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Síndrome Cólica: Primeiros Atendimentos Médicos

Síndrome Cólica: Primeiros Atendimentos Médicos 1

SÍNDROME CÓLICA: PRIMEIROS ATENDIMENTOS MÉDICOS

 

     O abdome agudo é um dos problemas mais comuns dentro da medicina equina, e independentemente dos avanços de manejo, este continua a se evidenciar, destacando-se como a principal causa de estresse e gastos financeiros por parte dos criadores (COHEN et al.,1995; SINGER & SMITH,2002; ABUTARBUSH et al.,2005).

Sendo assim, compreende-se por abdome agudo ou síndrome cólica, um grupo de desordens manifestadas principalmente por dores abdominais. Em geral, essas manifestações são oriundas de disfunções do trato gastrointestinal, contudo deve-se levar em consideração outras patologias que se mostram de maneira semelhante, como por exemplo a hepatite, torção uterina, obstrução uretral, peritonite e abcessos intra-abdominais (PARRY,1982; FERREIRA et al.,2007).

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Determinar o início do processo é um ponto extremamente crucial, pois pode indicar a gravidade da lesão e, em geral, manifestações que se deram a vários dias, podem indicar obstruções simples ou timpanismo, onde não houve alterações circulatórias e sofrimento de alças.

Já as sintomatologias súbitas, podem elucidar enfermidades no estômago relacionadas a dilatações gástricas e até mesmo alterações em intestino delgado (FEITOSA,2014). Segundo Mueller & Moore (2000), o animal pode expressar as seguintes manifestações em resposta à dor: decúbito em períodos prolongados; inapetência; inquietação; olhar para o flanco; escoicear o próprio abdome; sudorese intensa; distensões abdominais; jogar-se no chão e rolar; mucosas congestas ou cianóticas; taquicardia e tempo de preenchimento capilar elevado (TPC) .

Frente a isso, deve-se iniciar o exame clínico animal através de uma anamnese completa, buscando respostas em relação ao início das manifestações, calendário de vermifugação, produção ou não de fezes – bem como suas características físicas -, qualidade da dentição e alimentação, além de possíveis administrações medicamentosas antes da chegada do médico veterinário (LANDOLT,2009).

Posteriormente, segue-se para a avaliação dos parâmetros vitais, como temperatura retal, onde um estado hipotérmico indica que o animal está em choque e imediatamente, deve ser encaminhado para o tratamento, bem como o aumento de temperatura pode estar relacionado com causas infecciosas para a síndrome cólica, como duodeno jejunite proximal.

A elevação da frequência respiratória se dará em resposta a dor, acidose metabólica e em casos de timpanismo, por compressão do diafragma.

A liberação de catecolaminas somado ao estresse fisiológico, hipovolemia e endotoxemia resultam no aumento do pulso e da frequência cardíaca, influenciando também na coloração de mucosas e tempo de preenchimento capilar (FEITOSA,2014).

Sendo assim, Moore (2005) elucida que frequências cardíacas mais elevadas têm associação à problemas intestinais mais severos, como processos obstrutivos estrangulados, porém, nem todas as situações que necessitam de intervenção cirúrgica são acompanhadas de aumento da frequência cardíaca.

Outro ponto a ser considerado são os aspectos relacionados a hidratação do paciente, que deve ser avaliado através do tugor de pele.

Nas desidratações leves, há uma ligeira diminuição no tugor; nas moderadas tem-se o tempo de 6 a 10 segundos para pele retornar a sua posição inicial, além do paciente apresentar a mucosa oral seca; e na desidratação grave, como aspectos, apresenta a retração do globo ocular e pregueamento da pele (FEITOSA,2014).

Como conseguinte, é necessário a realização da ausculta abdominal, realizada nos quadrantes de ausculta intestinal, onde geralmente os borborigmos estarão diminuídos nesse tipo de paciente, porém, ruídos de flutuação podem indicar diarreia iminente devido a colite.  Já a ausência de ruídos, usualmente indica isquemia ou peritonite (LANDOLT,2009).

Um dos elementos cruciais para a exame físico do equino acometido pela síndrome cólica, é a colocação da sonda nasogástrica.

Por serem animais com incapacidade anatômica e fisiológica de vomitar, problemas com atonia intestinal ou dilatação gástrica, independente da etiologia, podem resultar em ruptura do órgão, tornando o procedimento de sondagem um meio de diagnóstico que pode salvar a vida do paciente, sendo necessária ser seguida de lavagens do estomago, atentando-se para a coloração e aspecto do fluido de retorno (MOORE,2005).

Seguido este procedimento é de suma importância também a palpação retal, levando em conta na avaliação a consistência do conteúdo, presença de distensão, edema, dores, tumores ou até mesmo abcessos (MUELLER & MOORE,2000).

Após a introdução da mão no reto, é necessário a retirada das síbalas de fezes. Aquelas ressecadas ou com presença de muco, indicam diminuição do trânsito intestinal, podendo evidenciar compactações ou outras obstruções, já aquelas diarreicas podem denotar enterites ou tentativa de desarme de alguma condição patológica, manifestando-se logo após a ocorrência de uma torção, obstrução ou intussuscepção.

As estruturas possíveis de serem localizadas através da palpação transretal, devem ser sentidas de forma sistematizada, no intuito de estabelecer um exame minucioso e de qualidade, garantindo assim, a diminuição de chances de não localização de uma alteração presente.

Como forma de exames complementares, a paracentese abdominal ou abdominocentese, mostra-se eficaz. Em cavalos com abdômen agudo, a analise físico-química e citológica do liquido peritoneal é uma das maneiras para se detectar alterações nas alças intestinais, pois estas, quando se apresentam em hipóxia decorrente de torções, obstruções ou infartos, permitem a passagem de células e proteínas para o liquido, alterando sua aparência e composição (FEITOSA,2014).

A cólica é a segunda em ordem de importância das causas de morte em equinos com mais de 30 dias de vida, permanecendo atrás somente das causas naturais, evidenciando assim, sua importância na clínica médica. Em geral, o prognóstico envolve uma série de fatores, como avaliação do grau de dor; distensão abdominal; coloração das mucosas e situação da resposta do sistema cardiovascular frente o desafio estabelecido (FREEMAN,2006; MOORE,2005).

 

Texto por: Mayara Santos Okamoto, 7º período, Universidade Federal de Uberlândia – UFU, Uberlândia-MG

 

REFERÊNCIAS:

ABUTARBUSH S.M., CALMART J.L. & SHOEMAKER R.W. 2005. Causes of    gastrointestinal colic in horses in western Canada:604 cases (1992 to 2002). Can. Vet. J.46:800-805.

COHEN N.D., MATEJKA P.L., HONNAS C.M.  et al.  1995. Case-control  study  of  the  association  between  various  management factors  and  development  of  colic  in  horses.  J.  Am.  Vet.  Med. Assoc. 206:667-673.

FEITOSA, F.L.F. Semiologia Veterinária: A arte do diagnóstico: 3ª. ed. Sã Paulo: Roca,2014. p. 155-169

FERREIRA, C.; PALHARES, M.S.; MELO, U.P., 2007.  Peritonite em equinos:fisiopatologia, diagnóstico e tratamento.  Rev.  CFMV 42:48-60.

PARRY B.W.  1982.  Prognosis and the  necessity  for  surgery  in equine colic. Vet. Bull. 52:249-260.

FREEMAN, D. E. (2006) Small intestine. In: Auer JA and Stick JA, eds. Equine Surgery 3rd

edition: 401-436

LANDOLT; G. A. (2009). Clinical examination of the colic case. In: Proceedings of the 48th BritishEquine Veterinary Association Congress, BEVA, 9 – 12 setembro, Birmingham, United Kingdom,

MOORE, J. N. (2005). Colic in Horses. In: C. M. Kahn, The Merck Veterinary Manual 9th Ed.p. 202-211. USA: Merial Edition

MUELLER, P.O.E. E MOORE, J.N. (2000). Clasificación y Fisiopatología del Cólico. In: Orsini yDivers, Manual de Urgências en la Clínica Equina- Tratamientos y Tecnicas. (pp. 157-159). Madrid, Espanha: Ediciones Harcourt, S.A.

SINGER E.R.  & SMITH M.A.  2002. Examination of the  horse with colic:is it medical or surgical? Equine Vet. Educ. 14:87-96.

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