eugênia Schiavoni, estudante do 6º Termo de Medicina Veterinária no Unisalesiano de Araçatuba-SP

Revisão e Edição: Deivisson Ferreira Aguiar – Médico Veterinário CRMV/ES 1569 – Muniz Freire/ES

REFERÊNCIAS:

BIAVA, J.S. Avaliação clínica, endoscópica e citológica da Hemorragia Pulmonar Induzida por Exercício (EIPH) em cavalos da raça Quarto de Milha. Botucatu, 2007. 107p. Dissertação (Mestrado)- Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Campus de Botucatu, Universidade Estadual Paulista.

VICCINO, C. Ocorrência de hemorragia pulmonar induzida por esforço em cavalos de salto no Estado de São Paulo. 2007. 66f. Dissertação (Mestrado- em Medicina Veterinária). Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.

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