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Retenção de dentes de leite

Retenção de dentes de leite 1

Retenção de dentes de leite

O cavalo é um animal que atua no meio esportivo e como qualquer atleta, necessita de cuidados intensivos com sua alimentação. Entretanto, para que haja a garantia de uma boa alimentação, a atenção com a saúde dentária é fundamental, pois, após a apreensão, o alimento terá contato com os dentes, que serão os responsáveis pela trituração correta e consequentemente a digestão adequada.

Logo, qualquer problema relacionado aos dentes afeta diretamente sua alimentação e como consequência, sua performance. Desse modo, é de extrema importância a análise dentária periódica nos equinos, afim de evitar possíveis complicações a saúde do animal.

Os equinos possuem até 44 dentes permanentes, alterando de macho para fêmea, sendo incisivos (12), canino (4) rudimentar presente em machos e algumas fêmeas, pré-molares (12/16 –caso desenvolva o dente de lobo) e molares (12).

O hábito alimentar influencia completamente a formação da dentição do animal, como os cavalos possuem alimentação mais abrasiva, têm dentes hipsodontes, ou seja, dentes de coroa mais alta e carecem de desgaste. Assim como os humanos, os cavalos também possuem dentes provisórios (“dente de leite”), sendo estes totalizando até 28.

O nascimento dos dentes ocorre após uma semana de desenvolvimento do potro, aparecendo primeiramente as pinças (incisivos), os pré-molares e por último os caninos. Já os molares e dente de lobo (primeiro pré-molar rudimentar) erupcionam diretamente como definitivo.

Os dentes de leite são menores, mais claros e o infundíbulo mais largo e raso que os dentes permanentes. Após seu crescimento e, por possuírem afrouxamento de raízes conduzirão o caminho para o crescimento do dente permanente que exercerá pressão e provocará a sua queda. Essa fase é denominada troca dentária. Nos cavalos ocorre até os 5 anos, sendo só então o animal considerado adulto.

Retenção de dentes de leite 2

Entretanto, na espécie equina é comum ocorrer retenção desses dentes de leite. A retenção do dente de leite pode ocorrer de algumas maneiras, mais comumente pelo dente de leite não “amolecer” devido à falta de reabsorção dentária e desta forma obstruir o crescimento do dente definitivo, ocorrendo seu deslocamento.

Ademais pode ocorrer o desenvolvimento errôneo do ponto embriológico do dente definitivo e, consequentemente, durante seu crescimento não sucede a pressão adequada para o dente de leite cair.

Outra possibilidade é o dente provisório continuar ligado ao dente definitivo (capa dentária impactada ou coroa retida) podendo gerar fístulas e como resultado dor na gengiva. Independente da origem da retenção dentária, irá ocorrer desalinhamento da angulação ou oclusão do dente original gerando desconforto durante a mastigação desalinhando a mordida do animal, sendo esta posteriormente levando a futuros problemas dentários.

A inflamação ocorre como consequência, tendo uma proliferação de palato mole denominado travagem. Esta é considerada fisiológica no período de transição dentária, porém tornando-se patológico deve ser consultado o médico veterinário. Caso necessário, ocorrerá a extração do dente -realizada facilmente devido à raiz mais frouxa-  em um pequeno procedimento cirúrgico.

Apesar de ser uma complicação comum, a retenção de dente de leite é um problema fácil de ser diagnosticado e tratado. Para tal resultado eficiente, deve ser realizado a análise dentária periódica, ou seja, observação dos sintomas decorrentes de problemas dentários, sendo estes bem característicos: perda de peso, inchaços, partículas grandes da alimentação nas fezes, mastigação acompanhada de dor, sialorreia (produção excessiva de saliva), mau cheiro na boca e principalmente queda do desempenho. Além da observação dos sinais, o encaminhamento rápido para um médico veterinário é a chave para o tratamento e resolução da retenção do dente de leite.

 

Vanessa Demillecamps Lima Cunha, 7 período, Medicina Veterinária, Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro

Referências:

DYCE, K. M. Tratado de Anatomia Veterinária. 4 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. 107-112 p.

ROZA, MARCELLO R. Odontologia Veterinária: Princípios e Técnicas. 1 ed. Rio de Janeiro: Medvet, 2018. 13p.

KLUGH, David. O Principles of Equine Dentistry. 1 ed. London: Manson Publishing Ltd, 2010. 79 p.

 

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