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Nebulização em Cavalos Atletas

Nebulização em Cavalos Atletas 1

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Nebulização em Cavalos Atletas 2

 

A terapia por aerossóis ou inalação de uma substância medicamentosa consiste em um método apropriado no tratamento de alguns distúrbios do sistema respiratório dos cavalos de esporte. Os medicamentos são depositados diretamente no trato respiratório, e em virtude disso, esse procedimento permite que seja usada dosagem menor da droga, além de outro fator favorável que é a rápida ação e menor ocorrência de efeitos colaterais da toxicidade sistêmica.  O aerossol contém o medicamento em forma de micropartículas que podem ser produzidas através de um nebulizador.

A deposição das partículas do medicamento nas vias respiratórias é determinada pelos diferentes tamanhos destas, sendo que, quanto menor a partícula, mais profunda será a deposição. A filtração realizada pelas fossas nasais faz com que partículas de 5 a 10 µm sejam absorvidas no trato respiratório superior, enquanto 90% das partículas menores que 0,5 µm serão eliminadas. A maior parte do medicamento em aerossol é depositada nos alvéolos (Partículas menores que 2 µm).

Existem dois mecanismos físicos que são os principais indutores para a deposição dos aerossóis no aparelho respiratório: Impactação inerte e sedimentação. A impactação inerte consiste em um evento que é produzido quando uma partícula possui energia cinética superior à imposição da força do fluxo aéreo, e pela inércia essas partículas vão penetrar na parede das vias respiratórias. Esse evento acontece principalmente nas curvas e bifurcações das vias aéreas, onde o fluxo inspiratório é mais turbulento. A sedimentação consiste em deposição das partículas maiores e que são capazes de penetrar na região periférica do trato respiratório. As partículas que tem entre 1 e 5 µm são submetidas ao movimento de descida, até serem depositadas nas paredes das vias respiratórias, sendo que a penetração dessas partículas vai acontecer principalmente pelo fluxo respiratório fraco que é provocado pela inspiração lenta e profunda. Isso ocorre principalmente nas vias aéreas mais profundas, onde o fluxo de ar é mais fraco e laminar. A sedimentação dessas partículas vai depender do tempo da pausa respiratória no fim da inspiração, permitindo assim o aumento do tempo necessário à deposição das partículas nas paredes dos brônquios.

Fatores como o diâmetro e a deposição das partículas de aerossol sofrem alterações e são influenciados pelas propriedades do próprio medicamento, como viscosidade, densidade, pressão superficial da solução nebulizada e crescimento higroscópico, assim como também por características do paciente, tais como anatomia fisiopatológica e modelo respiratório.

Através do estudo da cintigrafia é possível determinar e compreender aspectos que dizem respeito à deposição de partículas nos pulmões de grandes animais, e um estudo demonstrou, inclusive, que a deposição de partículas na área pulmonar dos equinos é menor do que no homem.

Nem todos os medicamentos usados de forma sistêmica podem ser usados para a inalação. Geralmente a solução a ser usada deve ser isotônica, uma vez que, soluções hipotônicas (Por exemplo) podem causar broncoconstrição.

 A terapia por aerossol pode ser produzida pela atomização de um líquido com o emprego de ar comprimido (Nebulização pneumática) ou vibração de um quartzo piezelétrico (Nebulização ultra-sônica). Os aerossóis podem ser administrados através do uso de um dosador de aerossol (MDI) ou ainda através de inalador de partículas secas (Dry powder inhalers – DPI). Todos os sistemas tem mecanismos que produzem partículas respiráveis, mas existe uma grande variação na eficiência do acesso dessas drogas nos pulmões, a depender da combinação de compressores e nebulizadores. Cada sistema de transporte e cada combinação de drogas também tem uma característica única de deposição, e essas particularidades deverão ser estudadas individualmente. Outro fato importante a se considerar é que a desinfecção do equipamento (Cúpulas, máscaras faciais) usado deverá ser sempre realizada, uma vez que o material poderá ser contaminado com bactérias ou fungos.

 A nebulização pneumática é realizada através de um potente compressor de ar que promove a geração de um fluxo de ar ligado ao medicamento líquido para assim produzir o aerossol. Através do mecanismo que altera a relação do fluxo gasoso, o tamanho das partículas de aerossol e a sua distribuição pulmonar poderão sofrer variações. A principal desvantagem deste tipo de sistema nebulizador é o barulho que o compressor produz, podendo incomodar o animal. A geração de um aerossol com diâmetro menor que 5 µm requer um mínimo de fluxo de ar de 6 a 8 L/min. Os nebulizadores pneumáticos que estão disponíveis comercialmente na medicina humana são mais baratos e de fácil utilização, mas infelizmente, o baixo fluxo de ar e a baixa pressão podem determinar o insucesso no uso desses equipamentos na medicina eqüina. Um outro aparelho foi então desenvolvido especialmente para ser usado em cavalos.

O cavalo deve ser condicionado ao uso do nebulizador. A máscara deve ser colocada sobre a boca e o nariz do cavalo com a válvula de saída traseira aberta para que o cavalo possa respirar normalmente. Ao cobrir as narinas e a boca do cavalo, a válvula traseira deverá ser fechada para iniciar o tratamento, fazendo com que ele respire apenas o ar que vem do equipamento. Se o cavalo se assustar durante o tratamento, recomenda-se a abertura da válvula para que entre mais ar do exterior e facilite a respiração.

Alguns medicamentos usados na medicina humana também são indicados em cavalos com problemas respiratórios. Os medicamentos mais utilizados são classificados de acordo com o mecanismo de ação no sistema respiratório, a saber, broncodilatadores (β2 agonistas, anticolinérgicos, derivados das xantinas), estabilizadores das células mastócitas; substâncias antiinflamatórias (Esteroidais e não-esteroidais); drogas de ação nos espaços mucociliares e antibióticos.

Dessa forma, pode-se concluir que o uso da nebulização consiste em uma via efetiva e favorável no tratamento de enfermidades respiratórias em cavalos atletas, como a obstrução recorrente de vias aéreas. Esse procedimento pode ser vantajoso pelo fato de que o animal permanece tranqüilo na maioria das vezes, a ação do medicamento é mais rápida, evita efeitos colaterais da administração sistêmica, e pode ser realizado inclusive durante viagens e competições. O entendimento das diferenças farmacológicas entre os medicamentos consiste em um dos principais fatores que determinarão o sucesso da terapia.

Texto por: Deivisson Ferreira Aguiar – Médico Veterinário CRMV/ES 1569 – Muniz Freire/ES

REFERÊNCIAS:

AINSWORTH, D. M. e BILLER, D. S. Sistema respiratório. In: REED, S. M. e BAYLY, W. M. Medicina Interna Equina, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 2000, p. 217-249.

SILVA, M. B.; DUVIVIER, D. H.; VOTION, D.; ART, T.; LEKEUX, P. Aerossolterapia nas doenças respiratórias em eqüinos. Braz. J. vet. Res. anim. Sci. São Paulo, v. 38, n. 2, p. 88-96, 2001.

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