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Problemas Odontológicos Associados a Erros de Manejo Alimentar

Problemas Odontológicos Associados a Erros de Manejo Alimentar 1

PROBLEMAS ODONTOLÓGICOS ASSOCIADOS A ERROS DE MANEJO ALIMENTAR.

 

Com a difusão dos esportes equestres, houve um aumento mundial da produção de equinos. Tais animais necessitam estar saudáveis e desempenhando sua melhor forma atlética. Assim, para facilitar e tornar eficiente os manejos, principalmente alimentares, a maioria dos equinos atletas são criados confinados em baias. Entretanto, erros de manejo relacionados a alimentação podem predispor a problemas odontológicos.

Os equinos possuem mais problemas dentários que qualquer outra espécie doméstica, pois apresentam anisognatia (arcada maxilar cerca de 30 % mais larga que a mandibular), são hipsodontes (tem coroa de reserva) e elodontes (os dentes crescem de 2 a 3 mm por ano, porém no caso de não ter oclusão podem crescer centímetros)  (HARPER & WAGONER, 1992).

Os equinos são animais de pastoreio contínuo. Em condições naturais, um equino no pasto mastiga até 20 horas por dia. Quando os cavalos são mantidos a pasto praticam uma mastigação com predominância do movimento de excursão lateral da mandíbula sobre os movimentos verticais. Cavalos confinados por longo tempo em baias comem alimentos concentrados ou peletizados mais rapidamente, praticam uma mastigação anormal, com predominância de movimentos verticais da mandíbula. Este tipo de movimento não é eficiente para a trituração da fibra da forragem e provocam um desgaste anormal dos dentes (ALVES, 2004; DIXON et al., 1999; LOWDER, 2004).

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Figura 1: Oclusão inadequada em incisivos. Fonte: STRAIOTO (2018).

Estes cavalos confinados e que não tem livre acesso ao pastoreio não usam seus dentes incisivos para o corte e, isto pode torná-los demasiadamente longos devido à ausência de atrito e desgaste. Como consequência, os dentes pré-molares e molares, responsáveis pela mastigação, tem seu contato reduzido, a eficiência da mastigatória é menor, a digestibilidade torna-se menos eficiente dificultando o ganho de peso (ALVES, 2004; DIXON et al., 1999; LOWDER, 2004).

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Figura 2: Pontas excessivas de esmalte dentário nos dentes pré-molares e molares da arcada superior, em contato com a buchecha do animal. Fonte: STRAIOTO (2018).

Uma das principais alterações dos dentes dos equinos são as pontas dentárias, causadas por desgaste irregular dos pré-molares e dos molares. Tal desgaste pode ocorrer devido à imperfeita coaptação anatômica da mesa dentária superior e inferior (linha de oclusão dental), e das características da fisiologia do ato de mastigação de alimentos fibrosos (THOMASSIAN, 2005).

 

Aspectos como manejo e hábitos alimentares, alterações de comportamento, dificuldades na condução, ganho de peso e queda de performance devem ser considerados quando se suspeita de processos dolorosos de origem odontológica (LOWDER, 2004).

A avaliação da cavidade oral dos cavalos é essencial para a manutenção da saúde bucal, pois possibilita o diagnóstico de afecções orais e o acompanhamento da eficácia terapêutica de tratamentos instituídos (MEIRELLES et al., 2016). Portanto, produtores devem solicitar atendimentos odontológicos por veterinários especializados rotineiramente para prevenção e correção de patologias e, assim, resultando em um cavalo mais saudável com melhor desempenho atlético.

  • Texto por: Hiago Araújo Viana, 4º período, Universidade Estadual do Ceará (UECE), Fortaleza.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ALVES, G. E. S. 2004. Odontologia como parte da gastroenterologia: sanidade e digestibilidade, p. 7-22. In: Alves, G.E.S., Pagliosa, G.M., Santos, J.A.M. (ed.) Congresso Brasileiro de Cirurgia e Anestesia Veterinária – Mini Curso De Odontologia Equina, 6. Faculdade de Jaguariuna, Indaiatuba.

DIXON, P. M.; TREMAINE, W. H.; PICKLES, K.; KUHNS, L.; HAWE, C.; MCCANN, J.; MCGORUM, B.; RAILTON, D. I.; BRAMMER, S. Equine dental disease. Part 1: A long-term study of 400 cases: disorders of incisors, canine and fisrt premolar teeth. Equine Veterinary Journal, v. 31, n. 5, p. 369-377, 1999.

HARPER, F.; WAGONER, D. Feeding to win II. Equine Research Inc., Texas, p.530, 1992.

LOWDER, M. Q. Dental disease and nutrition. Journal of Equine Veterinary Science, v. 24, n.4, p. 169-170, Apr. 2004.

MEIRELLES J. R. S, CASTRO M. L., GUEDES R. L., DECONTO I., RIBEIRO M. G., DORNBUSCH P. T. Prevalência de afecções da cavidade oral de cavalos de tração da região metropolitana de Curitiba – Paraná. Archives of Veterinary Science v.21, n.4, p.101-106. 2016.

STRAIOTO, K. A.; DA SILVA, L. S.; RIBEIRO, M. G. Odontologia Equina – Aspectos Importantes. Disponível em: <https://www.conhecer.org.br/enciclop/2018a/agrar/Odontologia%20Equina.pdf>. Acesso em: 15 de abril de 2020.

THOMASSIAN, A. Enfermidade dos cavalos, 4ªed, São Paulo: Varela, 2005, p. 274.

 

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