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Uso de Óleo na Dieta de Equinos Submetidos ao Exercício

Uso de Óleo na Dieta de Equinos Submetidos ao Exercício 1

Uso de Óleo na Dieta de Equinos Submetidos ao Exercício

Uso de Óleo na Dieta de Equinos Submetidos ao Exercício 2

 

Dentre as medidas necessárias para que os equinos atletas possam atingir o máximo de seu desempenho no esporte são necessárias atitudes que busquem retardar o inicio da fadiga muscular. As causas exatas da fadiga podem estar relacionadas a fatores como baixo nível de glicose sangüínea, esgotamento do glicogênio muscular, aumento de lactato, acúmulo de NH3 na célula, perda de adenosina trifosfato (ATP) muscular e eletrólitos, promovendo o esgotamento das células musculares.

Este retardamento da fadiga pode refletir na melhora de desempenho, pois permite ao animal manter a velocidade de exercício por períodos mais longos ou aumentar a velocidade do exercício a que se submete. Estudos também indicam que, a adição de gordura na dieta de equinos pode aumentar a densidade energética, reduzir incidências de cólicas e laminites e promover o metabolismo de lipídeos no fígado e no músculo (aumentam a capacidade de oxidar ácidos graxos para utilizá-los como fonte de energia evitando a utilização das reservas de glicogênio). Além disso, não sofrem fermentação microbiana e favorecem a menor produção de CO2 por mol de ATP gerado. A  gordura incluída na dieta dos equinos pode favorecer o desempenho de cavalos exercitados em regiões de clima mais quente, pois diminui o incremento calórico (Produção de calor), visto que aproximadamente 3% a mais de calor é produzido durante a formação de ATP via oxidação da glicose, quando comparado à oxidação dos ácidos graxos.

A literatura ainda apresenta resultados divergentes quanto ao uso de gordura na ração de cavalos atletas, e essas divergências são relacionadas às diferenças na quantidade e no tipo de gordura adicionada, da composição da dieta basal, do tempo de suplementação, da condição corporal do cavalo, do regime de treinamento e da intensidade do exercício-teste. É recomendado que a gordura seja consumida pelo menos 6 a 11 semanas antes de qualquer evento para que haja adaptação enzimática e metabólica do organismo. Ainda não se tem definida a quantidade exata de gordura a ser suplementada, provavelmente devido a grande variação no metabolismo de cada animal, que pode depender de raça, clima e exercício ao qual é submetido.

Um estudo realizado com 18 equinos, machos, sem raça definida, com idade entre 4 e 8 anos e que receberam, 8,40; 7,95 e 7,30 kg/dia das rações contendo 0, 250 e 500 g de óleo, respectivamente, divididas em três refeições submetidos ao final de 30 dias a um exercício-teste, durante 2 horas, ao trote alongado. Foram avaliados, no início e final do exercício, os teores de glicose e lactato sangüíneos, o hematócrito e a temperatura corporal. Ao final do estudo, adição de 250 e 500 g de óleo na dieta de eqüinos submetidos ao exercício de média intensidade proporcionou melhora no desempenho hematofisiológico e, portanto, pode resultar em melhor desempenho atlético dos cavalos. Os cavalos que consumiram óleo na proporção de 500 g/dia apresentaram melhor recuperação pós-prova, confirmada pela freqüência cardíaca e pelo hematócrito.

O aumento do metabolismo lipídico reflete na diminuição da utilização de glicogênio muscular, disponibilizando assim maior quantidade de glicose sanguínea.

No entanto, antes de se adotar uma dieta rica em óleo, deve-se ter em mente qual o tipo de exercício ao qual o animal será submetido, bem como introduzir de maneira gradual o óleo em sua dieta, evitando assim possíveis problemas de adaptação e deixando com que o organismo do animal se adapte ao novo aporte energético ao qual esta sendo submetido. O metabolismo lipídico é dependente de enzimas, logo, para que se possa observar os resultados metabólicos e melhora de desempenho, é necessário tempo de adaptação do metabolismo.

 

Texto por: Claudia Elisa Martins Medeiros, graduanda em Medicina Veterinária (10º Período) na Universidade Nilton Lins, Manaus – AM.

Revisão e Edição: Deivisson Ferreira Aguiar – Médico Veterinário CRMV/ES 1569 – Muniz Freire/ES

REFERÊNCIAS

MATTOS, F., ARAUJO, K.V., LEITE, G.G., GOULART, H.M. Uso de óleo na dieta de equinos submetidos ao exercício R. Bras. Zootec., v.35, n.4, p.1373-1380, 2006

GUERRA, M.S.G. Uso de óleo na alimentação do cavalo atleta. http://www.portaleducacao.com.br/veterinaria/artigos/57820/uso-de-oleo-na-alimentacao-do-cavalo-atleta postado em: 13 de agosto de 2014 acesso em: 20 de junho de 2016.

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