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Visão Geral da Ozonioterapia em Equinos – Uma Solução Emergente para Saúde

Visão Geral da Ozonioterapia em Equinos - Uma Solução Emergente para Saúde 1

VISÃO GERAL DA OZONIOTERAPIA EM EQUINOS – UMA SOLUÇÃO EMERGENTE PARA A SAÚDE

BHAT, J¹; CHAT, A.R.¹; DHAMA,K.²; AMARPAL³

SANTOS, M. O.4

¹ Research Scholar, Division of Surgery, Indian Veterinary Research Institute, Izatnagar 243122 (UP), India
² Principal Scientist, Division of Pathology, Indian Veterinary Research Institute, Izatnagar-243122 (UP), India
³  Head, Division of Surgery, Indian Veterinary Research Institute, Izatnagar-243122 (UP), India
 4 Tradução e adaptação. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária – Universidade Federal de Viçosa (UFV), Minas Gerais – Brasil. E-mail para correspondência: [email protected]

RESUMO

A importância da terapia com ozônio tem sido cada vez mais percebida nos últimos tempos, particularmente na medicina equina. Os efeitos benéficos da terapia com ozônio são basicamente gerados pelo estresse oxidativo leve que é gerado ao interagir com os componentes extracelulares e intracelulares. No entanto, os benefícios terapêuticos do tratamento só poderiam ser obtidos quando usados ​​dentro da janela terapêutica.

Doses mais altas podem ser contraproducentes e doses mais baixas, ineficazes. É comprovado que a ozonioterapia regula o sistema antioxidante do paciente e pode proporcionar alívio de muitas doenças degenerativas crônicas com o uso prolongado.

A terapia com ozônio mostrou resultados encorajadores no tratamento de amplo espectro de doenças e distúrbios em equinos, incluindo infecções bacterianas e virais. Benefícios óbvios da terapia com ozônio foram relatados em anemia infecciosa equina, abortos por clamídia, linfomas e erliquiose equina. Este artigo fornece uma visão do mecanismo de ação envolvido na terapia com ozônio e analisa diversas condições que podem ser tratadas com o uso da ozonioterapia em equídeos.

 

Palavras-chave: Antioxidante, equino, estresse oxidativo, ozonioterapia, peróxido de hidrogênio.

 

ABSTRACT

The significance of ozone therapy has been increasingly realised in recent times particularly in equine medicine. The beneficial effects of ozone therapy are basically engendered by the mild oxidative stress it creates upon interacting with the extra-cellular and intracellular components.

However therapeutic benefits of treatment could be obtained only when it is used within the therapeutic window. Higher doses may be counterproductive and lower doses ineffective. It is now well proved that it up regulates the antioxidant system of the patient and may provide relief from many chronic degenerative diseases upon prolonged use.

Ozone therapy has shown encouraging results in the treatment of wide spectrum of diseases and disorders in equines including bacterial and viral infections. Obvious benefits of ozone therapy have been reported in Equine infectious anemia, chlamydial abortions, lymphomas and equine ehrlichiosis. This article provides an insight into the mechanism of action involved in ozone therapy and reviews various conditions which could be treated with the use of ozone therapy in equines.

Keywords: Ozone therapy, equine, oxidative stress, antioxidant, hydrogen peroxide

 

  1. INTRODUÇÃO

A molécula de ozônio é composta por três átomos de oxigênio dispostos em uma forma diédrica. Essa forma alotrópica de oxigênio é menos estável que o oxigênio devido à presença de estados mesoméricos (ELVIS E EKTA, 2011) e reage com muitos outros compostos, como: carbono e óxido nitroso. O ozônio é 1,6 vezes mais denso e 10 vezes mais solúvel em água que o oxigênio. É o terceiro oxidante mais potente depois do flúor e do per-sulfato. O ozônio é um gás instável que não pode ser armazenado e deve ser usado de uma só vez, porque possui meia-vida de 40 minutos na temperatura de 20°C e 140 minutos à 0°C (CAKIR, 2014).

Na natureza, o ozônio é produzido pelo efeito da descarga elétrica no oxigênio atmosférico durante o raio ou por radiação ultravioleta. É um oxidante poderoso e tem muitas aplicações devido a sua propriedade oxidante. É uma molécula altamente reativa capaz de inativar microorganismos, estimular o sistema imunológico e, ainda, de induzir efeito analgésico (DURICIC et al., 2015).

O ozônio tem muitos benefícios à saúde se utilizado dentro da janela terapêutica, mas pode causar danos aos tecidos se ultrapassá-la. Além disso, o ozônio oxigena todas as células do corpo e aumenta a estabilidade das células saudáveis. O ozônio medicinal é uma mistura de oxigênio e ozônio, que apresenta menos de 5% de ozônio na concentração máxima, sendo o restante, composto por oxigênio puro (BOCCI, 2006).

Infelizmente, muitos médicos e veterinários desconhecem os benefícios terapêuticos e o mecanismo de ação do ozônio ao interagir com fluidos biológicos. Como na maioria das terapias, é a dose aplicada que determina os efeitos terapêuticos ou prejudiciais do ozônio.

Atualmente, é possível determinar com precisão a citotoxicidade do ozônio pelo potente sistema antioxidante do corpo. Nas últimas duas décadas, os cientistas fizeram grandes esforços para entender os mecanismos científicos subjacentes aos efeitos benéficos da terapia com ozônio, tanto na pesquisa básica quanto no nível clínico.

A ozonioterapia já foi estabelecida como tratamento de escolha para muitas doenças equinas, como a anemia infecciosa equina. Essa terapia também é capaz de aumentar as enzimas antioxidantes como superóxido dismutase, catalase, glutationa peroxidase etc. no corpo (MANDHARE et al., 2012).

 

  1. PRODUÇÃO DE OZÔNIO

Como na natureza, o ozônio é produzido pela ação do raio sobre o oxigênio. A geração de ozônio pode ser alcançada através da passagem de oxigênio por um arco elétrico, com diferença potencial de aproximadamente 10.000 Volt em um gerador de ozônio, de acordo com a seguinte reação: – 3O2 + 68.400 cal —— 2O3.

Um gerador de ozônio deve ser composto de material resistente ao ozônio, de alta qualidade, como: teflon, vidro, aço inoxidável 316, silicone, dentre outros, com objetivo de resistir à oxidação (MANDHARE et al., 2012). Também deve ser equipado com um fotômetro, para medir a concentração exata de ozônio produzido.

Deve-se ter opções para controle de temperatura e umidade, considerando que essas também desempenham papel importante na produção de ozônio. Uma variedade de geradores de ozônio estão disponíveis atualmente. No entanto, três são comumente utilizados para a produção de ozônio medicinal. São eles:

 

  1. Tipo de descarga de corona – Este tipo de gerador de ozônio utiliza um tubo de descarga de corona (campo elétrico de alta tensão). Eles são econômicos e usam o ar ambiente como fonte de oxigênio, produzem uma concentração de 3-6% de ozônio, mas também produz óxido nitroso como subproduto. Uma pesquisa mostrou que o uso de eletrodo de chapa de malha no lugar da chapa convencional, traz a vantagem de diminuir a tensão de início da coroa e decompor o ozônio, fornecendo máxima concentração e eficiência na geração de ozônio (PARK et al., 2006).

 

  1. Tipo de lâmpada ultravioleta – Esse tipo de gerador de ozônio utiliza uma fonte de luz para produzir uma luz ultravioleta de banda estreita, com um comprimento de onda de aproximadamente 185 nm. Eles produzem ozônio com concentração de 0,5% ou menos, é mais rentável do que os geradores do tipo descarga corona, pois consomem menos eletricidade. A vantagem adicional é que não ocorre produção de óxido nitroso (http://www.silvermedicine.org/ozone-therapy-generators.html).

 

  • Tipo de plasma frio – Neste tipo de gerador, o gás oxigênio é exposto a um plasma criado por descarga dielétrica da barreira. Esses geradores de ozônio quebram a molécula de oxigênio em átomos, que são muito reativos e combinam as moléculas de oxigênio disponíveis para formar uma molécula de ozônio. Consegue-se produzir nesses geradores, uma concentração máxima de 5 (http://www.silvermedicine.org/ozone-therapy-generators.html).

A molécula de ozônio é muito instável, portanto deve ser preparada imediatamente antes do uso. Menos de uma hora após a preparação, apenas metade da mistura permaneceu em ozônio, enquanto a outra metade transformou-se em oxigênio. Devido a essa característica, é impossível armazenar o ozônio de grau médico por um longo período de tempo (NOGALES, et al., 2008).

 

  1. MECANISMO DE AÇÃO

 

O ozônio, ao entrar em contato com o sangue, atua em diferentes alvos e inicia uma cascata de reações que produzem vários efeitos benéficos. Ao contrário do oxigênio, o ozônio é um gás muito ativo e reage quando entra em contato com sangue ou qualquer outro fluido biológico. Por ordem de preferência, o ozônio reage com ácidos graxos poliinsaturados (PUFA), protiens, antioxidantes como ácido ascórbico e glutationa.

Ozonioterapia em equinos
Figura 1: Representação esquemática das aplicações de ozonioterapia em equinos. FONTE: Adaptado de BATHH et al, 2016.

Em reação com biomoléculas, produz uma molécula de espécies reativas de oxigênio (ERO), principalmente peróxido de hidrogênio e duas moléculas de produtos de oxidação lipídica (LOP). A reação principal com biomoléculas é mostrada abaixo:

R-CH = CH-R + O3 + H2O —– R-CH = O + R-CH = O + H2O2 (BOCCI et al.,1993).

Os subprodutos da reação tendem a agir de duas maneiras diferentes. As ERO reagem imediatamente com eritrócitos que estão disponíveis na corrente sanguínea e desaparecem. Isso pode ser denominado como reação de fase inicial, que tem duração curta. A LOP, por outro lado, é distribuída nos tecidos e atua nas moléculas receptoras localizadas em diferentes locais do corpo, sofrendo diluição acentuada no sistema circulatório e, portanto, sua ação pode ser denominada como reação de fase tardia, com maior duração.

ROS, particularmente peróxido de hidrogênio, ativa a via da pentose fosfato, que é determinada pelo aumento significativo na formação de ATP (BOCCI, 2005). Os LOPs produzidos na reação são principalmente o malonaldeído e o 4-hidroxinonenal, que são muito estáveis e tóxicos.

Felizmente, ambos sofrem diluição acentuada na circulação e são metabolizados na distribuição e redistribuição do sangue no corpo, atingindo seus locais-alvo apenas na concentração submicromolar, minimizando assim seus efeitos tóxicos.

Pequenas concentrações de LOPs estendem seu efeito benéfico pela regulação positiva de enzimas antioxidantes como superóxido dismutase, peróxido de glutationa etc. (ILES E LIU, 2005). Ocorre, ainda, a indução de proteínas do estresse oxidativo como a hemoxigenase-1 (HO-1) ou proteína de choque térmico. A HO-1 degrada a molécula de heme em CO e bilirrubina (SNYDER E BARAÑANO, 2001). A bilirrubina atua como uma poderosa molécula antioxidante, enquanto o CO, juntamente com o NO, regula a vasodilatação, ativando o cGMP (BOCCI, 2006).

O mecanismo dos efeitos benéficos da terapia com ozônio pode ser resumido da seguinte forma:

  1. Aumenta a disponibilidade e a entrega de oxigênio, glicose e ATP nos tecidos isquêmicos.
  2. Aumenta o implante de células-tronco da medula óssea no local da lesão, o que pode fornecer angiogênese, neovascularização e regeneração tecidual.
  • Ativa uma reação neuro-humoral responsável por melhorar a qualidade de vida.
  1. Induz regulação positiva da expressão de enzimas antioxidantes e heme-oxigenase I e amplia os benefícios de pré-condicionamento (BOCCI, 2006).

No entanto, o ozônio pode ser tóxico para o sistema respiratório caso seja inalado, considerando que o revestimento do trato respiratório possui uma quantidade mínima de cobertura antioxidante. O sangue, por sua vez, possui uma quantidade adequada de antioxidantes para diminuir completamente a toxicidade do ozônio, se usado dentro dos limites da faixa terapêutica.

É recomendável que, para aumentar a segurança da terapia com ozônio, antes do início da terapia, o nível de antioxidantes no corpo do paciente seja medido e fortalecido pela administração de antioxidantes como vitamina C ou α-tocoferol (SAGAI E BOCCI, 2011).

 

 

  1. VIAS DE ADMINISTRAÇÃO

 

  • Autohemoterapia

A autohemoterapia foi descrita pela primeira vez por Wehrli & Steinbart em 1954. Pode ser classificada como autohemoterapia maior ou menor. No principal método de auto-hemoterapia, são coletados cerca de 250 ml de sangue do animal em heparina ou anticoagulante de citrato de sódio a 3,13% e então, o sangue é ozonizado fora do corpo do animal durante 5 a 10 minutos. Em seguida, o sangue ozonizado é lentamente infundido de volta ao corpo do animal por via intravenosa.

A auto-hemoterapia ozonizada (O3-AHT) foi utilizada no tratamento de isquemia aterosclerótica do membro inferior em pacientes humanos (TYLICKI et al., 2004).  Enquanto no método de auto-hemoterapia menor, cerca de 5 ml de sangue venoso são coletados do paciente sem anticoagulante e ozonizado durante 1 minuto. O sangue ozonizado é então injetado por via intramuscular (BORRELLI E BOCCI, 2009).

Essa abordagem de auto-hemoterapia menor foi utilizada no tratamento de laminite crônica em uma égua de 10 anos (COELHO et al., 2015) e na dor lombar mecânica em cavalos (VIGLIANI et al., 2005).

 

  • Insuflação retal

A insuflação do ozônio é feita nos espaços corporais, como o canal retal, vaginal e auditivo. A insuflação retal de ozônio é mais comumente praticada. O gás ozonizado umidificado pode ser introduzido através da abertura retal para tratar condições como diarréia e doenças inflamatórias intestinais causadas por infecções como o rotavírus e a Ehrlichia em cavalos. A insuflação retal de ozônio medicinal também foi utilizada no tratamento de pacientes com diabetes tipo 2 e pés diabéticos (MARTÍNEZ-SÁNCHEZ et al., 2005).

  • Bagging de ozônio

Nesse método, uma mistura oxigênio-ozônio é bombeada para um bag ou “saco” resistente ao ozônio, colocado ao redor da área a ser tratada. Lesões superficiais podem ser tratadas à medida que o ozônio é absorvido pela pele. O método foi aplicado para o tratamento de infecções cutâneas como feridas crônicas e úlceras (BOCCI, 2013).

  • Óleo ozonizado

No método do óleo ozonizado, o ozônio é usado com o óleo, que funciona como transportador de ozônio. O ozônio é borbulhado em óleos como azeite, gergelim ou óleo de girassol até formar um gel consistente; o gel pode ser usado para tratar várias condições, como infecções de pele, picadas de insetos, úlceras, vulvovaginites e periodontites (SHOUKHEBA E ALI, 2014).

  • Blanket de ozônio

No método de blanket de ozônio, um cobertor de silicone ozonizado é colocado ao redor do corpo do cavalo para ozonizar todo o corpo do animal. Pode ser usado para tratar várias condições locais e sistêmicas. Este sistema provou ser muito eficaz no tratamento de várias doenças equinas (http://ozonyozone.weebly.com/ozony-blanket.html (acessado em 14/04/2020).

  1. APLICAÇÃO MÉDICA DA OZONIOTERAPIA EM EQUINOS

Devido à sua ação biológica versátil, a ozonioterapia é capaz de tratar uma ampla variedade de doenças e condições. A medicina equina é um campo potencial para a exploração terapêutica dessa modalidade, pois tem a capacidade de reverter muitas doenças graves. Estudos iniciais sugeriram que a terapia com ozônio poderia ser muito eficaz no tratamento de muitas doenças equinas, controlando infecções, mitigando a inflamação e melhorando o status antioxidante.

 

Tabela 1: Alguns estudos importantes com resultados benéficos da terapia com ozônio em equinos:

Pesquisador Condição patológica Concentração de ozônio Via de administração Efeitos
Coelho et al., 2015 Laminite crônica 19 mg/L IM, na região supraescapular, próximo ao tendão flexor digital profundo Recuperação de grau IV para grau II de claudicação
Vigliani et al., 2005 Dor lombar mecânica 30 Μg/ml

 

Níveis interespinhoso e paravertebral Efeito analgésico eficaz
Shinozuka et al., 2008 Mastite 0,8 mg/L Local afetado Sinais de mastite clínica revertida
Akey e Walton, 1985 Inativação do vírus da Encefalomielite Venezuelana Equina 0,0025 mg/L Exposição física por 45 minutos Redução de 99,99997% de partículas virais
Sechi et al., 2001 Cicatrização de feridas cutâneas 1 .18 – 9.5mg/ml Topicamente como óleo ozonizado Aumento da produção de vários fatores de crescimento
Ozbayetal, 2016 Paralisia de nervo facial 1,1 mg/kg de peso corporal Intraperitoneal Limiares de estimulação mais baixos no grupo tratado com ozônio
Ouf et al., 2016 Efeito antifúngico 4 μg/ml

0,5 – -,25 μg/ml

 

Spray

Óleo ozonizado

Melhor recuperação com menos efeitos colaterais
FONTE:  Adaptado de  BATHH et al, 2016.

Vários relatórios e ensaios clínicos têm aparecido na literatura recente para provar a eficácia da terapia com ozônio como terapia adjuvante e também como único agente terapêutico. O texto a seguir descreve várias aplicações médicas da terapia com ozônio no tratamento de doenças equinas.

 

  • Laminite crônica

A laminite crônica é uma doença incapacitante dos equinos. Não responde facilmente à terapia médica padrão. A terapia com ozônio pode ser uma solução para esses casos. Um caso de laminite crônica em égua de 10 anos com diagnóstico de laminite crônica, com claudicação grau IV no membro anterior direito, foi tratado com sucesso com ozonioterapia (COELHO et al., 2015).

Na apresentação, o cavalo exibia sinais de laminite como: claudicação, alta temperatura e dor à palpação. No exame radiológico, a falange distal do membro direito foi deslocada em 30 graus. Um regime terapêutico composto pela ressecção do casco seguido pela administração intramuscular, peritendinosa e intraretal do ozônio medicinal, foi aplicado.

A injeção de ozônio foi realizada em dois pontos supraescapulares localizados cranial e caudalmente à escápula, em ambos os lados. Dois pontos foram selecionados na região escapular, um ao meio da região radial e outro próximo ao tendão flexor digital profundo.

Os pontos selecionados foram preparados assepticamente e uma mistura de 10 ml de ozônio-oxigênio com uma concentração de 19 mg de ozônio por ml foi injetada em cada ponto. Nenhum AINE ou qualquer outro medicamento foi utilizado no regime de tratamento.

A insuflação intraretal de ozônio também foi realizada. A terapia com ozônio foi administrada duas vezes por semana, durante 10 semanas. Seis meses após a terapia, a égua foi capaz de andar adequadamente, juntamente com a relação normal entre a parede dorsal do casco e a falange distal no exame radiográfico. Animal recuperado até a claudicação grau II, de acordo com a classificação Obel, com a ajuda dessa terapia (COELHO et al., 2015).

 

  • Dor mecânica lombar e distúrbios dos músculos da coluna vertebral

Os cavalos de equitação e de raça pura, comumente usados ​​para fins de corrida, frequentemente sofrem de dores lombares. Sugere-se que as principais causas ​​incluam lesões nos ossos ou tecidos moles. Em um estudo, 30 cavalos com dor lombar foram tratados com infiltração local de 15 ml de mistura oxigênio-ozônio na concentração de ozônio de 30μg / ml no músculo afetado e a níveis interespinhoso e paravertebral. Este estudo comprovou a eficácia da terapia com ozônio no tratamento da dor.

Portanto, a ozonioterapia pode ser considerada uma alternativa ao tratamento com AINEs em casos de dor lombar (VIGLIANI et al., 2005). Observou-se que durante a sua administração, o ozônio produz uma sensação de prurido que, posteriormente, é substituída pelo efeito analgésico, considerando que após aplicação, o animal não sente dor à palpação. A suplementação com antioxidante na forma de vitamina C para manter o equilíbrio oxidante-antioxidante pode beneficiar o paciente durante a terapia com ozônio (BALLARDINI, 2005).

  • Mastite clínica em éguas

A mastite na égua não é tão comum como no gado leiteiro, mas pode afetar a saúde e a produtividade da égua. Organismos gram-negativos foram responsáveis ​​por mastite em 42% dos casos, incluindo Klebsiella e E.coli em 11,8% e 5,9% dos casos, respectivamente (MCCUE E WILSON, 1989). Esses microorganismos gram-negativos tendem a desenvolver o choque endotóxico após o tratamento com antibióticos. O

s resultados mostraram que, em comparação à antibioticoterapia, a ozonioterapia (0,8 mg / L) resultou em menor quantidade de produção de endotoxinas (SHINOZUKA et al., 2008). Observa-se que a ozonioterapia ajuda a reverter os sinais locais e sistêmicos da mastite clínica aguda em animais.

Os efeitos terapêuticos da terapia com ozônio podem ser atribuídos ao aumento da função leucocítica e aumento da explosão respiratória. A terapia com ozônio pode ser preferida à antibioticoterapia no tratamento da mastite clínica, considerando-se que não é necessário fazer descarte de leite (OGATA E NAGAHATA, 2000). No entanto, não está claro se o ozônio funciona eliminando o patógeno ou melhorando o mecanismo de defesa do hospedeiro.

  • Inativação do vírus da Encefalomielite Equina V

O gás umidificado com ozônio é usado como um agente esterilizante para instrumentos médicos (FADDIS, 1993). O ozônio em fase líquida, na concentração de 0,025 mg por litro, foi capaz de inativar o arbovírus em 45 minutos após a exposição. Este estudo mostrou uma redução de 99,999997% das partículas virais em comparação com os níveis de controle. Portanto, o ozônio provou ser um candidato eficaz como agente esterilizante em algumas aplicações para armários de segurança biológica e outros equipamentos usados em estudos de vetores com arbovírus (AKEY E WALTON, 1985).

 

  • Cicatrização cutânea

O óleo ozonizado provou ser eficaz na cicatrização de feridas cutâneas. Em um estudo que utilizou porquinhos-da-índia como modelo animal, o óleo ozonizado mostrou melhor cicatrização de feridas, menor área residual, aumento do número de fibras colágenas e fibroblastos e, ainda, regulação positiva de vários fatores de crescimento como PDGF, TGF-β e VEGF, em comparação com o grupo tratado com óleo simples e o grupo controle (KIM et al., 2009). O ozônio usado no tratamento de feridas causa redução no processo séptico, acelera a cicatrização e também diminui o custo da antibioticoterapia (BIAŁOSZEWSKI E KOWALEWSKI, 2003).

Uma pesquisa mostrou angiogênese aumentada, aumento nos fatores de crescimento endotelial vascular e expressão da ciclina D1, quando utilizado o óleo de gergelim ozonizado no modelo de estudo de cicatrização de feridas cutâneas em camundongos SKH1 (VALACCHI et al., 2011). Em um estudo, o efeito de Oleozon (óleo de girassol ozonizado) foi testado em Micobactérias, Estafilococos, Estreptococos, Enterococos, Pseudomonas e Escherichia coli e demonstrou efeitos antimicrobianos encorajadores nos organismos testados (SECHI et al., 2001).

 

  • Mau funcionamento neurológico e paralisia do nervo facial

Em um registro de 450 cavalos com sinais de doença neurológica, a paralisia do nervo facial foi o tipo mais comum de lesão do nervo craniano (TYLER et al., 1993). A ozonioterapia fornece resultados promissores na regeneração do nervo facial. Em um estudo composto por quatorze ratos Wistar albinos, todos os animais foram submetidos a cirurgia na qual o nervo facial esquerdo foi exposto e danificado. O tratamento com solução salina ou ozônio começou no dia da lesão do nervo.

O grupo com ozônio recebeu uma dose de ozônio de 1,1 mg / kg / d por via intraperitoneal (IP) por 30 dias. Os limiares de estimulação do nervo facial esquerdo foram medidos antes e após a lesão, imediatamente após e depois de 30 dias. Após a lesão, o grupo tratado com ozônio apresentou limiares de estimulação mais baixos do que o grupo salino.

Neste estudo, a regeneração do nervo facial foi avaliada pela avaliação dos limiares eletrofisiológicos e pelo exame histopatológico. Isso prova que a ozonioterapia exerceu efeito benéfico na regeneração dos nervos faciais danificados (OZBAY et al., 2016).

Visão Geral da Ozonioterapia em Equinos - Uma Solução Emergente para Saúde 2

  • Potencial antifúngico

A infecção fúngica possui uma séria ameaça à saúde animal, levando à diminuição da produtividade e do potencial de trabalho. O Trichophyton equinum foi reconhecido como a causa mais comum de infecção fúngica nos equinos nos Estados Unidos, Canadá, América do Sul e Europa (GEORG et al., 1957).

Também é relatado que M. canis, T. Mentagrophytes varmentagrophytes, T. verrucosum, M. Praecox e M. Gypseum estão associados à ocorrência de micoses em equinos (DE VROEY et al., 1983).

De acordo com Ouf et al. (2016), a ozonioterapia provou ser uma alternativa melhor na cura de infecções por fungos e também evita os efeitos colaterais dos antifúngicos sintéticos causados por sua aplicação a longo prazo.

A estrutura da parede dos fungos é composta por aproximadamente 80% de carboidratos e 20% de proteínas e glicoproteínas, com múltiplas ligações dissulfeto, tornando possível o local de inativação oxidativa pelo ozônio. A aplicação de ozônio na forma de óleo ozonizado parece ser mais eficaz que o ozônio gasoso.

  • Outras aplicações

Vários estudos foram realizados para desenvolver uma técnica não invasiva de ozonioterapia, na qual uma manta de ozônio é utilizada para ozonizar todo o corpo do cavalo (http://ozonyozone.weebly.com/ozony-blanket.html acessado em 14/04/2020).

Este método mostrou resultados promissores em uma ampla gama de doenças em cavalos e foi desenvolvido pela cientista sul-africana Gail Pedra (http://ozonyozone.weebly.com/ozony-blanket.html acessado em 14/04/2020).

Esses pesquisadores trataram um potro com doençaviral em 2006, utilizando a ozonização de todo o corpo. Outras condições nas quais o cobertor de ozônio produz resultados significativos são: sarcoma, doença do cavalo africano, doença de Lyme, terapia esportiva pró-ativa, dentre outros.

Os cobertores de ozônio têm sido amplamente utilizados na África do Sul e aproximadamente 1.000 cavalos foram tratados com sucesso para controle, prevenção ou aprimoramento de doenças de desempenho esportivo. Esta técnica apresenta vários benefícios por ser um dispositivo portátil, permitindo que os animais enfermos recebam tratamento e, ainda, que vários cavalos sejam manipulados ao mesmo tempo.

 

  1. CONCLUSÃO

Os benefícios da terapia com ozônio foram documentados em numerosos estudos. A ozonioterapia provou-se eficaz como tratamento alternativo ou auxiliar para muitas doenças em equinos, como: claudicação, mastite, doenças bacterianas e virais, distúrbios neurológicos e musculoesqueléticos. O ozônio age para induzir estresse oxidativo leve, fator que pode induzir a produção de vários antígenos e enzimas oxidantes em benefício dos pacientes.

Gradualmente, essa terapia vem sendo aceita como modalidade terapêutica na medicina ortodoxa. Os geradores de ozônio e fotômetros para uso médico são essenciais para a produção ideal e possíveis efeitos benéficos. Pode haver vários métodos de administração, que devem ser padronizados para o máximo de benefícios terapêuticos, de acordo com cada paciente.

 

  1. REFERÊNCIAS

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