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Nutrição de Cavalos Hospitalizados

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Nutrição de Cavalos Hospitalizados

Animais saudáveis toleram bem o jejum de até 3 dias, sem apresentar alterações clinicas significativas, pois reduzem o metabolismo.

Porém animais idosos, com enfermidades metabólicas, convalescentes ou em recuperação cirúrgica enfrentam o estresse causado pela dor, além do aumento da taxa metabólica pela inflamação, resposta imunológica e estresse oxidativo.

Estudos relatam que a nutrição deficiente de pacientes internados eleva a incidência de infeções e aumenta o tempo de internação, enquanto o suporte nutricional previne a perda de peso, reduz as taxas de complicações pós-cirúrgicas e reduz o tempo de hospitalização.

As células intestinais têm taxa de renovação muito rápida, a ausência de conteúdo nos intestinos por período prolongado leva à atrofia das vilosidades e alteração da microbiota intestinal. Como consequência a absorção de nutrientes é reduzida, além de predispor o animal à diarreia e outras disfunções gastroentéricas agravando do quadro clinico primário.

Em quais situações a Nutrição clínica é útil?
A nutrição de indivíduos hospitalizados ou doentes deve ser estudada individualmente, considerando o quadro clinico específico, por isso é chamada nutrição clínica.

Casos em que o animal tem funções digestórias íntegras ou pouco afetadas mas não tem apetite, ou tem dificuldades de abocanhar, mastigar e/ou deglutir, a alimentação forçada via sonda nasogástrica ou voluntária com alimentos líquidos ou pastosos é um recurso valioso na recuperação.

Em quadros de síndrome cólica, tratada com intervenção cirúrgica, é importante considerar, além do tipo e magnitude da cirurgia, a situação clinica do animal.

De maneira geral, cavalos com funções gastrointestinais mínimas preservadas, ou seja, com motilidade, sem diarreia severa, refluxo ou íleo paralitico e que não sofreram ressecção intestinal devem ser realimentados o quanto antes ou em 12 a 24 horas após a cirurgia. A terapia nutricional feita corretamente traz mais benefícios que riscos à recuperação do paciente.

Qual a necessidade nutricional de pacientes internados?
O principal objetivo da nutrição clínica é dar suporte para o metabolismo se recuperar.

Então, os ingredientes utilizados na dieta devem ser de alta digestibilidade para que sejam aproveitados ao máximo. A primeira ação é oferecer energia para nutrir as células de todo o sistema e proteína para ser utilizada na resposta imunológica e na reparação de tecidos, evitando o catabolismo e consequente perda de massa muscular.

A recuperação de cirurgia abdominal pode aumentar o requerimento energético de repouso em 30%, já a sepse e outras complicações podem elevar o requerimento entre 50 e 100%.

Assim, podemos estabelecer, com segurança, o requerimento energético de equinos em recuperação de cirurgias abdominais ou quadro clinico grave em 16 a 20Mcal/dia para 500kg de peso vivo.

Recomenda-se ainda que a composição de carboidratos não ultrapasse 2g de amido por quilo de peso do animal por refeição (2g amido/kg PV/refeição), para evitar que estes carboidratos fermentem no intestino.
A quantidade e qualidade da proteína é o segundo ponto a se considerar.

Equinos são sensíveis à qualidade da proteína ingerida. Proteína de baixa digestibilidade é pouco aproveitada, assim como os aminoácidos liberados no intestino grosso por fermentação. Ou seja, devemos fornecer proteína de boa qualidade e de alta digestibilidade no intestino delgado. Estudos sugerem 5g de proteína para cada 100kcal de energia.

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É importante que a dieta contenha fibras, para manter a microbiota funcional e evitar diarreias. O ideal é que a fonte de fibra tenha comprimento mínimo de 2cm, porém este tamanho dificulta a passagem pela sonda, então, em dietas enterais a fibra é menor, mas ainda tem efeito funcional. Este é um ponto crucial que impossibilita o uso de nutrição enteral humana para equinos, formulações humanas são ricas em amido e açúcares e praticamente sem fibras.

Embora a energia, proteína e fibra sejam os pilares da nutrição clínica, outros nutrientes também devem ser lembrados. As vitaminas e minerais ajudam o organismo a reduzir o estresse oxidativo resultante da inflamação e resposta imunológica. Nutrientes que estimulem a imunidade, protejam o fígado e que atuem na recuperação celular também são desejáveis.

Como realizar a nutrição Enteral?
Uma vez que a dieta já está definida, sendo de alta digestibilidade e liquida, inicia-se o planejamento da terapia. A nutrição enteral dever ser realizada em pequenas porções ao longo de todo o dia.

Equinos tem o habito de comer constantemente durante o dia quase inteiro, seguir essa rotina fisiológica certamente ajudará o funcionamento do metabolismo, além de otimizar a absorção dos nutrientes. Estudos preconizam de 6 a 8 porções no dia, se esta frequência não for possível na rotina do hospital, recomenda-se o mínimo de 3 porções.

Ao calcular a quantidade total de dieta indicada para o animal para um dia, inicia-se com porções pequenas que aumentam gradualmente ao longo dos dias até atingir o volume total calculado.

Essa conduta é importante para que o intestino e metabolismo do animal se adapte novamente à presença do alimento e à composição do mesmo. Também permite o monitoramento da evolução clínica do animal, definindo se a terapia está sendo bem realizada, se é benéfica e quando deve ser substituída pela alimentação voluntária.

A meta da nutrição enteral é que ela seja substituída pela alimentação voluntária o quanto antes, pois isto indica que o animal está em franca recuperação.

Quando o animal tiver apetite e o médico veterinário entender que o intestino já está se recuperando, a alimentação liquida por sonda poder ser substituída por alimento pastoso, mas sem perder a qualidade, e em seguida feno e alimentos mais grosseiros.

O que usar como alimento?
A percepção que o animal inapetente precisa ser realimentado geralmente vem acompanhada de uma equipe fazendo uma receita de ração, suplementos, água ou óleo batidos no liquidificador. Mas sempre fica a dúvida se esta mistura contém a proporção certa de nutrientes, se não vai fazer mal e se vai passar pela sonda sem entupir..

Escrito Por:
Nutrição de Cavalos Hospitalizados 11Rebeca Alves Weigel 

Nutricionista Clinica de Equinos
CRMV-SP 18674
Formação: Medica Veterinária formada pela UNESP – Botucatu (2004)
Mestrado (2008) e Doutorado (2014) pela USP (com foco em Doenças Nutricionais e Metabólicas)

Bibliografia
GEOR, R. A. Y. J. Nutritional Support of the Sick Adult Horse. In: KER Equine Nutrition Conference of Feed Mannufactures, Anais…2000.
GEOR, R. J. Nutritional Considerations for the Colic Patient. In: IVIS, Anais…2005.
JULLIAND, V.; DE FOMBELLE, A.; VARLOUD, M. Starch digestion in horses: The impact of feed processing. Livestock Science, v. 100, n. 1, p. 44–52, 2006.
LAWRENCE, L.; WEDDINGTON, T. Feeding the Atypical Horse. Advances in Equine Nutrition, v. IV, n. c, p. 259–267, 2009.
NATIONAL RESEARCH COUNCIL – NRC. Nutrient requirements of horses. 6.ed. Washington: National Academy of Sciences, 2007. 341p.
Fonte da Imagem: Diario de Santa Maria

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