Info Equestre
Notícias Edição 5º Ano 2020

Alimentação do Equino Idoso

Alimentação do Equino Idoso 1
V.5, Ed.1, N.187(2020)

ALIMENTAÇÃO DO EQUINO IDOSO

(Elderly Horse Feeding)

MORENO, A. P.

“Graduanda em Medicina Veterinária – Centro Universitário Moura Lacerda”

RESUMO

A alimentação adequada dos equinos, além do manejo e manutenção odontológica, é decisiva no processo de evitar cólicas em equinos em especial os idosos que são mais sensíveis do que os adultos, quando o equino se torna idoso seu metabolismo também se altera mudando suas necessidades de suplementação alimentar pois ocorrem alterações naturais em seu organismo que dificultam a absorção, manutenção de peso além de algumas falhas na dentição. O manejo e a alimentação inadequada de equinos senis podem diminuir sua expectativa de vida além de ocasionar prejuízos em seu bem-estar e econômicos para o proprietário.

PALAVRAS-CHAVE: cavalo, senilidade, manejo, particularidades

 

ABSTRACT

The adequate equine alimentation beyond management and odontologic maintenance is a decisive process to avoid equine colic specialy in senil horses that are more sensible than adults. When a horse turns old them metabolism and suplemantation needing also changes, the organism start to have some dificulties to absorb some nutrients, to maintenance of weight and there´s a lost of some teeth. An incorrect menagement and alimentation of senile horses may reduce them live expectation beyond prejudice animal walfare and economic to the owner.

KEY-WORDS: horse, senility, management, particularities

 

INTRODUÇÃO

MCINSTOSH 2012, relata que 7,5% dos cavalos dos Estados Unidos são idosos com mais de 20 anos. Os critérios para definir um equino velho é subjetivo, o que torna desafiador saber quando deve ser feita a mudança da sua alimentação, apenas a idade cronológica não é suficiente para classificar um equino como senil, além dela deve-se levar em conta a idade fisiológica e demográfica levando em consideração qual a idade média de vida dos equinos da região.

Estima-se que 20% da população dos equinos são idosos com mais de 15 anos de idade. Um dos principais sinais de idade avançada em equinos é o desgaste dos dentes, situação que pode atrapalhar na digestão e no ganho de peso e isso deve ser levando em conta na estipulação da dieta.

De acordo com RALSTON, na dieta de equinos geriátricos deve haver suplementação com antioxidantes como a vitamina C, óleo de girassol, linhaça ou de soja, cevada desidratada e leveduras de cevada associados à açúcar ou amido, além de maior ingestão de proteínas e fósforo.

Muitos equinos geriatras possuem deficiência na dentição e dificuldade na absorção de alguns minerais, o que faz com que percam ou tenham dificuldade em ganhar peso, cavalos com mais de 20 anos podem ter adenomas de pituitária ou tireóide e reduz a resposta a dexametasona e insulina.

Assim como os humanos, os equinos são seres individuais e variam em seu grau de consciência de espaço, indivíduos e desenvolvimento de mais ou menos doenças que acompanham a senilidade como perda de peso e diminuição da condição corporal, perda de massa muscular, balançar para trás, profundidade acima dos olhos, acizentamento do pelo, problemas odontológicos, síndrome metabólica equina com laminite e resistência a insulina, síndrome de Cushing, artrite e disfunção renal e hepática.

DISCUSSÃO

Em sua maioria, a alimentação do equino idoso pode ser igual à do adulto sem maiores problemas, porém é preciso observar as mudanças físicas no animal a fim de fazer a reposição do nutriente que mais se necessita. Apesar disso, estudos mostram que os equinos senis possuem maior dificuldade em digerir alguns componentes que podem causar diminuição da energia, proteínas, aminoácidos e micronutrientes essenciais, probióticos e prebióticos também são bons para reestabelecer a flora intestinal e favorecer absorção.

Éguas idosas possuem um nível plasmático de vitamina C menor do que éguas mais jovens sendo necessário fazer a suplementação para melhora da imunidade e evitar doenças virais e diminuição de linfócitos no sangue o que as torna propensas a doenças infecciosas.

Equinos idosos podem e devem ser alimentados com ração própria para crescimento pois suas necessidades de proteínas, cálcio e potássio são semelhantes ás dos potros em fase de crescimento, é necessário que a alimentação tenha um nível proteico superior a 14%, suplementação com aminoácidos como a lisina e a treonina para manutenção de massa muscular com maior suplementação de fósforo em relação a equinos jovens, manter cálcio e fósforo na proporção de 1:5:1 e fibras com digestibilidade maior, sal e água potável à vontade, evitando constipações que são comuns em equinos dessa faixa etária.

A forragem deve ser sempre de boa digestibilidade e qualidade para compensar os problemas de absorção, a alimentação de um equino deve ser no mínimo 1,5% de seu peso para que adquira um score corporal recomendado.

Apenas a alfafa não é recomendada para equinos senis pois há alto teor de cálcio que pode causar insuficiência renal, para equinos com poucos dentes é recomendado formas alternativas de se fornecer o volumoso como por exemplo capim picado ou em pallet que facilitam a ingestão e diminuem a necessidade da mastigação, pode-se também fornecer ração comercial extrusada ou em pallet que são mais fáceis de se ingerir e tem digestibilidade maior do que as texturizadas.

Comidas amassadas devem ser feitas em consistência de sopa para evitar sufocação, são uma boa opção pois além de ser um alimento completo ainda aumenta a ingestão de água.

Equinos com síndrome metabólica e síndrome de Cushing devem consumir menor quantidade de açúcar e amido. O hormônio cortisol produzido quando o animal realiza atividade física atua muito bem como um anti-inflamatório em animais jovens, porém em animais idosos ele não atua tão bem, tornando-os mais suscetíveis a lesões e processos inflamatórios.

O cavalo idoso, portanto além de não ser protegido por propriedades anti-inflamatórias naturais e serem mais predispostos ao desenvolvimento de artrite ainda não apresenta um ciclo metabólico de glicogênio tão intenso.

É possível utilizar um anti-inflamatório não esteroidal (como a fenilbutazona) no caso de dores, inflamações e claudicação; porém essa prática prejudica o estomago do animal podendo causar gastrite. É melhor portanto fazer um tratamento com a suplementação de condroitina e glucosamina quando necessário, que são componentes naturais das articulações, associado a exercícios leves regulares.

Além disso, a baia deve possuir uma cama alta o suficiente para fornecer conforto e baixa o suficiente para não dificultar o momento em que o animal irá levantar-se.

Equinos com problemas renais devem evitar o exagero de cálcio, proteínas e fósforo, cavalos acometidos com problemas hepáticos devem consumir menos gorduras e proteínas.

No momento da alimentação os equinos idosos devem ser separados dos demais a fim de garantir que tenham acesso a comida, deve ser alimentados várias vezes ao dia e uma porção nunca deve ser superior a 2,260 kg.

Lembrando que não é recomendado que o animal consuma braquiária por conta da alta quantidade de ácido oxálico que impede que o cálcio seja absorvido pelo animal, além da fotossensibilização causada por um fungo que tem a braquiária como seu hospedeiro.

CONCLUSÃO

Com o aumento da longevidade dos equinos a alimentação balanceada do equino idoso é de ampla importância para sua manutenção de peso, absorção de nutriente necessários e bem estar, sendo assim é importante sempre manter consultas pariódicas com o médico veterinário para que seja feita uma avaliação ampla do animal considerando sua invidualidade e fazendo manutenção odontológica a fim de preservar sua qualidade de vida e evitar doenças.

BIBLIOGRAFIA

Alfafa na alimentação equina: a rainha das forrageiras. Portal escola do cavalo. Online. Disponível em: http://www.escoladocavalo.com.br/2018/12/27/alfafa-na-alimentacao-equina-a-rainha-das-forrageiras . Acessado em: 20. Jun. 2020.

MCINTOSH, B. Feeding and nutrition for the senior horse. Tenesse E-quine Report. v.2, n.4, 2012.

MEYER, H. Alimentação de cavalos. Livraria Varela, 1995.

Nutrientes essenciais na dieta equina. Revista Veterinária,2014. Online. Disponível em: http://www.revistaveterinaria.com.br/nutrientes-essenciais-na-dieta-equina/ . Acesso em: 20. Jun. 2020.

 

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