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Intoxicação por selênio em equinos.

Intoxicação por selênio em equinos. 1

Intoxicação por selênio em equinos.

O selênio é um mineral essencial na dieta dos animais, sendo encontrado naturalmente no solo, plantas e em pequenas quantidades na água, sendo que, a quantidade de selênio nas plantas, depende do solo em que as mesmas se desenvolveram. Tal microelemento está envolvido no sistema antioxidante, sendo essenciais para algumas funções do organismo, como o crescimento, a reprodução, o funcionamento do sistema imune e a manutenção da integridade dos tecidos.

Dado como um dos principais micronutrientes, o Selênio tem importância nas defesas antioxidantes enzimáticas, sendo constituinte do sistema Glutationa Oxidase/ Redutase, sistema enzimático responsável pela eliminação de radicais livres. Além desta função, o selênio também age como imunoestimulante, e é fundamental para a fertilidade masculina, pois se faz necessário na biossíntese de testosterona, assim como para a formação e o desenvolvimento normal do espermatozoide, participa na fisiologia do útero, mantendo o ambiente uterino sadio para a passagem dos espermatozoides na época do cio, e para receber o embrião e protegê-lo durante toda a gestação. De forma sucinta, acredita-se que o selênio atua na melhora da sobrevivência do embrião. Acredita-se também que o selênio possui ação inibidora sobre o crescimento tumoral.

Tanto a deficiência quanto o excesso deste nutriente esta associado a algumas patologias envolvendo o tecido muscular, sendo elas descritas como “blind staggers” e “alkali disease”. A primeira representaria uma síndrome paradoxalmente crônica com aparecimento súbito de sinais envolvendo, sobretudo o sistema nervoso central (O’Toole et al. 1996), enquanto a segunda cursaria com um quadro crônico de emaciação e perda da vitalidade, associados a alterações dos anexos da pele, manifestos por crescimento alongado e aparecimento de sulcos nos cascos, pelagem áspera e descolorida, e pela depilação parcial ou completa dos pêlos longos da cauda e da crina (Draize & Beath 1935).
É descrito também, uma afecção de aparecimento agudo com rápida evolução, chamada de doença do músculo branco, na qual o animal apresenta um quadro de rigidez, ficando a maior parte do tempo em decúbito, com dispneia taquicardia e prostração seguida de óbito. O diagnostico pode ser realizado através de biopsia muscular para analise de histoquímica e histopatológica, onde é possível notar a presença de áreas de calcificação nas fibras musculares esqueléticas, com atrofia e falhas no metabolismo oxidativo. Essas alterações são consequências do acumulo de peróxidos na musculatura, causando necrose.
Nos equinos, a exigência de selênio é estimada em cerca de 0,1 mg/kg de matéria seca (NRC, 1989). Porém sob exercício físico, o aumento do metabolismo resulta em maiores quantidades de EROs, logo há uma maior necessidade de selênio no organismo para maior atividade de glutationa peroxidase, necessária para a remoção dessas substâncias oxidativas. Foi sugerida que a concentração de 0,3 mg/kg poderia ser mais apropriada na dieta total de cavalos (HINTZ, 2000)
A intoxicação por selênio, do ponto de vista clinico-patologico, é uma afecção bastante complexa e com pouca casuística e por esta razão, com literatura escassa e deficitária de informações sobre conduta diagnostica e terapêutica.

Referências Bibliográficas:
BAINY, A. M,. Selênio na Nutrição Animal. Disponível em <https://pt.engormix.com/avicultura/artigos/nutricao-animal-selenio-t36925.htm>. Acesso em: 08 maio 2018.
DIAS, C. R. D,. Influência do exercício e da suplementação com vitamina E e Selênio sobre o hemograma, atividade de enzimas marcadoras de lesão muscular e índice de peroxidação de biomoléculas em cavalos de hipismo clássico submetidos à prova de saltos. Tese (Mestrado em Ciência Animal nos Trópicos) – Escola de Medicina Veterinária , Universidade Federal da Bahia . Salvador- BA, 2008.
HARRIS, P.A.; MAYHEW, I.G. Musculoskeletal disease. In: REED, S.M.; BAYLY, W.M. (eds.) Equine Internal Medicine, Philadelphia: W.B. Saunders, 1998, p. 371 – 426.
HINTZ, H.F. Equine nutrition update. In: AAEP Annual Convention, v. 46, 2000, p. 62 – 79.
NRC. Nutrient requirements of horses. 5 ed., Washington: National Academy Press,1989.
SUPLEMENTO de selênio para Cavalos. Disponível em: <http://www.226248.com/horses/horse-health/1009030008.html>. Acesso em: 08 maio 2018.
ORTOLANI, E.L. Macro e microelementos. In: SPINOSA, H.S.; GÓRNIAK, S.L.; BERNARDI, M.M. Farmacologia aplicada à Medicina Veterinária, 2002. p.641-651
Crinion R.A.P. & O’Connor J.P. 1978. Selenium intoxication in horses. Irish Vet. J. 32:81-86.
Stöber M. 1988 Intoxicaciones, p. 391-394. In: Enfermedades de los Bovinos. 1a ed. Editorial Hemisferio Sur, Montevideo
Hatch, R. C. 1992. Toxicologia Veterinária, p. 816-853. In: Farmacologia e Terapêutica em Veterinária. 6a ed. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro.
Draize J.H. & Beath O.A. 1935. Observations on the pathology of blind staggers and alkali disease. J. Am. Vet. Med. Assoc. 86(1):753-763.
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