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Toxicologia Edição 5º Ano 2020

Intoxicação por Xanthium Cavanillesii

Intoxicação por Xanthium Cavanillesii 1
V.5, Ed.1, N.132(2020)

 

INTOXICAÇÃO POR XANTHIUM CAVANILLESII

Landa Munhoz, 6º período, Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP, Bandeirantes.

 

INTRODUÇÃO

Xanthium cavanillesii é uma planta hepatotóxica da família Asteraceae, também conhecida como Carrapicho.  Existem diversas espécies do gênero Xanthium, distribuídas por todo o mundo.  Esta planta é considerada infestante de cultivos, podendo causar intoxicação em animais, quando é ingerida (SANTOS et al., 2008; LANA et al., 2012; NOGUEIRA;  ANDRADE, 2019). Seu potencial tóxico é atribuído a metabólitos secundários, sendo que primariamente esta planta possui utilização medicinal, principalmente contra febre e gripe (LANA et al., 2012).

DESENVOLVIMENTO

A Xanthium cavanillesii é originária da América do Sul, prefere solos úmidos e terrenos abandonados, é lenhosa, possui folhas mais triangulares e grandes, com frutos maiores, quando comparada às outras espécies do gênero. É infestante de lavouras, sendo que suas sementes são consideradas impurezas. Ela pode estar presente em potreiros, pastagens e cultivos (LANA et al., 2012).

Intoxicação por Xanthium Cavanillesii 2

 

Esta planta provoca necrose hepática aguda devido ao seu princípio ativo, carboxiatractilosideo (CAT), um glicosídeo triterpenoide isolado do fruto e do broto e que provoca insuficiência hepática aguda, sendo que as plantas desse gênero causam naturalmente intoxicação aguda.

Os glicosídeos triterpenóides inibem a respiração mitocondrial e a síntese de ATP. A intoxicação ocorre comumente em bovinos e ovinos (SANTOS et al., 2008; LANA et al., 2012; NOGUEIRA;  ANDRADE, 2019), entretanto, também há descrições do acometimento de suínos e equinos, por intoxicação natural (MARSH, 1924; LANA et al., 2012).

Os sinais clínicos que podem ser observados são: apatia, anorexia, prolapso de reto, tenesmo, dor abdominal, sudorese, desidratação progressiva, retração de globos oculares, fraqueza, apoio da cabeça contra obstáculos e sinais nervosos como incoordenação motora, tremores musculares e agressividade.

Na fase terminal, podem apresentar cegueira, decúbito, movimentos de pedalagem, coma e morte (SANTOS et al., 2008; LANA et al., 2012).

Pode ser observado macroscopicamente hepatomegalia, acentuação do padrão lobular hepático, edema de parede da vesícula biliar, edema de mesentério e na região perirrenal, hidropericárdio, petéquias, equimoses e sufusões em tecido subcutâneo, serosas, mucosas, omento e mediastino.

Pequena quantidade de fezes ressequidas, com muco e estrias de sangue coagulado. Microscopicamente, observa-se necrose de coagulação no fígado, congestão, hemorragia e degeneração gordurosa de hepatócitos (SANTOS et al., 2008; LANA et al., 2012).

Lana et al. (2012), afirma que não ocorrem alterações morfológicas no sistema nervoso central,  apesar de ocorrerem sinais neurológicos. Em contrapartida, Santos et al. (2008), sugere alterações microscópicas em sistema nervoso central (cérebro e mesencéfalo) que indicam edema e degeneração dos neurônios.

Para prevenir a intoxicação dos animais pela ingestão desta planta, é importante evitar a introdução das sementes de Xanthium cavanillesii nas produções agrícolas e agropecuárias e evitar o contato dos animais com pastos infestados. Também, é possível utilizar herbicidas em grandes infestações e já se sugeriu a utilização do besouro Apagomerella versicolor e do fungo Puccinia xanthii como controles biológicos (LANA et al., 2012).

CONCLUSÃO

Diante do exposto, é necessário atenção à presença de X. cavanillesii nos ambientes em que há presença de cavalos, já que, apesar da intoxicação por esta planta ser comum em bovinos e ovinos, isso pode ocorrer com equinos, causando danos graves e possivelmente  o óbito do indivíduo.

REFERÊCIAS

LANA, D. F. D. et al. Uma revisão sobre as propriedades farmacológicas, morfoanatomia e toxicicidade de Xanthium Cavanillesii Schouw (Asteraceae). Saúde, Santa Maria, v. 38, n. 1, p. 57-70, jan/jun. 2012. Disponível em: < https://periodicos.ufsm.br/revistasaude/article/view/4917>. Acesso em: 26 outubro, 2019.

MARSH, C. D. Cockleburs (species of Xanthium) as poisonous plants. Washington: Dept. of Agriculture, 1924.  24 p.

NOGUEIRA, R. M. B; ANDRADE, S. F. Manual de Toxicologia Veterinária. São Paulo: Rocca, 2019. 323 p.

SANTOS, J. C. A. et al. Patogênese, sinais clínicos e patologia das doenças causadas por plantas hepatotóxicas em ruminantes e eqüinos no Brasil.  Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 28, n. 1, p. 1-14, jan. 2018. Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-736X2008000100001&script=sci_abstract&tlng=pt>. Acesso em: 26 outubro 2019.

TEXTO POR: Landa Munhoz, 6º período, Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP, Bandeirantes.

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