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A Relação Estreita Entre a Etologia Equina e os Sentidos.

A Relação Estreita Entre a Etologia Equina e os Sentidos.

A Relação Estreita Entre a Etologia Equina e os Sentidos.

Com a aproximação cada vez maior do homem aos equinos, se faz necessário maior entendimento sobre seu comportamento, a fim de estreitar laços, facilitar o manejo diário e principalmente garantir o bem – estar dos animais, tornando assim a convivência agradável para ambos os lados.

Desta forma, é importante entender a relação que há entre os sentidos dos equinos e suas exteriorizações, pois podemos afirmar que o comportamento dos animais nada mais é, que a manifestação externa de sua fisiologia. Lembrando que os sentidos dos animais contribuem para melhor entendimento das manifestações comportamentais que eles expressam todo tempo, como veremos a seguir.

Olfato: Apresentam olfato mais apurado que o dos seres humanos, pois são capazes de detectar aproximação de inimigos a 2km de instancia. Alguns autores afirmam que em cativeiro este sentido é ainda mais eficiente. Sendo este, fundamental para o bem – estar dos equinos, tendo em vista que, estes animais se identificam pelo cheiro, reconhecendo-se mutuamente, além de permitir ao garanhão reconhecer as fêmeas em período fértil, mesmo quando estas ainda se encontram longe, possibilita também o reconhecimento da mãe em relação ao potrinho.

Nota-se que cavalos ficam mais tranquilos para serem manipulados, após sentirem o cheiro de seus manipuladores. Sendo assim, é importante ressaltar que, aproximarmos objetos das narinas dos cavalos para que sejam cheirados (reconhecidos) é fundamental para que o ele aceite bem aquele objeto, observando que não há perigo, tornando mais fácil a colocação da primeira cela e o manejo geral ao longo da vida.

Audição: Este sentido é bem apurado nos equinos. Além de distinguir os ruídos, consegue apura-los vindos de direções diferentes ao mesmo tempo, ao rotacionarem as orelhas em sentidos diferentes. Pode detectar vibrações bem sutis, motivo este desencadeador de muitos “sustos” durante a montaria manifestados pelos equinos, ruídos estes, que pelos humanos são praticamente imperceptíveis, muitas vezes. Podem apresentar percepção auditiva de algum perigo entes mesmo da percepção pela visão.

A Relação Estreita Entre a Etologia Equina e os Sentidos.
Fonte:Arquivo pessoal. Mostra animal captando sons oriundos de localizações distintas, posicionando as orelhas em sentidos diferentes.

 

Quanto a melhor compreensão de som, ressalta-se que, cavalos compreendem melhor tons de voz mais baixos, além de apresentarem uma audição mais extensa em relação aos sons agudos, reconhece sons familiares como a voz do seu tratador.

Visão: Assim como os outros sentidos mencionados anteriormente a visão do equino é bem apurada tanto de dia quanto a noite, mas apresenta grande sensibilidade em mudanças bruscas do escuro para o claro, motivo este, que por vezes pode dificultar a saída da cocheira em dias muito claros. Mostra algumas peculiaridades, como um ponto cego bem a frente da cabeça, mudança no alcance da visão, de acordo com o foco dos olhos, como a visão binocular que foca apenas a frente e a monocular, onde o olho direito foca apenas os movimentos da direita, já o olho esquerdo foca os movimentos da esquerda. Dentre outras peculiaridades que não foram mencionadas, uma delas é fundamental para ser julgada nas competições de salto, pois caso o equino se aproxime muito de um obstáculo ao trote ou ao galope, com a cabeça muito pressionada pode fazer com que se assuste, ao se aproximarem do obstáculo, por não terem visualizado antes.

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Um dos pontos mais interessantes deste sentido, é saber que os cavalos conseguem reconhecer pessoas pela roupa ou pelos traços do rosto, justificando sua aproximação aos seus montadores e tratadores, caso já tenha sido estabelecida uma relação de confiança prévia.

Tato: Os equinos demonstram grande sensibilidade por toda extensão do corpo, graças a percepção cutânea. Este sentido é um dos mais importantes para o bem – estar, pois permite melhor contato social entre eles. Utilizando para isso, os pelos táteis localizados no focinho.

Equinos também possuem boa sensibilidade no casco, em especial na ranilha, facilitando a caminhada em solos mais irregulares.

Lembrando que a percepção cutânea é fundamental para qualquer abordagem, sempre com toques sutis nos animais mostrando para ele onde será a abordagem, ate que este crie confiança.

A Relação Estreita Entre a Etologia Equina e os Sentidos.
Fonte: Arquivo pessoal. Mostra o reconhecimento mutuo entre dois cavalos através do olfato e do tato.

 

Paladar: Apresentam preferência por sabores mais adocicados e paladar bem diversificado, em vida libre, lembrando que este sentido é muito mais apurado nos equinos do que no homem, pois são capazes de identificar qual alimento é prejudicial a sua saúde (venenoso), mas esta percepção pode falhar quando há pouca oferta de alimento.

Com base nesta leitura, conclui-se que, todos os sentidos estão interligados entre sí, em prol de garantir a sobrevivência da espécie, por isso interpreta-los é tão importante, uma vez que, estes animais se encontram tão próximos do nosso cotidiano, assim, entende-los torna o convívio mais fácil e mais prazeroso.

 

 

Lílian Helen Vidal Pires/ CRMV-RJ 13684

Médica Veterinária pela Universidade Castelo Branco em 2015/2. Atuante em clínica médica de equinos, em estabelecimento localizado dentro da Sociedade Hípica Brasileira – RJ.

Estudiosa e pesquisadora do bem – estar  e comportamento equino

Pós graduanda em Acupuntura Veterinária pelo instituto Bioethicus – Botucatu/SP

Terapia Veterinária com Florais de Bach com ênfase em equinos.

E-mail: [email protected]

 

Referencias bibliográficas:

CINTRA, A.G.de C. O Cavalo: Características, Manejo e Alimentação, São Paulo: Roca, 2011. Cap.2 e 3, p.10-40.

 PROUDRETE, A. et al. Larousse dos Cavalos. São Paulo: Larousse do Brasil Participações Ltda, 2006. 16-18p. Tradução de: Adriana de Oliveira.

TORRES, A.P.; JARDIM, W.R. Criação do cavalo e de outros Equinos. 3. ed. São Paulo/ SP: Livraria Nobel S/A Biblioteca Rural, 1992. 147-149p.

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