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Osteodistrofia Fibrosa em Equinos

Osteodistrofia Fibrosa em Equinos 1

A osteodistrofia fibrosa é uma enfermidade conhecida como “cara inchada” e está diretamente relacionada às condições nutricionais do animal. Essa afecção ocorre quando o cavalo é submetido à dieta com baixa concentração de cálcio (Ca) e concentração relativamente alta de fósforo (P), gerando hiperparatireoidismo, aumentando a reabsorção óssea e substituição por tecido fibroso na estrutura do osso.

A relação Cálcio-Fósforo correta e equilibrada é aproximadamente 2:1, e quando ocorre o desequilíbrio dessa relação pode-se desenvolver a osteodistrofia. Essa alteração na dieta pode ocorrer quando a alimentação é pobre em cálcio e/ou vitamina D e contém excesso de fósforo. Quando a pastagem em que o animal estiver inserido possuir plantas ricas em oxalato (Setaria anceps, Cenchrus ciliares, Panicum maximum, Pennisetum clandestinum Brachiaria spp.), por exemplo, mesmo que as proporções de cálcio e fósforo estejam normais na dieta, o Cálcio não fica disponível para absorção. O oxalato é uma substância que, ao ser absorvido pelo organismo, se une ao cálcio formando o composto oxalato de cálcio, impedindo a metabolização desse mineral pelo organismo.

Como consequência do desequilíbrio alimentar, em relação a altos níveis de fósforo há hiperfosfatemia, estimulando a elevação da secreção de paratormônio (PTH) pelas paratireóides, e isso gera reabsorção óssea. Esse mecanismo é ativado pelo organismo para que se eleve a concentração de cálcio no sangue, e onde houver a reabsorção, há substituição por tecido fibroso.

Essa doença ocorre com mais frequência em animais jovens em fase de crescimento, principalmente aqueles criados em sistema intensivo que se alimentam de cereais, milho e subprodutos de cereais, ou que não recebem uma suplementação adequada de cálcio (RIET-CORREA et al., 2007).

Os sinais clínicos consistem no abaulamento dos ossos da face, devido ao aumento de volume bilateral, podendo interferir na respiração do animal. Outras formas de apresentação da doença são incoordenação dos movimentos dos membros posteriores, dificuldade de caminhar e deglutir, queda dos alimentos da boca durante a apreensão e mastigação, corrimento ocular, apatia e anorexia. Em estágios mais avançados o animal pode apresentar extremo emagrecimento, anemia e até morte. Durante a necropsia observa-se fragilidade e porosidade dos ossos, principalmente na cabeça. Tanto os ossos da mandíbula, maxilar, nasais e medula óssea vermelha possuem tecido fibroso.

O diagnóstico é baseado nos sinais clínicos apresentados pelo animal e em dados epidemiológicos. Uma anamnese bem feita também é de grande importância já que o conhecimento sobre a dieta possui relevância, principalmente avaliando as concentrações de Ca:P. No exame de sangue encontra-se hipocalcemia, altos níveis de fósforo inorgânico e da atividade da fosfatase alcalina. E durante a radiografia, há aumento da área radioluscente e osteopenia.

Como forma de controle da doença, os animais alimentados com cereais, milho, farelo de arroz ou trigo, dietas ricas em fósforo e pobre em cálcio, devem ser suplementados adequadamente com cálcio.  A manutenção das relações Ca:P em aproximadamente 1:1 é uma medida preventiva. Para os cavalos em tratamento deve-se corrigir o desequilíbrio entre essa relação, pois as lesões podem regredir de acordo com a terapia adequada. Animais alimentados com feno ou rações de cereais podem ser suplementados com alfafa, fenos de leguminosas ou carbonato de cálcio (RIET-CORREA et al., 2007). Para equinos em pastagens de clima tropical, com alto conteúdo de oxalatos, a doença pode ser prevenida pela administração de sal comum e carbonato de cálcio, com proporções avaliadas por um profissional adequado.

Texto por: Nathália Louise Bezerra de Brito. Estudante do 7º período de Medicina Veterinária na Universidade Federal de Campina Grande/PB

Edição e Revisão: Deivisson Ferreira Aguiar – Médico Veterinário CRMV/ES 1569 – Muniz Freire/ES

REFERÊNCIAS

RIET-CORREA, Franklin et al. Doenças de Ruminantes e Equídeos. São Paulo: Fernovi Editora, 2007. 2 v.

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