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Nutrição Edição 2° Ano 2017

Nutrição em Equinos e Suas Respectivas Fases

Nutrição em Equinos e suas respectivas Fases

Nutrição em Equinos e suas respectivas Fases

Os equinos possuem hábito alimentar determinado por suas características anatômicas e fisiológicas, são animais herbívoros com seletividade por alimentos de maior palatabilidade e possuem característica pró- pria de pastejo constante. SILVA et al. (2004), avaliando equinos em pastagem de cerrado nativo, observaram um tempo de pastejo diurno de 9 horas, e noturno de 8 horas, totalizando um tempo total de pastejo de 17 horas. A partir da domesticação ocorreram mudanças no manejo nutricional e alimentar dos equinos. A disponibilidade da variedade de espécies forrageiras, antes proporcionada pelo hábito selvagem, foi substituída por forragens e alimentos que muitas vezes não fazem parte de sua dieta. A exigência nutricional dos equinos é influenciada por diversas variáveis, tais como, fase de desenvolvimento, atividade física exercida, sexo, peso vivo, eficiência individual dos processos metabólicos e até mesmo fatores ambientais, tornando-se, portanto, um assunto extremamente complexo.
O presente trabalho visa abordagem de alguns aspectos no manejo alimentar e exigência nutricional em conjunto para categorias distintas: éguas gestantes, lactantes e potros desmamados.Nutrição em Equinos e Suas Respectivas Fases 1
ÉGUAS GESTANTES: Os equinos possuem ciclo poliéstrico estacional de dias longos, e o fotoperíodo é o principal fator determinante na sazonalidade reprodutiva. Devem ser considerados, porém, outros fatores como nutrição, latitude, temperatura e estresse. A média de duração da gestação é de 11 meses, a cobertura e nascimento dos potros ocorrem na primavera e verão, período de maior disponibilidade de alimentos. Os nutrientes necessários de fêmeas prenhes pode ser particiona- do para as seguinte categorias: (1) Os nutrientes necessários para mantença; (2) Os nutrientes necessários para sintetizar tecido fetal; (3) Os nutrientes necessários para sintetizar o tecidos acessório de concepção (placenta, desenvolvimento do útero e desenvolvimento da glândula ma- maria) e (4) Os nutrientes necessários para manter os tecidos recém- sintetizadas do feto, placenta, útero e glândula mamaria. Para calcular com precisão as necessidades de nutrientes de éguas prenhes, seria necessário saber a taxa de acumulação de tecidos fetais e acessórios, a eficiência de nutriente para a síntese do tecido, e os custos de manutenção destes tecidos, no entanto, os dados e pesquisas relacionados a tais fatores são escassos devido ao seu elevado grau de complexidade.
As necessidades dietéticas da égua em reprodução podem ser divididas em três fases: (1) Os primeiros oito meses de gestação, (2) Os últimos três meses de gestação e (3) A lactação (Pode coincidir com 0-4 meses de gestação). Nos primeiros oito meses de gestação não há impacto prático sobre as necessidades nutricionais, ou seja, as exigências não diferem das éguas em mantença. A maior parte do crescimento fetal ocorre durante os últimos 90 dias de gestação, mesmo assim, a fuga de nutrientes para sustentação do crescimento fetal e placentário normal é muito menor do que para a lactação.
Durante os primeiros oito meses de gestação ocorre o crescimento de 1/3 do desenvolvimento fetal, nessa fase as exigências nutricionais da égua são as mesmas da mantença ou manutenção, recomenda-se o fornecimento fracionado, em no mínimo duas vezes ao dia, de aproximada- mente 0,5 kg de ração balanceada para cada 100 kg de peso vivo, e ainda volumoso de qualidade a vontade.
Segundo FRAPE (2004), considera-se como “mantença” os gastos energéticos requeridos para eventual manutenção calórica acrescidos-
das despesas para produção, que envolve tanto trabalho quanto deriva- dos. A segunda fase da gestação, últimos três meses, compreende 2/3 do crescimento fetal, portanto, requer maior atenção no manejo nutricional. Nesse momento, se faz necessário o fornecimento de alimentos energéticos balanceados em maior quantidade, devido a redução da capacidade intestinal, causada pelo crescimento exponencial do feto e exigência nutricional do mesmo. Deve-se fornecer ao animal cerca de 1 kg de concentrado para cada 100 kg de peso vivo, com fracionamento de, no mínimo, duas vezes ao dia, e ainda volumoso à vontade.
Como o feto ocupa uma proporção crescente da cavidade abdominal da égua, sua capacidade de alimentação volumosa diminui durante o período em que a necessidade por nutrientes aumenta. Devido a esse fator, se faz necessário o aumento da qualidade de pastagem e até mesmo o fornecimento de feno e concentrados. A qualidade da forragem deve ser melhorada durante os últimos três meses de gestação. Quando se fala em qualidade de forragem, deve-se levar em conta a fertilidade do solo, composição bromatológica e volume disponível para suprir as necessidades da égua.
Durante os últimos quatro meses de gestação, os tecidos fetais acumulam 77 gramas de proteína, 7,5 gramas de cálcio, e 4 gramas de fósforo por dia . Além de proteínas e macrominerais, a suplementação mineral também é muito importante durante o último trimestre de gravidez, pois o feto armazena ferro, zinco, cobre e manganês em seu fígado para uso durante os primeiros meses após o nascimento. Este processo fisio- lógico é necessário porque o conteúdo mineral do leite de égua é relativamente baixo e não satisfaz a exigência do potro.
Cada animal possui uma eficiência individual dos processos metabólicos, portanto, é importante realçar a importância da atenção ao es- core corporal das gestantes desde a concepção ao parto. É correto afirmar que, tanto desnutrição quanto o sobrepeso podem ser fatores pre- judiciais ao desenvolvimento fetal, parto e puerpério.

ÉGUAS LACTANTES: Durante a lactação há um grande aumento das exigências nutricionais. Em relação a energia, algo em torno de duas vezes a mantença. Este aumento é proporcional à quantidade de leite pro- duzido pela égua, sendo que a produção está relacionada ao peso da mesma. Normalmente as éguas produzem em torno de 3% do seu peso vivo em leite nos primeiros 3 meses de lactação e em torno de 2% entre o 4° e 6° mês de lactação 7,6 .
Durante o início da lactação, a exigência de energia é aproximada- mente o dobro da égua durante gravidez precoce, ao passo que as necessidades de proteínas são dobradas e as exigências de lisina, cálcio e fósforo são maiores que 300% 6.
As exigências diárias de energia digestível (ED, mcal/dia) e proteína bruta para animais adultos em lactação variam de acordo com seu peso vivo. Animais com 400 kg, 500 kg e 600 kg de PV possuem exigência aproximada de 22,9; 28,3 e 33,7 mcal/dia de ED e 1141; 1427 e 1711 g de proteína bruta, respectivamente.
O consumo esperado de alimentos com % em peso vivo para éguas no final da gestação e início da lactação é 1,0 a 2,0 kg de volumoso e 1,0 a 2,0 kg de concentrado por dia. Os valores para alimento concentrado são determinados pelo peso vivo e consumo do animal, que pode variar de 0,5 a 2,0% do PV nessa fase. Éguas em final de lactação, após os primeiros três meses, devem ser tratadas com 0,5 a 1,5 kg de concentrado por dia, respeitando o consumo de 0,5 % do PV.

Potros Lactantes: Potros crescem rapidamente durante os primeiros meses de vida, quadruplicando seu peso em cinco meses de idade 4. Os potros derivam sua energia, proteínas e minerais para apoiar este crescimento rápido com a combinação do leite, pasto, grão suplementar e armazenamento corporal de minerais. Se a égua recebeu uma alimentação corretamente fortificada durante o terço final da gestação e produz leite de forma adequada, na maior parte dos casos, não é necessário complementar a alimentação do potro com grãos até os 90 dias de ida- de. Se as éguas são alimentadas com ração acessíveis ao potro, é uma prática aceita que a potro consuma parte da ração da égua nos primeiros meses. A quantidade de alimento sólido ingerido está estreitamente associado a quantidade de leite consumido. Quanto maior a disponibilidade de leite, menor o consumo de alimentos sólidos pelo potro 1.
Algumas fazendas introduzem alimentos concentrados a partir dos 90 dias de idade, aumentando gradualmente a quantidade oferecida de modo que a ingestão de grãos diária do potro seja de 0,5 kg de alimento por mês de idade. Potros começam a consumir pequenas quantidades de feno e concentrado entre 10-21 dias de idade2. Uma prática alternativa consiste em introduzir o creepfeeding, permitindo o acesso ilimitado em coxos especialmente projetados até que os potros estejam consumindo cerca de 2 kg diariamente. Uma vez que os potros estejam co- mendo 2 kg por dia, a quantidade de alimentos para animais no creepfeeding deve ser limitado de modo que eles recebam no máximo 0,5 kg por mês de idade. Se a quantidade não for limitada, alguns potros vão comer quantidades excessivas, o que resulta em uma taxa de crescimento rápido. Ambas as práticas requerem acompanhamento regular do peso corporal para garantir a manutenção de um ritmo bom e homogêneo de crescimento entre os potros.
Muitas vezes é difícil garantir que o potro receba todo a sua alimentação pelo creepfeeding. Se éguas e os potros estão no mesmo pasto e os potros são alimentados em um grupo, é importante observar a ali- mentação para garantir que todos os potros possam ter acesso ao ali- mentado e receber a sua dose diária. Potros dominantes podem consumir mais do que sua parte, caso isso ocorra pode ser que seja necessário separar os potros mais lentos dos dominantes. A quantidade de creepfeedind necessário deve ser colocado no alimentador de fluência em quantidades iguais, pelo menos,duas vezes ao dia, após remoção da sobra da refeição anterior.
É importante que o potro esteja acostumado a comer alimentos complementares antes do desmame. Se os grãos são oferecidos somente pós-desmame é provável que um surto de crescimento compensatório ocorra. Esse surto de crescimento aumenta significativamente o risco de desenvolvimento de doenças ortopédicas do desenvolvimento (DOD). Se o potro obteve um bom programa de alimentação, este surto de crescimento, e posteriormente, o risco de DOD, é reduzido. É importante lembrar que os erros de nutrição durante o início do crescimento podem levar a problemas de desenvolvimento, limitando seu desempenho futuramente 1.

POTROS PÓS-DESMAME: A idade de desmame depende do sistema de criação e gestão, os potros são comumente desmamados a partir de quatro a oito meses de idade. No entanto, a melhor idade para desmamar é quando as necessidades do potro não são atendidas principal- mente pelo leite da égua e, portanto, devem ser fornecidos pela inges- tão de alimentos sólidos. Os erros de alimentação mais comuns atribuí- das a doenças ortopédicas do desenvolvimento são o consumo excessivo de grãos, escolha inadequada de grãos para a forragem que está sendo fornecida e fornecimento inadequado de grãos. Estes três cenários são facilmente corrigidos através da formulação adequada de grãos para o cavalo em crescimento e gestão correta do fornecimento. Cavalos jovens que já sofrem de doença ortopédica do desenvolvimento devem ter a sua ingestão de energia reduzida, mantendo níveis corretos de proteínas, vitaminas e minerais.
Os níveis de crescimento para potros podem ser classificados como rápido ou moderado. Como em outras espécies, todos os nutrientes de- vem ser fornecidos em quantidades e proporções adequadas para que o
crescimento seja otimizado. A diferença básica entre os dois níveis de crescimento são as taxas de ganho de peso impostas aos animais, com consequentes diferenças nas concentrações de nutrientes exigidas (mais nutrientes para o nível rápido de crescimento). A lisina é o aminoácido mais limitante para equinos, recomenda-se uma concentração na dieta em torno de 0,65% para potros lactentes e 0,5% para potros jovens desmamados.

Potro Jovem (Após um ano de vida): A nutrição e manejo alimentar de equinos com um ano é influenciada pelo objetivo ou atividade exercida pelo animal. Cada cavalo deve ser alimentado como um indivíduo, isso irá garantir que a quantidade correta de nutrientes seja consumida, no entanto a alimentação individual não é prática, especialmente para cavalos criados em grupos a pasto. Nessa situação, os animais de- vem ser divididos em grupos com base na idade e peso corporal. Grupos com mais de 20 animais devem ser subdivididos com base no tempera- mento e peso, com a finalidade de evitar competição por alimento, além disso, recomenda-se a separação por gêneros após desmame, pois ambos os sexos podem atingir a puberdade na primavera do primeiro ano 1. A relação do volumoso concentrado varia de acordo com a qualidade nutricional e maturidade da forragem (pastagem ou feno), quanto maior a maturidade da forragem, menor o valor nutritivo. Deve ser levado em consideração que as leguminosas tropicais são mais ricas em proteína bruta, cálcio e fósforo e tem maior digestibilidade que as gramíneas, possuindo maior valor nutritivo 9.

Em muitos casos, os requisitos de energia e, por vezes, proteína de cavalos jovens em crescimento podem ser atendidos apenas pela forragem, dependendo da qualidade e quantidade oferecida. No entanto, a maioria dos equinos em crescimento exigem energia e proteína superior ao que é fornecido pela forragem. Em uma tentativa de adicionar energia à dieta de um cavalo, muitos criadores fornecem cereais grãos (Aveia, cevada, milho). Geralmente, a dieta do cavalo jovem em crescimento é construída por forragem de boa qualidade (1,5% do peso corporal na MS de forragem por dia) e concentrado especialmente formulado para atender energia, proteínas e nutrientes. Não há qualquer necessidade de suplementação adicional, a não ser que haja deficiências ou problemas específicos comprovados. A única exceção é o sal, que deve ser oferecido a vontade 1.

Texto: Camila Arruda de Almeida, Zootecnista, Universidade Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Co-Autor: Hugo Garcia da Silveira, Médico Veterinário, CRMV/SP 38695-VP Buritizal, SP
Revisão e Edição: Deivisson Ferreira Aguiar, Medico Veterinário, CRMV/ES 1569 – Muniz Freire, ES
REFERÊNCIAS

  1. BROWN-DOUGLAS, C.G. Nutritional manegement of growing horses. Mordern feeding ma- negement for healtlhy and compromised horses. Lexington, Kentucky Equine Reseach. 2012
  2. FRAPE, D. Equine Nutrition and Feeding, p.204-208, 2004.
  3. LAWRENCE, L. The new NRC: Updated Requirements for Pregnancy and Growth . In: Advan- ces in Equine Nutrition IV. University of Kentucky, Lexington, Kentucky, 2009.
  4. MEYER, H. Cu-stoffwechsel und – bedarf des pferdesUbersTierernahrg 22:363-394, 1994.
  5. MEYER, H.; AHLSWED, L. Uber das intrauterine wachstum und die korperzusammensetzung von fohlensowie den nahrstoffbedarftragenderstuten. Ubers. Tierernahrg 4:263-292, 1976.
  6. NRC, 2007. Nutrient Requirements of Horses. Washington DC, National Academies Press. 2007
  7. PAGAN, J.D. The role of nutrition in the management of Developmental Orthopedic Disease. In: Advances in Equine Nutrition III. Nottingham University Press, U.K., p.417-431, 2005.
  8. SILVA, L.A.C. et al. Comportamento de pastejo e preferênciaalimentar de cavalos pantanei- ros usados no manejo diário dogado do pantanal. In: Reunião anual da sociedade brasileira de zootecnia, 41., 2004, Campo Grande. Anais… Campo Grande, 2004. CD-ROM.
  9. SEIFFERT, N.F.; THIAGO, L.R.L.S. Legumineira: cultura forrageira para produção de proteína. Campo Grande: Embrapa/cnpgc. ( circular técnica, 13) 52p., 1983.
  10. TAROUCO, KA. Fisiologia reprodutiva da égua. Estacionalidade Reprodutiva: A estacionali- dade dos acasalamentos, na maioria das espécies, pucrs. campus2. br/thompson/fisiologia reprodutiva da égua, 2012.

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1 comment

Oderman 14 de novembro de 2017 at 17:15

Muito bom o artigo.

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