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7 Fatores de Risco para Artrite

7 Fatores de Risco para Artrite 1
V.5, Ed.1, N.194(2020)

7 fatores de risco para artrite

Tradução e adaptação por DIAS, M.A.O. – graduanda do 8º módulo de Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Lavras

 

É impossível saber exatamente o que o futuro reserva para as articulações de seu cavalo, mas analisando seu passado e avaliando sua situação presente, é possível se preparar para o que pode vir pela frente.

De certo modo, a artrite é inevitável. Praticamente qualquer cavalo que viva o suficiente, desenvolverá um pouco de “rangido” em pelo menos uma articulação. Esse tipo de artrite é simplesmente o subproduto de uma vida longa e ativa e é fácil de controlar com o uso de suplementos dietéticos e/ou doses ocasionais de medicamento.

Mas outros casos de artrite representam um desafio maior. A deterioração das articulações que se desenvolve no início da vida de um cavalo ou progride até o ponto em que suas atividades diárias são adversamente afetadas, pode ser o fim das atividades atléticas e até mesmo uma ameaça à vida. Nesses casos, uma intervenção significativa, incluindo terapias de ponta, pode ser necessária para manter a condição sob controle e o cavalo confortável.

É impossível saber com certeza que tipo de artrite um cavalo pode desenvolver, mas você pode se preparar para a mais provável, observando os fatores de risco específicos em seu passado e também em sua situação atual.

Alguns deles não podem ser mitigados – “o que está feito, está feito” – mas, saber que aconteceram pode colocá-lo em alerta para os primeiros sinais de artrite, permitindo que você obtenha um diagnóstico precoce e comece a tratar esta condição. Outros fatores de risco podem estar em andamento, o que significa que você ainda pode tomar medidas para eliminar ou reduzir seus efeitos.

Aqui está um resumo de eventos e condições que colocam seu cavalo em uma categoria de risco mais elevado para o desenvolvimento eventual de artrite.

1º fator de risco: doenças ortopédicas do desenvolvimento (DOD)

O termo “doença ortopédica do desenvolvimento” (DOD) se aplica a um conjunto de anormalidades ósseas e articulares que surgem quando há alterações ou intercorrências no processo de conversão da cartilagem em osso em um potro em crescimento.

A osteocondrite dissecante (OCD), por exemplo, ocorre quando a cartilagem é muito espessa para ser suficientemente permeada por vasos sanguíneos e o osso abaixo dela desenvolve pontos fracos e vazios chamados de “lesões”. Na epifisite, as áreas de cartilagem em crescimento na extremidade dos ossos não conseguem suportar o peso do potro, levando à inflamação nas áreas sob estresse.

Algumas raças e linhagens são geneticamente propensas à desenvolver DOD, mas uma dieta rica em proteínas aumenta muito o risco para qualquer potro, assim como a falta de movimentação e/ou exercícios forçados na guia e cabresto. As DODs são manejadas com mudanças na dieta e, em casos graves, cirurgia para remover cartilagem e osso danificados.

Com intervenção e cuidado precoces, muitos potros com DOD podem crescer e se tornarem cavalos saudáveis ​​e ativos; mas alguns estudos sugerem que o dano causado a uma articulação imatura, especialmente se for por pequenos fragmentos osteocondrais, pode levar à artrite em algum momento da vida do cavalo.

Garantir que um potro jovem tenha uma dieta adequada e um nível de atividade razoável não apenas ajudará a prevenir as DODs a curto prazo, mas também podem resultar em anos de saúde mais tarde. Se o seu cavalo já cresceu, mas você sabe que ele teve DOD quando jovem, fique atento aos primeiros sinais de artrite para começar a intervenção o mais rápido possível.

2º fator de risco: lesão musculoesquelética significativa

Lesões nos ossos ou tecidos moles podem contribuir para a artrite de várias maneiras. A primeira é óbvia: uma inflamação súbita e massiva após uma lesão grave pode levar à destruição da cartilagem e causar uma condição para o desenvolvimento da artrite. Da mesma forma, ferimentos penetrantes, como feridas de punção, são particularmente devastadores para as articulações, porque podem introduzir microrganismos no espaço articular.

O trauma musculoesquelético também pode aumentar a probabilidade de artrite de maneira indireta. A inatividade e a perda de condicionamento resultante do descanso necessário para a recuperação de um trauma podem predispor a artrite, por exemplo. Além disso, quaisquer posturas e movimentos compensatórios que o cavalo use para poupar um membro dolorido, mesmo por um curto período de tempo, podem causar estresse em outras articulações.

Se o seu cavalo sofrer uma lesão, é claro que inicialmente você se concentrará em ajudá-lo a se curar e recuperar. Mas, ao fazer isso, tenha em mente as possíveis consequências dessa lesão à longo prazo. Pergunte ao veterinário se existem medidas que você pode adotar para minimizar o risco de artrite no futuro. Isto pode  envolver suplementos alimentares e/ou técnicas específicas de reabilitação e recondicionamento.

3º fator de risco: treinamento pesado antes da maturidade física

Um dos movimentos mais inteligentes que você pode fazer no início vida atlética de seu cavalo é começar devagar. A cartilagem de um cavalo jovem ainda está se formando e não é capaz de suportar atividades pesadas ou repetitivas. É mais provável que seja danificada e menos provável que seja capaz de se curar, levando ao desenvolvimento de artrite precoce e, possivelmente, grave.

A rapidez com que um cavalo jovem consegue lidar com o treinamento depende muito de sua raça: o Warmblood precisa de mais tempo para desenvolver, enquanto o Quarto de Milha pode estar pronto para treinamento com menor idade.

Há também variações individuais, portanto, um potro que não parece tão desenvolvido fisicamente quanto seus colegas da mesma idade, provavelmente não é mesmo. Quando você colocar um cavalo jovem para trabalhar, vá devagar.

Lembre-se de que movimentos em curvas fechadas é particularmente difícil para as articulações, portanto, limite a quantidade de trabalho feito em pequenos círculos ou com curvas fechadas e resista ao impulso de realizar treinamentos repetitivos. Além disso, certifique-se de disponibilizar muitos dias de descanso.

Finalmente, deixe de lado as metas competitivas se seu cavalo jovem não aparentar estar se adaptando bem à rotina. Adiar uma competição ou duas agora é um pequeno preço a pagar pelo vigor nos anos que virão.

4º fator de risco: cuidados com ferraduras pobres ou inconsistentes

Os desequilíbrios do casco colocam pressão em todas as articulações acima deles. Quer se trate da pinça alongada e talões baixos ou crescimento excessivo resultante de casqueamentos inconsistentes, os cuidados com a ferradura desleixada contribuem diretamente para o desenvolvimento da artrite.

Um casqueamento ruim ou inadequado não levará necessariamente a claudicação imediata – os cavalos são bons em compensar desvios à curto prazo – o que pode dificultar a detecção de um trabalho ruim. Mas os danos subclínicos causados ​​por desequilíbrios nos cascos afetam as articulações, levando à artrite anos depois.

Selecionar o ferrador certo, então, é a chave para prevenir a artrite. Uma abordagem inteligente é buscar recomendações de outros proprietários que participam dos mesmos esportes ou atividades que você pratica: se você compete nas rédeas, por exemplo, procure o ferrador que cuida dos melhores cavalos da área. Também peça recomendações ao veterinário.

Depois de escolher um ferrador, siga uma programação regular para aparar e ferrar. Não espere até que os cascos cresçam demais para chamar um profissional. Agende visitas em intervalos regulares e, em seguida, cumpra essas datas.

5º fator de risco: longos períodos de inatividade

Articulações saudáveis ​​dependem da saúde das estruturas próximas. Os tendões, ligamentos e músculos ao redor de uma articulação ajudam a sustentá-la enquanto o cavalo se move. Se essas estruturas estiverem fracas, a articulação pode se tornar instável, levando à artrite com o tempo.

Um cavalo fora de forma pode não ser manco ou parecer biomecanicamente comprometido, mas sua falta de preparação física está silenciosamente comprometendo suas articulações.

O movimento também ajuda a manter as articulações lubrificadas, movendo o fluido sinovial pelo spaço articular. Observe como seus próprios joelhos podem ficar rígidos após um longo período sentado.

É claro que algumas semanas de descanso relativo entre as temporadas de competição não farão com que um cavalo perca condicionamento suficiente para ameaçar a saúde das articulações. Mas, períodos prolongados de inatividade sim.

E não é apenas a falta de movimento durante esses períodos que é problemático, mas também o risco de estresse e lesões quando o cavalo retorna aos treinos. Quanto mais velho um cavalo, mais difícil é trazê-lo de volta à boa forma. Adicionando um toque de artrite relacionada à idade a essa equação e um cavalo mais velho terá dificuldade excessivas para voltar de um longo período de inatividade.

Portanto, faça tudo o que puder para manter seu cavalo ativo e em forma o ano todo. Mantenha-o em um programa de exercícios regulares e o retire da baia e o deixe com outros animais ativos sempre que possível. Tente manter esse esquema conforme ele envelhece, mesmo (e principalmente) se ele desenvolver artrite.

Embora seu primeiro instinto possa ser deixar um cavalo com artrite na baia, a atividade física é crítica para manter a condição sob controle, tanto estimulando o movimento do fluido sinovial dentro da articulação quanto mantendo as estruturas ao redor saudáveis ​​e fortes. O exercício regular em um grande espaço com um rebanho amigável é uma parte importante do controle da artrite, assim como a equitação controlada.

6º fator de risco: muito trabalho sem descanso suficiente

Embora a inatividade possa ser um fator de risco para artrite, o exercício excessivo também pode. Sem dias periódicos de descanso, o corpo de um cavalo não consegue controlar os pequenos processos inflamatórios que podem ser uma consequência natural de qualquer atividade. Mas realizar atividades físicas continuamente aumenta a cascata inflamatória, levando à artrite.

Para cavalos de passeio, o tempo de inatividade não é muito difícil de programar. Um dia de folga depois de um passeio em trilha mais longo que o normal ou um fim de semana de muita atividade, geralmente, coincide com os horários programados pelo cavaleiro.

Mas para cavalos que participam de diversas competições em sequência ou aqueles que são usados para trabalhos diários, como cavalos de competição ou de fazenda, agendar dias de folga pode exigir planejamento e compromisso.

Mas é fundamental fazer isso. Durante aqueles dias “de folga”, a atividade física em um grande espaço com um companheiro equino amigável é ideal para permitir que o cavalo descanse enquanto ainda pratica  atividade  suficiente para evitar a rigidez muscular e manter o fluido articular em movimento.

7º fator de risco: Obesidade

A obesidade geralmente vem com a falta de condicionamento físico, mas também conta como fator de risco para artrite. O peso extra que as articulações de um cavalo com sobrepeso devem suportar a cada passo multiplica as tensões relacionadas a qualquer atividade.

Considere a tendência dos cavalos de tração de desenvolverem artrite e ringbone; o simples tamanho desses cavalos os torna suscetíveis, mesmo se eles não estiverem acima do peso. E quanto mais anos passa para um cavalo com sobrepeso, mais danos são causados; nunca é tarde demais para tentar reduzir o peso corporal de um cavalo.

Uma dieta comercial pode ser utilizada regularmente, mas ainda carrega calorias extras. Nesse caso, você precisa reduzir as calorias que o cavalo ingere todos os dias. Não ceda à sensação de que você “precisa” alimentar um cavalo ativo com alto teor calórico.

O feno de boa qualidade sozinho pode fornecer nutrição suficiente para muitos cavalos. Se você não consegue encontrar feno de boa qualidade ou não consegue superar a sensação de que deve fornecer alimento no coxo para o cavalo todas as noites, procure uma ração balanceada que forneça nutrição, sem as calorias desnecessárias.

Além disso, considere reduzir o tempo de pastejo quando as pastagens são abundantes. Ao reduzir as calorias, mantenha-o ativo e monitore seu peso. Se ele perder muito, você precisa ajustar a dieta.

Um cavalo obeso e fora de forma representa um desafio particular. Além de mudanças na dieta, você também precisará aumentar a atividade dele para reduzir o peso, mas trabalhar muito cedo pode causar estresse ou lesões que aumentam o risco de artrite.

Consulte um treinador de confiança ou veterinário para elaborar um programa de condicionamento progressivo e uma dieta adequada, considerando as atividades e as limitações do seu cavalo. Depois, ao observar as mudanças no peso dele, fique atento aos sinais de que pode estar forçando-o demais no treinamento físico.

Um pouco de artrite não vai arruinar os melhores anos de seu cavalo, mas mudanças precoces ou debilitantes na saúde das articulações podem ser devastadoras. Olhar para as experiências passadas e atuais de seu cavalo pode ajudá-lo a determinar se é provável que você enfrente esse desafio, bem como fornecer algumas pistas de como você poderá administrar ou mesmo alterar o que o futuro reserva para as articulações dele.

 

Texto original por Barakat, C. Disponível em: <https://equusmagazine.com/horse-care/arthritis-risk-factors.>

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