Info Equestre
Neonatologia Edição 3° Ano 2018

Uso de plasma hiperimune em potros

Uso de plasma hiperimune em potros 1
v . 3 , n. 7 (2018)

Uso de plasma hiperimune em potros

Os potros ao nascerem não possuem imunidade contra os diversos microorganismos que podem desencadear processos infecciosos que causam diarreias e pneumonias, por exemplo, e até mesmo a morte do neonato devido ao tipo placentário da espécie equina. Erros de manejo, animais órfãos e a falha na imunidade passiva (imunidade transferida da mãe para a cria através do colostro) são alguns dos problemas que devem ser prevenidos para que haja menos perdas econômicas, ocorra o desenvolvimento normal e diminua a mortalidade desses animais nos momentos iniciais da vida. Em alguns casos, o plasma hiperimune pode ser mais uma alternativa nos primeiros dias de vida e até mesmo como reforço contra diversas doenças infecciosas em qualquer momento.
A placenta da égua é do tipo epiteliocorial difusa que promove uma barreira de seis camadas de tecidos entre a circulação do feto e a materna (Lang et al., 2007) Essas características explicam a importância da ingestão pelo potro de colostro, composto de leite e elementos do soro sangüíneo como as imunoglobulinas, principalmente a imunoglobulina G (Tizard, 2002), nas primeiras horas adquirindo defesa contra diversos agentes patogênicos (CUNNINGHAM & KLEIN, 2008), pois não há transferência transplacentária de imunidade nas espécies equina. A não ingestão desse colostro nas primeiras horas por diversos motivos como: falha na produção materna, morte da mãe, tempo decorrido até o potro levantar e realizar a primeira mamada trás diversos prejuízos às defesas contra infecções que podem culminar no desenvolvimento normal corporal prejudicado, nas perdas econômicas relacionadas aos tratamentos dessas afecções e até mesmo na morte quando não tomados os devidos cuidados com o neonato (CRUZ, 2011)
É importante saber também que essa imunidade adquirida pelo potro permanece ativa por apenas 23 dias em média e com duas semanas de vida já é possível detectar defesa do seu próprio organismo, ou seja, imunoglobulinas autógenas (PRESTES & LANDIM-ALVARENGA, 2006).
Podemos ter como solução de problemas relacionados à imunização passiva de potros a utilização de algumas medidas, dentre as quais, podemos citar: a colocação do potro com uma égua “ama de leite” que pode não apresentar bons resultados devido a rejeição do potro pela “ama”; o uso de substitutos de leite de égua como o leite de vaca ou de cabra (mais tolerável) pelo potro que devem ser adicionados outras substâncias para assemelhar ao leite da espécie equina, porém não possuem todos os constituintes e pode ocasionar distúrbios digestivos (leite de vaca) quando administrado de forma incorreta (Knottenbelt et al., 2004);

Desta forma, temos ainda como opção o uso do plasma hiperimune quando muitas das opções supracitadas falham ou não são viáveis. Este é constituído de um concentrado de anticorpos produzidos a partir da estimulação e consequente superprodução de anticorpos no organismo de um cavalo doador contra os principais agentes infecciosos que acometem equinos no país. O plasma hiperimune é retirado do sangue desses animas ao se separar as hemácias e utilizar a parte líquida ou plasma e as células de defesa ou anticorpos. O plasma deve ser congelado para ser armazenado. A administração deve ser feita de forma lenta e com o plasma na temperatura corporal depois de ter sido descongelado lentamente e utilizado nos primeiros dias de vida do potro onde conseguirá aproveitá-lo melhor, mas pode ser também utilizado em outros momentos como auxiliar no combate de doenças infecciosas. Algumas intercorrências podem surgir neste tipo de tratamento como choques anafiláticos apesar de simples e seguro, pois trata-se de anticorpos retirados de outro animal. Contudo, há testes que podem ser feitos previamente para evitar processos alérgicos (CRUZ, 2011).

É de suma importância que haja, então, o manejo e observação adequados desde o momento do parto, identificando possíveis problemas de ingestão pelo potro do colostro que deve ser feito nas primeiras horas, até posteriormente quando pode ocorrer a rejeição materna ou instalação de infecções. Sendo assim, o plasma torna-se uma opção que pode transparecer dispendiosa no início, mas que, devido ao custo-benefício comparado às despesas com tratamentos medicamentosos em casos de diarreias e pneumonias, acaba sendo compensador economicamente e também trás benefícios ao potro que pode desenvolver saudavelmente seu máximo potencial.

Autor: Diego Rodrigues Gomes
Acadêmico do 10° semestre da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica/RJ

REFERÊNCIAS
CRUZ, R. (6 de Junho de 2011). Utilização do Plasma Hiperimune. Ourofino saúde animal. Disponível em Ourofino: <https://ourofino.com/ourofinoemcampo/utilizacao-do-plasma-hiperimune/>. Acesso em: 20 de Abril de 2018
CUNNINGHAM, J. G.; KLEIN, B. G. Tratado de Fisiologia Veterinária. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. 506-516p.
KNOTTENBELT, D. C.; HOLDSTOCK, N.; MADIGAN, J. E. Equine neonatology. 1. ed. Saunders, 2004. 459-469 p.
Lang, André; de Souza, Maria Verônica; Patarroyo Salcedo, Joaquim Hernán; Sossai, Sidimar; Roldi de Araújo, Reno; Guimarães Lourenço, Gilberto; Maia, Leandro. IMUNIDADE PASSIVA EM EQÜINOS: COMPARAÇÃO ENTRE A CONCENTRAÇÃO DE IgG DO SORO MATERNO, COLOSTRO E SORO DO NEONATO. Revista Ceres, vol. 54, núm. 315, septiembre-octubre, 2007, pp. 405-411
PRESTES, N., C.; ALVARENGA, F. C. L., Obstetrícia Veterinária. 1. ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2006. 28-39/161-163p.
Tizard IR (2002) Imunologia veterinária, 6 ed. São Paulo: Roca. 532p.
SILVA, Elisa Sant’Anna Monteiro; SCALCO, Elisa Maciel; LAMBERTI, Marcela Simões; SURIAN, César Rodrigo de Souza; PUOLI-FILHO, José Nicolau Próspero. CUIDADOS COM O POTRO ÓRFÃO: REVISÃO DE LITERATURA. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. Ano XI. Número 21. São Paulo: Editora FAEF, 2013

[armelse] [/arm_restrict_content]

Posts relacionados

Uveíte Recorrente Equina

Redação InfoEquestre

Neonatos Equinos: Do nascimento aos primeiros cuidados (Parte 1)

Redação InfoEquestre

Aplicação do método de Madigan para suporte de potros recém nascidos (Madigan Foal Squeeze)

Redação InfoEquestre

Deixe um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Aceitar Mais

Política de Privacidade e cookies
error: Conteúdo protegido !!