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A Antiga Relação do Homem com o Cavalo

A Antiga Relação do Homem com o Cavalo 1

A Antiga Relação do Homem com o Cavalo

O relacionamento de companheirismo e cumplicidade entre o homem e o cavalo foi construído ao longo de muitos anos. Na época atual, o animal tem seu valor principal no esporte, entretanto já desempenhou diversas funções importantes para construção da sociedade moderna.

A domesticação de diversas espécies de animais selvagens em animais domésticos foi um pré-requisito fundamental para o desenvolvimento da humanidade, contudo, o cavalo foi o animal que mais promoveu impacto sobre a guerra, transporte e capacidade de comunicação. Mesmo com a sua relevância histórica, o tempo e o lugar da domesticação dos cavalos continua incerto.

Evidências da domesticação do cavalo foram encontradas a leste dos Montes Urais, região que atualmente pertencem Cazaquistão e Rússia, onde habitava o povo antigo de cultura Botai cerca de 5500 anos atrás, na Idade do Cobre. Os Botai raramente pescavam ou caçavam gado e não cultivavam grãos, e a carne de cavalo era sua principal fonte de alimento através da caça desses animais selvagens: mais de 90% dos ossos encontrados espalhados na área das aldeias pertenciam aos cavalos.

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Os ossos serviam como utensílios de caça, o couro como laços e o esterco como telhado para seus abrigos. Os primeiros indícios de domesticação foram relatados com a finalidade do consumo de leite de égua, que não poderia ser obtido de um animal selvagem. Porém, não há indicativos que os animais eram usados para montaria.

À medida que a Idade do Cobre se encaminhava a Idade do Bronze, os ossos de ovelhas e gado tomavam o lugar dos ossos de cavalos, que agora eram colocados nos túmulos juntos aos guerreiros e os ricos.

Os povos começaram a cobrir distâncias maiores, seja nas costas de seus cavalos ou com carroças puxadas por eles ou por bois, levando consigo línguas, ideias religiosas, invenções e bens que adquiriram ou comercializaram tanto do Extremo Oriente como do Ocidente. Porem, acima de tudo, eles levaram os cavalos.

A raça mais antiga do mundo é o Puro-sangue Árabe, cuja origem é discutível, porém há registros de sua ocorrência desde os anos 4.000 a.C., na antiga Mesopotânia. Os Beduínos, povo nômade dos desertos, foram os responsáveis por domesticarem esses animais e os transportarem para dentro de sua região, após perceberem a capacidade dos mesmos de alcançar altas velocidades e de mantê-las por longos períodos de tempo.

O clima severo exigia que os nômades compartilhassem comida e água, e às vezes até suas barracas com seus cavalos,como resultado, os cavalos árabes desenvolveram uma afinidade próxima com o homem e uma alta inteligência.

No período medieval, variações entre diferentes atitudes foram amplamente difundidas conforme os grupos sociais se manifestavam e, ao mesmo tempo, exigiam diferentes tipos de cavalos. Os nobres julgavam a posição social por cavalos e cães de caça. Nas cultura européia contemporânea, o cavalo foi tudo como um animal nobre com aristocracia guerreira.
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No final da Segunda Guerra Mundial, o uso de cavalos estava principalmente associado à agricultura. A partir dos anos 50 os cavalos adquiriram um novo significado, sendo empregados então no esporte e na recreação, consequentemente melhorando sua importância social.

Em consequência de sua mobilidade e poder, os cavalos tiveram uma grande contribuição para as mudanças na existência humana. Por centenas de anos, o cavalo foi símbolo de poder, liberdade, superioridade e triunfo. Hoje, os cavalos são sinônimos de status, além de elevarem a autoestima daqueles que convivem com esses animais.

Texto por: Caroline Roldão, 7º semestre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre e Nicoli Guimarães Borges, 9º semestre, Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo
Referências:
FORREST, S. The Age Of The Horse: An Equine Journey Through Human History. New York: Atlantic Monthly Press, 2017. 438 p.
LEVINE, M. A. Botai and the Origins of Horse Domestication. Journal Of Anthropological Archaeology, [s.l.], v. 18, n. 1, p.29-78, mar. 1999. Elsevier BV. Disponível em <http://dx.doi.org/10.1006/jaar.1998.0332>. Acesso em: 27 de abril 2018.
LUDWIG, A. et al. Coat Color Variation at the Beginning of Horse Domestication. Science, [s.l.], v. 324, n. 5926, p.485-485, 24 abr. 2009. American Association for the Advancement of Science (AAAS). Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1126/science.1172750>. Acesso em: 29 de abril de 2018.

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