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Retenção de Placenta em Éguas

Retenção de Placenta em Éguas 1

Retenção de Placenta em Éguas

Retenção de Placenta em Éguas 2

 

 

A retenção de placenta é considerada uma falha na expulsão das membranas fetais que deve ocorrer na terceira fase do parto (fase de expulsão).  De acordo com ANGRIMANI et al. (2011), as éguas devem expulsar a placenta do útero entre 30 minutos e 3 horas pós-parto. Mas, alguns outros autores citam 2 horas como sendo o tempo limite.
Essa enfermidade pode ocorrer devido a diversos fatores que resultam em ausência da contratilidade uterina ou inflamação da placenta. Alguns desses fatores são: manejo inadequado das fêmeas gestantes, estresse, infecções bacterianas, doenças metabólicas, deficiências nutricionais e hormonais, dentre outros.
O período pós-parto é denominado puerpério e, fisiologicamente, é dividido em 2 fases que preparam a fêmea para uma nova prenhez. A primeira fase é o “delivramento”, e corresponde à liberação das membranas fetais, que deve ocorrer em até 2 horas, e o lóquio (fluido com sangue materno e do potro, muco, restos placentários) é expulso gradativamente na primeira semana pós-parto. A coloração normal é amarelada ou marrom-avermelhada e possui um cheiro característico. A segunda fase consiste no período da involução uterina até que o útero esteja preparado para gestar novamente, e ocorre em média 3 semanas no puerpério.
A etiopatogenia está relacionada com as concentrações de ocitocina e cálcio no sangue, pois, se as mesmas estiverem baixas, pode haver a retenção da placenta. Alterações na micro-circulação placentária podem promover colapso dos vasos umbilicais após o parto, contribuindo para o aumento da pressão sanguínea nas vilosidades uterinas, e resultando em encarceramento das criptas uterinas, como foi citado por ANGRIMANI et al. (2011). Outro caso também frequente é a infecção bacteriana que se instala antes do parto, causando endometrite.
Comumente, o sinal clínico evidente é a presença dos envoltórios fetais pendulares na vulva, mas, às vezes, eles permanecem completamente no útero sem apresentar sinais evidentes se o quadro for inicial. Já havendo retenção de placenta por mais de um dia, o animal apresenta febre, endometrite, prostração, desidratação, cólicas abdominais e toxemia, que pode evoluir para um quadro de laminite (ANGRIMANI et al., 2011).
Para diagnóstico definitivo deve-se realizar o exame obstétrico adequado, como palpação retal e/ou transvaginal para classificar o grau da retenção e definir a melhor forma de tratamento. No curso mais avançado da enfermidade, durante a palpação transretal, pode-se observar distensão uterina devido ao acúmulo de líquido e flacidez. Para complementação, é importante utilizar também exames ultrassonográficos.
Como tratamento, não se recomenda a retirada da placenta através da tração manual, pois pode resultar em hemorragia, septicemia, ruptura do útero e atraso na involução. Isso deve ser feito apenas e exclusivamente se durante o exame foi definido que os restos placentários encontram-se não aderidos ao útero. A lavagem também não é recomendada, pois a retirada do líquido introduzido não ocorre, fazendo com que aumente a quantidade do líquido retido internamente, sendo permitida apenas após a expulsão total dos anexos fetais. Em alguns casos, pode-se fazer o uso de cálcio, hormônios, medicamentos intravenosos e antibióticos. ANGRIMANI et al. (2011), cita em seu artigo a utilização de antibiótico intra-uterino, porém, outros estudos descrevem que essa forma de administração pode alterar a quimiotaxia celular.
É importante tomar medidas preventivas, inclusive no que respeito ao risco de laminite, utilizando antibióticos, antinflamatórios e anti-histamínicos adequados prescritos por um médico veterinário.

Texto por: Nathália Louise Bezerra de Brito. Estudante de Medicina Veterinária. Universidade Federal de Campina Grande/PB.
Edição e Revisão: Deivisson Ferreira Aguiar. Médico Veterinário, CRMV/ES 1569. Muniz Freire/ES.
ANGRIMANI, D. S. R. et al. RETENÇÃO DE PLACENTA EM VACAS E ÉGUAS: REVISÃO DE LITERATURA. Revista científica eletrônica de Medicina veterinária, Bandeirantes, n. 16, p.1-12, jan. 2011. Semestral. Disponível em: <http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/7Ei9otcy0XHUFnq_2013-6-26-11-10-9.pdf>. Acesso em: 09 ago. 2016.
CURCIO, B. R. et al. AVALIAÇÃO DO TEMPO DE ELIMINAÇÃO DA PLACENTA EM ÉGUAS PURO SANGUE INGLÊS DE DIFERENTES IDADES. Veterinária e Zootecnia, Campos do Leão, p.643-648, dez. 2013. Disponível em: <http://www.fmvz.unesp.br/rvz/index.php/rvz/article/view/444/496>. Acesso em: 09 ago. 2016.

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