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Noções Básicas de Prevenção de Laminite

Noções Básicas de Prevenção de Laminite 1
V.5, Ed.1, N.204(2020)

NOÇÕES BÁSICAS DE PREVENÇÃO DE LAMINITE

LAMINITIS PREVENTION BASICS

Laurie BONNER

Traduzido e Adaptado por:

FARIA, M.C1

1 Graduanda do nono período de Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) – Endereço para contato: [email protected]

RESUMO: A laminite é a inflamação das lâminas do casco, estruturas sensíveis que conectam a parede do casco a falange distal, resultando em dor, claudicação e perda de desempenho atlético. Ela apresenta etiologia complexa e multifatorial de origem vascular, inflamatória, metabólica, endócrina e / ou traumática. Independentemente da origem, acaba levando ao comprometimento da integridade desta estrutura, que pode resultar o fim da carreira desportiva do animal ou mesmo eutanásia. Para proteger um equino desta doença, é preciso identificar os fatores que podem colocá-lo em risco, tomar as medidas preventivas apropriadas e estar preparado para responder caso observe os primeiros sinais da doença.

Palavras-chave: casco, equino, resistência à insulina, obesidade.

ABSTRACT: Laminitis is the inflammation of the hoof blades, sensitive structures that connect the hoof wall to the distal phalanx, resulting in pain, lameness and loss of athletic performance. It has a complex and multifactorial etiology of vascular, inflammatory, metabolic, endocrine and / or traumatic origin. Regardless of the origin, it ends up compromising the integrity of this structure, which can result in the end of the animal’s sporting career or even euthanasia. To protect a horse from this disease, it is necessary to identify the factors that may put it at risk, take appropriate preventive measures and be prepared to respond if you notice the first signs of the disease.

Keywords: hoof, equine, insulin resistance, obesity.

Introdução

A laminite é a inflamação das lâminas do casco, estruturas sensíveis que conectam a parede do casco a falange distal, resultando em dor, claudicação e perda de desempenho atlético. Ela apresenta etiologia complexa e multifatorial de origem vascular, inflamatória, metabólica, endócrina e / ou traumática. Independentemente da origem, acaba levando ao comprometimento da integridade desta estrutura. Em casos graves, as lâminas enfraquecem a ponto de não conseguirem suportar a falange, que então afunda e / ou rotaciona. Nesses casos, os danos causados acabam resultando o fim da carreira desportiva do animal ou mesmo eutanásia (REDDEN, 2007; WYLIE et al., 2012).

A laminite pode se apresentar na forma aguda ou crônica. O episódio agudo ocorre rapidamente e pode responder ao tratamento intensivo apropriado, já quando o crônico ocorre é uma condição persistente e de longo prazo que pode ser de difícil tratamento. Mas, independente do tipo, para proteger um equino desta doença, é preciso identificar os fatores que podem colocá-lo em risco, tomar as medidas preventivas apropriadas e estar preparado para responder caso observe os primeiros sinais da doença.

Discussão

Fatores de risco comuns para laminite

Qualquer equino pode desenvolver laminite se ingerir altas quantidades de grãos, mas em cavalos em que o estado de saúde e / ou histórico os torna suscetíveis à doença, porções adequadas ou pequenas de amidos e açúcares podem ser desencadeadoras. Vários fatores colocam os cavalos em maior risco de laminite:

  • Síndrome metabólica equina (SME) é o termo usado para um conjunto de sinais que geralmente incluem obesidade, resistência à insulina e infertilidade. Cavalos com SME tendem a ganhar peso com facilidade e é comum que tenham depósitos de gordura perceptíveis na região do pescoço, base da cauda e atrás do ombro. A SME é tratada principalmente por meio de dieta e exercícios.
  • A disfunção da Pars intermediária hipofisária (PPID ou Síndrome de Cushing) é caracterizada principalmente por uma pelagem longa e crespa (hirsutismo), mas outros sinais incluem sudorese excessiva, letargia, perda de peso e de massa muscular, polidipsia, poliúria, e maior suscetibilidade a infecções. A PPID pode ser controlada com medicação (pergolida), controle da dieta e exercícios.
  • Lesões graves ou doenças sistêmicas colocam os cavalos em risco de laminite como complicação.
  • Tensões nos cascos ou em um único membro podem danificar as lâminas do casco, levando à laminite mecânica, mesmo se o cavalo não possuir os fatores de risco. Por exemplo, o impacto produzido por um trabalho pesado em um solo extremamente duro pode causar laminite, assim como o estresse colocado no casco por desequilíbrios persistentes. Assim como, uma lesão ortopédica grave que obriga o animal a sustentar mais peso do que o normal em um membro específico aumenta o risco de laminite.
  • Pôneis, determinadas raças e linhagens são mais propensos a desenvolver doenças como PPID e SME que os tornam mais suscetíveis à laminite.

 

Estratégias de manejo para prevenir laminite

  1. Pastoreio: alguns equinos podem ingerir grandes quantidades de gramínea nova, com alto teor de açúcares, sem complicações, mas outros podem desenvolver laminite após comer pequenas quantidades. Assim, pode ser preciso limitar o acesso do animal a essas pastagens.
  2. Dieta: redução de açúcares e amido na dieta de cavalos que tiveram laminite, resistentes à insulina ou estão em risco. Há alimentos formulados especificamente para prevenir a laminite, com baixo teor de açúcar.
  3. Cuidados com o casco: cascos muito crescidos e desequilibrados podem desenvolver laminite mecânica. Caso ocorra laminite, os cascos descuidados têm maior probabilidade de afundar do que os cascos saudáveis e equilibrados. Portanto, é importante o casqueamento e ferrageamento regulares dos cavalos (a cada seis a oito semanas).
  4. Manutenção de peso: a relação entre obesidade, disfunção metabólica e laminite não é totalmente compreendida, mas o que se sabe é que cavalos obesos têm probabilidade maior de desenvolver laminite do que aqueles com peso ideal. Desse modo, o ideal é uma avaliação periódica da condição corporal do animal e caso esteja começando a ganhar peso em excesso, é fundamental o planejamento de uma dieta e exercícios.

Sinais de laminite

  • Letargia e relutância em se locomover: quando ambos os membros torácicos ou os pélvicos foram acometidos, o animal tende a deslocar o peso corporal para os membros que não estão afetados, empurrando os membros pélvicos à frente desviando o seu peso para os membros pélvicos, ou estendendo seus membros pélvicos para que o peso seja deslocado para os membros torácicos. Já quando os quatro membros estão afetados, os cavalos procuram permanecer em decúbito por longos períodos e, ao se levantarem, empurram os pélvicos para frente e os torácicos para trás, diminuindo a sua base de sustentação. Quando apenas um membro é acometido, o animal tenta jogar o seu peso para o membro contralateral (REIS, 2014; STASHAK, 2004).
  • Decúbito e reluta em levantar.
  • Evidências de dor, que podem incluir sudorese, respiração superficial e aumento da frequência cardíaca rápida.
  • O casco ou cascos afetados ficam quentes ao toque.
  • Pulso aumentado na região dos membros afetados. Esse pulso pode ser difícil de localizar em um cavalo saudável, mas se torna mais proeminente logo acima ou logo abaixo da articulação quando um cavalo tem laminite.

O que fazer quando há suspeita de laminite

Há certas medidas para interromper o progresso da laminite e preparar para o tratamento e a recuperação do cavalo:

  • Gelo nos cascos afetados: segundo pesquisas, colocar as patas do cavalo no gelo ao primeiro sinal de problema reduz a gravidade da laminite. Este procedimento pode até prevenir totalmente a doença se, por exemplo, há suspeita ou o cavalo ingeriu grandes quantidades de grãos.
  • Manter o cavalo em repouso: o estresse nos cascos durante o exercício no cavalo com laminite pode danificar as lâminas enfraquecidas.
  • Analisar os sinais vitais do cavalo: uma febre pode indicar uma doença subjacente e, parâmetros como pulso e frequência respiratória oferecem informações sobre a gravidade da dor.

Conclusão

A laminite, sem dúvida, é uma doença que causa grandes prejuízos por conta dos gastos com tratamentos, por determinar o fim da carreira desportiva, ou mesmo eutanásia, além de causar interferências no bem estar do animal. Desse modo, a prevenção é essencial. A conscientização dos proprietários da importância de evitar alimentar excessivamente o animal, manter a condição corporal adequada, cascos em boas condições e exercícios adequados são os pontos básicos para prevenir laminite. Quando a prevenção falha é ainda preciso estar preparado para responder caso observe os primeiros sinais da doença para evitar a evolução da doença.

Referências

REDDEN, R. Understanding Laminitis. [s.l: s.n.].

REIS, F. B. LAMINITE EM EQUINOS. Applied Microbiology and Biotechnology, v. 85, n. 1, p. 2071–2079, 2014.

STASHAK,  ED S. Adams Claudicaciones en Equinos. 5. ed. Buneos Aires: Inter-Médica, 2004.

WYLIE, C. E. et al. Risk factors for equine laminitis: A systematic review with quality appraisal of published evidence. Veterinary Journal, v. 193, n. 1, p. 58–66, 2012.

 

 

 

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