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Uso do Canabidiol em Equinos

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USO DO CANABIDIOL EM EQUINOS

As mudanças feitas na legislação agrícola dos Estados Unidos em 2018 abriram uma grande porta de entrada para produtos derivados do cânhamo. Existe uma grande variedade de produtos a base de canabidiol para uso humano, e recentemente estão surgindo produtos destinados aos equinos.

Os derivados do cânhamo no mercado prometem ser uma resposta para as orações de proprietários de cavalos com problemas articulares, mas algumas questões ainda permanecem: Quais são esses produtos? Podemos usa-los? Como devemos usar eles? Eles são o que nós queremos?

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Em 20 de dezembro de 2018, o presidente assinou o novo Farm Bill – um tratado sobre a legislação agrícola norte americana- regularizando assim o cultivo do cânhamo nos Estados Unidos.

Esta nova indústria embora bastante conturbada, não demorou a lançar rapidamente inúmeros produtos tanto para humanos como para o mercado equestre. Particularmente em estados onde já existia a legalização e também nas mídias sociais, o uso do CBD esta sendo promovido como um produto milagroso, capaz de resolver todos os problemas e curar as mais diversas enfermidades, desde dores de cabeça até câncer, e promete ser capaz de acalmar cavalos com problemas de personalidade tão graves que poderiam leva-los a morte.

Mas, o que é realmente o CBD? Ou, nesse caso, o que é a cannabis e o que é o cânhamo? Podemos nos drogar com isso? É tóxico para os nossos animais? Quanto devemos usar? E, finalmente, em quais produtos podemos confiar?

DE VOLTA AOS PRINCÍPIOS

O cânhamo tem uma fascinante história, que começa como sendo uma das primeiras culturas agrícolas. Sem ir muito fundo, alguns destaques da história do cânhamo incluem o seu uso em navios de guerra norte americanos durante a Segunda Guerra Mundial; O próprio Henry Ford construiu um carro de cânhamo em 1942, no mesmo ano em que os EUA anunciou a frase: “cânhamo para Campanha da vitória”, que fez os agricultores cultivarem sua colheita para o esforço de guerra; e, atualmente, a Porsche revisitou o esforço de Ford, lançando seu carro de corrida de US $ 175.000 que substituiu a fibra de carbono pelo cânhamo.

Então, se o cânhamo é tão versátil e útil (algumas fontes dizem que tem mais de 50.000 usos), por que estamos ouvindo sobre isto apenas agora? Resposta curta: Política (um tópico que não abordaremos aqui). Segunda resposta curta: Desinformação e preconceito que persistem até hoje.

O cânhamo teve problemas com a Lei de Imposto sobre a Maconha de 1937, que um induziu um colapso em todas as vendas de produtos relacionados. A maconha e cânhamo provêm da planta do gênero cannabis por isso desde 1937 estes derivados foram agrupados em um mesmo grupo e vistos da mesma forma: como drogas recreativas.

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A maconha é potente no THC (tetra-hidrocanabinol), que é o agente psicoativo. O cânhamo, por outro lado, produz uma abundância de CBD (canabidiol), que não causa alterações de consciência. Ambas plantas podem produzir THC e CBD, mas para que a planta seja definida legalmente como cânhamo (e, portanto, legal de acordo com a lei agrícola de 2018), deve conter menos de 0,3% de THC.

Essa pequena quantidade é referida como uma “quantia rastreável”, não é o suficiente para causar alterações de consciência, mas se torna evidente em exames de sangue.

Para jovens, especialmente os que praticam esportes no ensino médio ou na faculdade, esse é um detalhe importante, porque não existe uma política que diferencie o uso medicinal do uso recreativo, portanto qualquer evidência de THC na corrente sanguínea pode trazer consequências, por exemplo, para atletas no antidoping.

O mesmo acontece com equinos atletas, o regulamento do país onde será realizada a prova deve ser verificado pelos responsáveis. Os profissionais da equipe devem saber que o uso de óleo CBD em todos os equinos e bovinos usados em concursos e exposições é proibido pela PRCA em todos os rodeios sancionados, e permanecerá proibido até que mais pesquisas se tornem acessíveis.

Como a indústria do cânhamo dos EUA movimenta cerca de 1,4 bilhões de dolares por ano, seria prudente esperarmos que regulamentos em todos os níveis de governo (de ligas esportivas e associações a governos estaduais e política federal) tenham muitas mudanças nos próximos anos.

Leia também: o uso da maconha medicinal em equinos

Mesmo que o governo federal dos EUA tenha assinado autorização ao cultivo de cânhamo, o que realmente aconteceu foi um convite aos estados a participar de um programa federal para a legalização do seu uso. Ainda havia nove estados (e Washington, D.C.) não participando do programa e que, portanto, ainda consideram o cânhamo ilegal. Como resultado, as pessoas que atravessam fronteiras estaduais geralmente não percebem que as regras e regulamentos são extremamente inconsistentes.

HISTORIA DO CANABIDIOL

  • 1839

O médico irlandês William O’Shaugnessy publicou um estudo sobre os efeitos medicinais da

cannabis, particularmente como anestésico.

  • 1940

O Canabidiol (CBD), um canabinóide encontrado na planta de maconha, é descoberto pelo químico americano Roger Adams.

  • 1978

O Novo México reconhece legalmente os valores medicinais da cannabis após o isolamento controlado das substâncias terapêuticas

  • 1980

O Dr. Israel Raphael Mechoulam publica um estudo sobre os efeitos positivos do tratamento de pacientes epilépticos com CBD.

  • 1988

Pesquisadores descobrem receptores canabinóides no cérebro de um rato.

  • 1995

Os receptores canabinóides são descobertos em humanos, levando à realização de estudos sobre o Sistema Endocanabinóide (ECS).

  • 2004

A descoberta de que doenças humanas como enxaquecas, fibromialgia, IBS e outros parecem estar relacionadas a deficiências endocanabinóides (sugerindo que essas doenças podem ser tratadas com canabinóides).

  • 2009

Descoberta dos efeitos anti-inflamatórios dos canabinóides

  • 2017

O mercado de CBD derivado do cânhamo nos EUA rendeu 190 milhões de dólares; o mercado pet movimentou 13 milhões de dólares através do canabidiol.

  • 2018

U.S. Food and Drug Administration aprovou o Epidiolex, um medicamento a base de CBD que trata as convulsões na síndrome de Dravet e na Síndrome de Lennox-Gastaut.

A revista Frontiers in Veterinary Science publica um estudo da Faculdade de veterinária da Cornel University mostrando que o tratamento com CBD em cães resultou na diminuição da dor e aumento da atividade com proprietários, sem efeitos colaterais.

Os produtos a base de CBD começam a chegar às prateleiras de grandes varejistas na indústria.

  • 2019

A FDA anuncia que está se preparando para construir uma agência interna para regular o canabidiol sob a Lei Federal de Alimentos, Medicamentos e Cosméticos e Lei de Serviço de Saúde Pública.

A CIÊNCIA POR TRÁS DO USO DO CBD

2019 marca o 180º aniversário do primeiro estudo publicado sobre o uso medicinal da maconha em 1839. Diversos outros estudos foram realizados desde então, mas foram amplamente ignorados. Porém em 1980 uma pesquisa inovadora conduzida pelo Dr. Raphael Mechoulam em mostrou que sete em cada oito pacientes epilépticos obtiveram resultados transformadores através do tratamento com CBD.

A pesquisa então se concentrou em entender como a cannabis interagia com o corpo. Em 1995, foi descoberto que mamíferos, incluindo humanos, são equipados com um sistema endocanabinóide (ECS), que regula as funções corporais, incluindo dor, sono e apetite, por exemplo.

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O ECS cria canabinóides e possui receptores por todo o corpo: na pele, no cérebro, sistema nervoso, ossos, etc. Exclusivamente, a planta de cannabis também produz canabinóides (CBD e THC são os mais estudados dos 113 Canabinóides conhecidos), que se encaixam nos receptores ECS como o modelo de chave e fechadura. Portanto, se houver um desequilíbrio ou deficiência no ECS, pode ser benéfico suplementar o sistema com canabinóides exógenos como CBD de cânhamo.

Mesmo com uma longa história de pesquisas cientificas legitimas, a cannabis tem tido uma batalha ascendente entre os pesquisadores por causa de sua classificação federal como uma droga recreativa. Com a separação legal do cânhamo, primo da maconha sem THC, muitos veterinários estão ansiosos para ver o que esta planta pode oferecer a seus pacientes de quatro patas.

Até então, não há escassez de reivindicações anedóticas sobre o que CBD pode e fez por nós e nossos animais. Muitas vezes, um proprietário que procura resultados para uma doença notará uma mudança positiva em outros aspectos da saúde de seus animais e se tornará um defensor do produto, admitindo a reivindicação do status de “droga maravilhosa”.

Na realidade, os produtos a base de CBD têm o potencial para tratar várias doenças devido à natureza do ECS, mas é importante lembrar que não existem dois animais iguais e com um sistema ECS igual, o que significa que cada um terá sua própria experiência com o produto.

Além disso, embora ainda não esteja comprovado em animais (com exceção de ratos e camundongos), existem mutos estudos que documentam a eficácia do CBD no manejo da inflamação, convulsões e ansiedade, e também demonstra que pode ser eficaz no tratamento da dor crônica.

O HempMy Pet, do Colorado, por exemplo, está prestes a publicar os resultados positivos de seu estudo com o curso de medicina veterinária da Universidade Estadual do Colorado e o Centro de Controle da Dor Downing sobre a eficácia do seu produto para tratamento de cães com dor crônica.

As universidades CSU e Cornell também já publicaram outras descobertas em outras espécies, mas por enquanto, a pesquisa focada em equinos é apenas demonstrada por empresas como a HempMy Pet, com produtos CBD equinos, impulsionando a demanda por outras pesquisas.

Kahm CBD, uma empresa com sede em Nevada, teria começado a pesquisar o impacto de seus pellets em cavalos com artrite grave e síndrome do navicular e antecipa que os resultados serão publicados em parceria com universidades até o final do verão. Da mesma forma, o VetCS do Colorado vem fazendo exames de sangue em outra laboratório universitário para determinar a meia-vida do CBD em cavalos.

“A meia-vida é o tempo em que o principio ativo atinge seu pico de concentração mais eficaz”, explicou Trish Wilhelm, CVT, um veterinário certificado pelo conselho de cannabis, e co-proprietário da VetCS com Chelsea Luedke, DVM.

“No momento, foi documentado e comprovado que os cães têm uma meia-vida para o CBD de quatro horas em seus sistemas, então, nas primeiras quatro horas é quando a droga é mais eficaz, mas permanece no sistema durante oito horas completas. Em cavalos, no entanto, encontramos em nossos próprios estudos que a meia-vida na verdade é o dobro disso, cerca de oito horas. Por isso, para cavalos, nós, como empresa, consideramos a necessidade de dosar apenas uma vez por dia.”

BOAS PRÁTICAS

A dosagem ainda pode causar um pouco de confusão para o proprietário do cavalo. Os valores recomendados variam de acordo com o fabricante, assim como intervalos de aplicação. A razão disso, mais uma vez, é porque não existem pesquisas oficiais, testadas e comprovadas para se apoiar. Por esse motivo, Wilhelm recomenda o lema “baixo e lento”, que consiste em iniciar o tratamento com uma dose baixa e aumentar lentamente até que se consiga reconhecer melhorias no quadro, necessitando aguardar até 48 horas antes de decidir que a dose utilizada não será suficiente.

Apesar desse conselho, os proprietários devem sempre consultar seus veterinários para decidir o plano terapêutico. Os veterinários já sabem que no tratamento em cães o CBD possui interação com outros fármacos.

“Nós sabemos, especificamente, que o CBD é metabolizado através das enzimas P450 no fígado”, disse Wilhelm. “Então quaisquer medicamentos concorrentes que estes animais estejam usando, tem o potencial de ter seus níveis plasmáticos aumentados e podem potencializar seus efeitos”. Diferentes tipos de produtos podem ser mais eficazes para diferentes objetivos.

Os produtos com CBD derivado do cânhamo estão disponíveis para equinos em diferentes formulações como em tinturas, pastas, pellets e pós (nos estados onde são legalizados).

Pastas e tinturas, por exemplo, podem oferecer a conveniência de poder dosar em qualquer lugar, a qualquer hora e podem ser mais adequados para tratar problemas momentâneos como, por exemplo, equinos que serão embarcados para transporte. Pellets e pós, por outro lado, são ótimos para o fornecimento diário em tratamentos mais prolongados, como para cavalos com problemas articulares.

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Imagem do produto em pallets com CDB sendo comercializado

As necessidades do cavalo devem sem consideradas, assim como os objetivos ao procurar um produto, então algumas questões devem ser esclarecidas. É importante entender, no entanto, que os veterinários podem se sentir limitados quanto ao o uso de cannabis em animais.  Lembre-se, em alguns estados o cânhamo permanece ilegal.

Se o veterinário não estiver em condições de ajudar ou simplesmente deseja explorar mais essa alternativa, existem serviços de consulta disponíveis com conselheiros veterinários certificados, como Wilhelm. Veterinary Cannabis está localizado em Colorado e oferece recursos e consultas para donos de animais, veterinários profissionais e empresas. Fundado por Casara Andre, DVM, a empresa oferece uma equipe de especialistas do no assunto que fornece informações científicas e práticas para toda a comunidade.

AFINAL USAR OU NÃO O CBD?

Há muito a considerar ao contemplar o uso de produtos derivados do cânhamo. Os Produtos destinados a equinos, por enquanto, não possuem resultados comprovados, ainda existe muitas controvérsias sobre seu uso, devemos ponderar algumas questões: meu cavalo precisa disso? É legal onde eu moro? Consigo importar ao meu estado ou país? É permitido pela associação da raça que utilizo? Em seguida, aborde os detalhes: quais são as recomendações veterinárias para meu cavalo? Que tipo de produto serviria melhor para o meu cavalo? Quantos miligramas devo dosar para começar? Finalmente, e não menos importante, se informe com os varejistas e fabricantes sobre os produtos oferecidos e os resultados apresentados. Faça perguntas que sejam relevantes para seu caso. Não é difícil identificar as empresas que possuem paixão pelo seu produto e, talvez mais importante, um profundo conhecimento sobre esta indústria num todo.

Nesse ponto, há apenas uma escolha que importa: o desejo ou não de implementar este produto na rotina. E não há resposta errada para essa pergunta.

 

Texto traduzido e adaptado por: Roberta Wilborn, médica veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria, CRMV/RS 16.805

Fonte: https://equusmagazine.com/equus-extra/equus-extra-alternative-therapies

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