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Fornecimento de capim na entre safra

Fornecimento de capim na entre safra 1

Fornecimento de capim na entre safra

O equino por sua natureza é um animal herbívoro e tem necessidade de se alimentar de gramíneas, os chamados volumosos. (Cintra, 2011) É importante disponibilizar fibras na dieta do cavalo em quantidade e qualidade adequadas, a fim de suprir as necessidades fisiológicas do animal, ou seja, proporcionar um equilíbrio físico e mental do animal. Dessa maneira, o fornecimento de capim se torna fundamental para esta espécie.

O sistema digestório do equino é composto do canal alimentar: boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado (duodeno, jejuno, íleo), intestino grosso (ceco, cólon, reto) e canal anal. Possui particularidades, como  estômago simples e pequeno em relação ao seu tamanho e o ceco desenvolvido que possui função de digestão de carboidratos complexos, como a celulose. (Konig, 2011)

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Figura 1: Representação do trato intestinal do equino. Fonte: Konig, 2011

A manutenção de um aporte mínimo de fibras na dieta de um equino baseia-se em cerca de 1% do seu peso vivo (5kg para um cavalo de 500kg) em matéria seca (6kg de feno de boa qualidade ou 17 kg de capim fresco de boa qualidade). (Cintra, 2011)

O fornecimento de volumosos é um fator limitante para a equinocultura, devido a disponibilidade desses alimentos na época da entre safra, uma vez que ocorre uma diminuição da oferta em questão de qualidade e quantidade, principalmente onde as estações climáticas são bem definidas, como no caso da região Sul do Brasil. Além disso, temperatura, índice pluviométrico, incidência de luz solar também são fatores que afetam diretamente no crescimento e desenvolvimento de gramíneas ou leguminosas. (Cintra, 2016)

Existem diversas opções de fornecimento de volumosos aos cavalos como: pastagem, capineira, silagem, silagem pré- secada e feno. (Cintra, 2016)

1.Pastagem é a forrageira “in natura” onde o animal faz o consumo diretamente do solo.

Existem dois tipos de pastagem: nativa e cultivada. A pastagem nativa é formada por plantas adaptadas a determinada região, nascidas espontaneamente no local e sem manejo nutricional. Portanto, possuem qualidade inferior e ciclo mais curto, produzindo menor quantidade de matéria seca. As pastagens cultivadas são aquelas que há interferência do homem que contribui para uma melhor formação através do manejo adequada a espécie, proporcionando um ciclo de vida mais longo, melhor qualidade e aumentando o tempo de disponibilidade da forrageira.

  1. A capineira também é uma forma de fornecimento da forrageira “in natura”, mas o animal não se alimenta diretamente sobre ela. O capim é plantado e cortado somente no momento do fornecimento. Há diversas espécies, como o capim-elefante, napier ou colonião, ou mesmo coast-cross. Deve ser tratado como cultura, com análise de solo e correção sempre que necessário. (Cintra, 2016)

 

  1. O feno também é um volumoso muito utilizado, podendo ser da forma de gramínea (ex: Tifton, Coast-cross) ou leguminosa (ex: Alfafa). A melhor disponibilidade do produto é na época de primavera/verão, onde seu crescimento é mais uniforme devido ao período de chuvas e assim as fibras se tornam mais palatáveis, tenras e consequentemente com melhor digestibilidade elevando o aproveitamento dos nutrientes. O feno possui 12-15% de água, 85-88% de alimento seco, sendo essa baixa umidade, o que permite sua preservação por até 12 meses com pouquíssima perda de qualidade nutricional, desde que seja armazenado em condições ideias. (Cintra, 2016)

Durante o período de secas, os volumosos possuem menor taxa de nutrientes,  menor palatabilidade, e assim há menos ingestão desse alimento. Essa condição demanda uma complementação maior com rações e suplementos comerciais a fim de suprir as demandas energéticas do animal.

  1. A silagem é o produto provindo da conservação de forragens (ex: capim elefante, cana-de-açúcar, etc) ou grãos (milho, sorgo, etc) com alto teor de umidade submetidos a um processo de fermentação em meio anaeróbio nos silos. O meio anaeróbio favorece a palatabilidade do alimento, portanto ao abrir o silo e deixá-lo entrar em contato com o ar, a silagem entra no processo de fermentação aeróbica diminuindo sua qualidade. A quantidade fornecida ao equino no cocho deve ser o suficiente para que ele ingira num período de 90-120 min em média. A qualidade da silagem de forma geral é baixa, portanto caso tenha necessidade de um melhor desempenho (seja ele de crescimento, reprodutivo ou no esporte) do animal, é recomendado suprir suas necessidades através de complementação da dieta com uma ração concentrada de qualidade. (Cintra, 2016)
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Figura 2: Silagem de milho. Fonte: Compre rural, 2016.

 

  1. A silagem pré-secada também pode ser utilizada na dieta dos cavalos. É feito um processo de pré-secagem ao sol por algumas horas para conservação do volumoso, retirando a umidade parcialmente, diminuindo cerca de 40-50%. É embalada em filme plástico, o que preserva o alimento por um certo período de tempo, e depois de aberto o filme o ideal é que o consumo seja de 3 a 5 dias, mantido em local com condições adequadas de temperatura, umidade, ventilação. Quando produzido de forma correta e provindo de gramínea de qualidade e bom valor nutricional, o pré-secado possui alta palatabilidade para os equinos. (Cintra, 2016)

 

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Figura 3: Pré secado. Fonte: Magnante, 2016

 

O equino é sensível a qualquer alteração brusca em sua dieta, portanto deve-se manter uma rotina e levar em consideração a qualidade da alimentação e o horário de sua dieta, para evitar colocar o animal em situações de estresse. (Cintra, 2011)

A alimentação adequada do animal é de extrema importância para seu bem-estar físico e mental, além de proporcionar condições adequadas ao seu desenvolvimento e manutenção corporal. A escolha incorreta da alimentação pode interferir na absorção e aproveitamento dos nutrientes, fato que pode predispor consequências indesejadas como gastrite, cólica, dentre outros distúrbios gastrointestinais. É importante priorizar a utilização de volumosos disponíveis na região, para que não haja aumentos nos custos referentes a nutrição do animal. O acompanhamento do médico veterinário é fundamental na elaboração da dieta do animal e monitoramento do mesmo.

 

Texto por:

Carolina R. Panossian – 7º semestre de Medicina Veterinária – Universidade Anhembi Morumbi/SP

Ana Paula Both – 5º Semestre de Medicina Veterinária- Instituto Federal Catarinense Campus Concórdia-SC

Referências bibliográficas

CINTRA, André Galvão de Campos. O cavalo: Características, manejo e alimentação. São Paulo: Roca, 2011.

CINTRA, André. Uso de volumosos para equinos. 2016. Disponível em: <https://meiorural.com.br/andrecintra/2016/08/04/o-uso-de-volumosos-para-equinos/>. Acesso em: 30 abr. 2018.

Konig, Horst Erich. Anatomia dos animais domésticos. 4ª edição. Editora Artmed, 2011. pg  347, 349, 372, 373.

 

http://old.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/doc/doc64/05alimentos.html.

Acesso em: 06 maio 2018

http://www.sementesagroceres.com.br/pages/Silagem.aspx

Acesso em: 06 maio 2018

https://www.comprerural.com/silagem-de-milho-cuidados-na-colheita-e-estocagem-para-se-produzir-uma-silagem-de-qualidade/

Acesso em: 06 maio 2018

https://www.embrapa.br/busca-de-imagens/-/midia/3354001/pre-secado-de-cereais-de-inverno

Acesso em: 06 maio 2018

 

 

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