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Como saber se seu cavalo precisa ir ao dentista

Como saber se seu cavalo precisa ir ao dentista 1

Como saber se seu cavalo precisa ir ao dentista

 

Os equinos possuem durante toda a sua vida, dentes em erupção contínua, o que torna a odontologia equina, uma especialidade de grande importância dentro da medicina equina.
Houve uma evolução muito grande dos cavalos por milhões de anos, sendo elas relacionadas ao tamanho, dedos e dentição, pois os hábitos alimentares foram sendo modificados, assim como a forma de preensão e mastigação dos alimentos (SANTOS, 2014).

Através da domesticação e confinamento destes animais, a dieta sofreu mudanças bruscas, o que seja hoje, talvez, um dos grandes problemas que levam os equinos a necessitarem de cuidados veterinários.

O cavalo é um animal naturalmente predado, viviam de forma sociável, se alimentando de verde por longas horas do dia, além de ser um hábito também existe uma correlação com a fisiologia do animal. Então, as pessoas hoje os prendem e querem alimentá-los em horários fixos, com concentrado, e outros alimentos que não são comuns para o animal.

Isso com certeza dificulta os processos fisiológicos e fazem com o que animal não seja bem manejado. Dessa forma, o hábito de mastigação do animal é modificado, passando a mandíbula a realizar movimentos mais verticais e poucos movimentos de excursão lateral, o tempo de mastigação e intensidade dos movimentos e forças exercidas nas superfícies oclusais podem levar a uma maior ou menor taxa de desgaste devido ao atrito, o que incita o aparecimento de alterações dentárias, que podem progredir de forma severa (PAULO, 2010).

A enfermidade mais comum é a formação de pontas de esmalte que se manifesta em graus diferentes dos sinais clínicos, como dificuldade de mastigação, perda de peso, lacerações e úlceras na língua e mucosa bucal, levando ao comprometimento esportivo do animal.

Ganchos, que são alongamento da margem do dente, são frequentes nos pré- molares e molares, pode levar a dificuldade de oclusão, ferimentos na mucosa, desgaste desigual dos dentes.

As rampas constituem no alongamento vertical do bordo rostral dos segundos pré- molares inferiores e do bordo caudal ou distal dos últimos molares da arcada inferior, o que podem provocar danos na mucosa oral, gengiva e palato.

Ondas ocorrem quando a erupção dos dentes se dá em velocidade diferente, gerando uma ondulação na superfície oclusal no sentido rostro- caudal, podendo levar a degraus, que levam à restrição da mastigação e assim compromete a trituração dos alimentos, causando dor e prejudicando a mecânica da mastigação (MONTEIRO, 2016).

Os distúrbios comportamentais também podem ocasionar desgaste excessivo dos dentes incisivos que evoluem a fraturas, isso leva à má oclusão dentária interferindo na preensão do alimento. Pode haver também, exposição de polpa o que torna a mastigação dolorosa, o que leva a emagrecimento e possibilidade de cólica.

Dietas altamente concentradas ou peletizadas e refeições fornecidas poucas vezes ao dia, estão relacionadas ao aumento da incidência deste comportamento (MONTEIRO, 2016).

Como então saber que o animal necessita de um profissional especializado em odontologia? O mais comum é observar o emagrecimento, quando não há contato nem manejo adequado, o que se vê de longe é que o animal está emagrecendo de forma desornada, visto que outras causas não são inclusas na situação. Ao montar, o animal se incomoda demais com o bridão, e quando a pessoa o retira ele está com sinais de mordida e até mesmo sangue.

Observar que o animal não está se alimentando nos horários em que se oferece a comida. Pode haver mudança de comportamento, pois o animal sentindo dor ele pode ficar estressado além do normal, ou sem querer realizar nenhuma tarefa de sua rotina.

Coisas simples podem evitar tais situações, como abrir a boca do seu animal para verificar se há alguma lesão na mucosa, se os dentes estão do mesmo tamanho, se há muito alimento depositado nos dentes ou na bochecha, importante observar a oclusão dos dentes, se ficam na mesma direção. Importante lembrar as fases da dentição dos equinos, a primeira delas é chamada dentes “de leite”, onde na primeira semana de vida surgem as pinças, com 1 mês os médios e de 6 a 10 meses, os cantos.

Na segunda fase, há o rasamento dos dentes “de leite”, com 1 ano pode ser observado nas pinças, 1 e meio, nos médios e com 2 anos nos cantos. A terceira fase ocorre a erupção dos dentes definitivos, onde se deve prestar realmente atenção se houve alguma conformação inadequada dos dentes de leite, e se vai persistir durante esta fase, é hora de chamar o veterinário especialista.

Com 3 anos o animal vai ter a erupção das pinças definitivas, com 4 anos os médios, e 5 anos é a chamada “boca cheia”, onde vai ocorrer erupção de cantos e caninos, no caso dos machos. Algo que deve receber bastante atenção, é o chamado dente de lobo, que apenas causa incomodo ao animal e pode levar a dificuldades esportivas, é recomendado que seja extraído, tanto para machos quanto para fêmeas.

Por fim, pode se concluir que assim como os cascos são de extrema importância para os cavalos, a boca também é, e pode comprometer a saúde do animal por inteiro.

As pessoas que criam e até os veterinários ao realizar a primeira consulta, é de grande importância que verifique atentamente a boca do animal, com isso, muitas lesões e falta de bem estar ao mesmo, pode ser evitado. Além, claro, de mudanças simples de manejo, como volumoso de qualidade, e deixar o animal pastejar por algumas horas do dia, já farão a diferença e evitará possíveis problemas.

Referências bibliográficas:

MONTEIRO, T. V. Identificação das principais enfermidades dentárias em equinos que vivem sob diferentes formas de manejo. Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia, 2016.

SANTOS, A. S. C. A importância da prática odontológica na saúde e bem- estar dos equinos. Universidade de Lisboa. Lisboa, 2014.

PAULO, D. L. O. M. A importância da odontologia na prática clínica equina. Universidade Técnica de Lisboa. Lisboa, 2010.

Autora: Carla Leal, 8º semestre, UFRB

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