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Cardiologia

Equinos: Sistema Cardiovascular E Arritmias Cardíacas.

Equinos: Sistema Cardiovascular E Arritmias Cardíacas. 1

As alterações no sistema circulatório geralmente estão relacionadas a casos clínicos que permanecem assintomáticos por um determinado período, e somente quando o seu envolvimento se torna exacerbado é que surgem os primeiros sinais e sintomas que caracterizam seu envolvimento. Dessa forma, muitas vezes é difícil conseguir, após o diagnóstico da doença que afeta o animal, obter resultado satisfatório com o tratamento instituído, pois o processo patológico algumas vezes já está bastante avançado e mais grave.

Muitas são as afecções circulatórias de animais de grande porte. Algumas delas são de origem primária, ou seja, afetam diretamente o sistema circulatório; outras são de origem secundária, afetando, portanto, primeiramente outros órgãos e/ou sistemas, e ocasionando posteriormente o comprometimento cardíaco e/ou vascular, o qual agrava ainda mais o quadro do animal

Alguns exemplos de doença primária cardíaca seriam as alterações congénitas ou as malformações. Dentre as secundárias, temos a acidose láctica metabólica – que pode determinar um quadro de hipercalemia, a qual é prejudicial ao coração, causando bradicardia. Porém, muitas dessas afecções cardíacas têm prognóstico reservado ou são de tratamento oneroso, sendo assim, na maioria das vezes a instituição de uma terapia criteriosa e eficaz é inviável, exceto em animais de alto valor económico e biológico.

Nos equinos, em particular, os tratamentos das doenças cardíacas têm obtido êxito considerável desde que efetuados de modo correto e em estágio não muito avançado, tornando a vida do animal mais longa e de melhor qualidade, apesar de se ter de tratá-los por tempo prolongado ou até mesmo pelo resto da vida. Principalmente nos equinos, que são, antes de tudo, atletas, os insultos ao sistema circulatório e, em particular, ao coração têm um potencial de reduzir a sua capacidade funcional; portanto, ao examinarmos os cavalos, todos os desvios dos parâmetros que são considerados normais podem ser clinicamente significantes.

Como os cavalos têm uma reserva circulatória excepcional, as doenças devem ser graves antes que os sinais clínicos e sintomas tornem-se evidentes no animal em repouso. Por isso o teste em exercício vem ganhando mais e mais adeptos, particularmente em equinos atletas. Lembremo-nos de que leves danos nem sempre se tornam funcionalmente evidentes, a menos que o animal seja requisitado para uma avaliação sob esforço máximo.

O sangue é o principal componente do sistema circulatório, pois todos os outros órgãos têm como função possibilitar o fluxo sanguíneo adequado aos diversos órgãos e tecidos. Sua principal função é transportar o oxigénio, além de muitas outras substâncias. O sangue circula com velocidades diferentes em cada tipo de vaso: 50cm/s nas artérias; 20cm/s nas veias; e 0,07cm/s nos capilares. Em geral, o sangue passa pelo sistema circulatório em menos de 30 segundos. A quantidade de sangue em um ser vivo varia de espécie para espécie, mas em geral varia de 7 a 10% do peso corporal do animal. Didática e funcionalmente, podemos dividir a circulação sanguínea em pequena e grande. A pequena circulação é aquela que vai do coração aos pulmões e volta ao coração. Já a grande circulação é aquela cm que o sangue sai do coração e é distribuído para todos os órgãos e tecidos, para levar oxigênio, e retorna ao coração.

Assim sendo, devemos realizar o exame clínico do sistema circulatório na seguinte sequência:

  1. Identificação do paciente;
  2. Anamnese;
  3. Exame físico;
  4. Exames complementares.

Dessa forma, sempre que houver alguma suspeita de alteração do sistema cardiovascular, podemos concluir e ter a certeza com os exames complementares. Atualmente, umas das afecções que chamam a atenção e que reduzem o potencial esportivo dos equinos são as arritmias cardíacas.

Arritmias cardíacas são frequentes em cavalos e muitas vezes são fisiológicas, sendo que estas acabam desaparecendo durante o exercício. A arritmia sinusal, bradicardia sinusal, bloqueio sinoatrial e parada sinoatrial associadas a tônus vagal tem sido achados comuns em cavalos sadios em repouso e normalmente desaparecem com o exercício.

Em equinos adultos, a arritmia indica que há distúrbio circulatório presente, por exemplo, a arritmia sinusal pode ser considerada normal. Nesse tipo de arritmia, os pulsos se tornam acelerados durante a inspiração e diminuem na expiração. Atribui-se esse fenômeno a uma atividade vagal alternada. Normalmente ela desaparece quando o animal está excitado ou é submetido ao exercício. A administração de atropina também pode levar ao desaparecimento dessa arritmia, caso o animal não esteja apresentando nenhuma enfermidade circulatória.

Deve-se ter a ciência de que um pulso irregular normalmente também apresenta alteração de amplitude, a qual também se torna irregular, apresentando pulsos amplos e outros curtos. À semelhança do que ocorre na frequência do pulso, as arritmias podem ser permanentes ou temporárias. Em alguns casos, tornam-se intermitentes ou esporádicas. Por exemplo, há cavalos que apresentam arritmia somente quando submetidos a um determinado esforço; caso contrário, não a apresentam. O contrário também ocorre: o animal em repouso apresenta uma arritmia e ao ser submetido a determinado esforço físico ou ficar excitado, ela deixa de existir.

Na medicina experimental e em alguns grandes centros, faz-se uso de um aparelho bastante utilizado em medicina de animais de pequeno porte e ainda pouco utilizado em equinos: o Holter. É um aparelho que é fixado no animal e que registra por 24 horas ou mais os batimentos cardíacos e seus traçados eletrocardiográficos, podendo-se acompanhar o animal o dia todo e possibilitando a detecção as arritmias cardíacas em animais atletas que somente as desenvolvem quando submetidos a esforço físico sub-máximo.

Contudo, o ideal é sempre manter o acompanhamento clínico do cavalo atleta, com consultas e exames de rotina, objetivando sempre o diagnóstico mais precoce possível dessas alterações que podem limitar a carreira esportiva do cavalo.

Texto por: Verônica Vieira, Médica Veterinária CRMV/ES 2171. Residente em Clínica e Cirurgia de Grandes Animais na Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) – RJ.

Edição e Revisão: Deivisson Ferreira Aguiar – Médico Veterinário CRMV/ES 1569 – Muniz Freire/ES

 

REFERÊNCIAS

KITTLESON, M., KIENLE, R. Pulmonary arterial and systemic hypertension in Small Animal Cardiovascular Medicine. Ed. Mosby, 1998. UTTMAN.

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