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Manejo E Nutrição De Cavalos Atletas.

Manejo E Nutrição De Cavalos Atletas. 1

A domesticação dos equinos foi um fator muito importante para o desenvolvimento das civilizações asiáticas e européias. Com a evolução, os cavalos foram aumentando de peso e tamanho, mas conservaram em geral sua aptidão para o deslocamento rápido que servia para escapar de predadores e puxar, em grande velocidade, cargas cada vez mais pesadas. O animal foi empregado em diversos trabalhos, nas mais diversas condições, às vezes, muito duras, que muitas delas até hoje permanecem, como por exemplo, os cavalos de carroça. Porém, com nutrição adequada o cavalo provou ter boa adaptabilidade ao trabalho e melhor desempenho atlético.

É fundamental respeitar os limites do cavalo que a natureza impõe e conhecer as suas origens para evitar erros de manejo. Em um ambiente natural os cavalos se movimentam e passam 70% do tempo pastando, se alimentando com frequência e em poucas porções, já que seu estômago é pequeno em relação ao seu tamanho, tendo capacidade média de 15 litros.

Quando o cavalo fica alojado nas baias, nós selecionamos e fornecemos o alimento que o cavalo irá ingerir. O ideal é alimentar o cavalo em pequenas porções intervaladas a cada 2 horas (Exemplo), intercalando ração e feno/capim. O problema é que em muitos casos o cavalo passa 12 horas sem receber alimentos (Período noturno), o oposto da natureza, e isso traz diversos problemas como engolir ar (Aerofagia), comer fezes (Coprofagia), gastrite, entre outros problemas que em geral deixam o cavalo com manias e entediado. Um ponto muito importante e que parece simples é o fornecimento da água limpa, fresca e a vontade, mas a sua deficiência, ou baixa ingestão é prejudicial ao desempenho e saúde do cavalo. O cavalo pode perder toda a sua gordura corporal e metade de sua reserva de proteína, porém se perder 15% de sua reserva hídrica pode ser letal ao animal. O consumo diário varia de 2 a 3 litros de água para cada kg de matéria seca consumida no dia, podendo mudar de acordo com a prática de exercícios durante o dia. O volumoso deve ser no mínimo 50% da dieta do animal, sempre considerando a qualidade do alimento, pois a fibra é indispensável para o bom funcionamento do intestino. A ração (Concentrado) deve ser considerada um complemento do volumoso e não o inverso.

As necessidades energéticas são as mais importantes, pois é a base fundamental para uma boa performance esportiva. Devemos fornecer uma quantidade adequada de energia, de fonte facilmente assimilável pelo cavalo, isto é, que não gaste muita energia para ser aproveitada. A quantidade de energia a ser fornecida é variável, dependendo principalmente da quantidade do esforço a que o cavalo é submetido (Horas/dia). Em animais de esforço intenso, as necessidades energéticas dobram em relação à manutenção.

Sempre que vamos instituir uma nova dieta ao animal, devemos fazê-la com muito cuidado, pois mudanças bruscas na dieta podem levar os animais a problemas gastrointestinais graves. A nova alimentação deve ser feita de forma gradativa, afim de preparar o animal, e a instituição de concentrado deve ser feita com aumento gradativo, aumentando-se 0,5kg a cada 10 dias, nunca ultrapassando a quantidade de 1,2% do peso vivo do animal e não fornecer mais de 2kg por cada refeição, sempre dividindo em dois ou três fornecimentos diários.

Segundo CRUZ (2010), um ponto crítico no manejo alimentar do cavalo atleta é a falta de disponibilidade de volumoso de boa qualidade, principalmente em determinadas épocas do ano. Isto dificulta seu metabolismo e a transformação em fontes de energia, proteínas e vitaminas. A melhor maneira seria fazer a associação de gramíneas e leguminosas em épocas onde há forrageiras de baixa qualidade.

O volumoso oferecido ao cavalo atleta não deve ter um valor proteico acima de 10%, pois associado com a ração de alto teor proteico, dificulta o balanceamento da dieta. Devemos lembrar que o trabalho muscular é condicionado ao consumo de energia e não de proteína.

Cavalos atletas normalmente necessitam de mais energia e de minerais, como o sódio, cloro, potássio e cálcio. As exigências nutricionais dependem da intensidade, duração, tamanho do animal, peso do cavaleiro e do esporte praticado. Dietas não balanceadas podem trazer sérios danos ao animal, principalmente lesões relacionadas ao aparelho locomotor e digestivo. Dessa forma devemos tomar muito cuidado com a alimentação do seu animal. Sempre procure um médico veterinário para lhe auxiliar.

Texto por: Veronica Vieira, médica veterinária formada na UNESC- ES e médica veterinária residente na UENF- RJ em clínica e cirurgia de grandes animais. CRMV ES- 02171

Edição e Revisão: Deivisson Ferreira Aguiar – Médico Veterinário CRMV/ES 1569 – Muniz Freire/ES

REFERÊNCIAS

PRIMIANO, F.M. Manejo e nutrição do cavalo atleta. Petfood, Botucatu, n. 1, 2010.

MORGANO, E.; GALZERANO,L. Utilização de óleos em dietas para equinos. Revista Electrónica de VeterinariaRedvet, Sero´pedica, v 07, out. 2006

SANTOS et. al. Manejo Nutricional e Alimentar de Equinos – Revisão – Revista eletrônica Nutrimi – ISSN 1983 – 9006 / Artigo 174 – Volume 09 – Número 05 – p. 1911 – 1943 – Setembro / Outubro 2012.

CRUZ, K. L. C. Nutrição de cavalos atletas. Disponível em:http://www.purotrato.com.br/b-nutricao-de-cavalos-atletas.html. Acesso em: 7 de junho de 2016.

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