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Cirurgia em Éguas Prenhes

Cirurgia em Éguas Prenhes 1

Cirurgia em Éguas Prenhes

 

Se uma cirurgia que exija anestesia geral precisar ser feita em éguas prenhes, o período mais seguro é entre 40 a 220 dias de gestação, concluem os pesquisadores.

Veterinários e pesquisadores sabem que a anestesia geral em cavalos pode ser arriscada, com índices de mortalidade relatados variando de 0,12 a 1,6%. Eles também estão cientes de que a prenhez pode aumentar esses riscos e, possivelmente, reduzir os índices de partos a termo.

O que eles não têm tanta certeza, contudo, é sobre quando é o período mais seguro durante a gestação recomendado para cirurgias eletivas (como as remoções de massas ou reparo de ferimentos).

Jhon A.E. Hubbell, Doutor em Medicina Veterinária, Mestre em Ciências, Diplomado no Colégio Americano de Anestesiologia Veterinária e colegas, no Hospital para Equinos Rood & Riddle, em Lexington, Kentucky, recentemente revisaram a literatura para elaborar recomendações sobre quando ou não seguir com cirurgias eletivas em éguas, mantendo a prenhez. Ele apresentou os achados da equipe na Convenção da Associação Americana de Clínicos de Equinos, realizada entre 17 e 21 de Novembro em San Antonio, Texas.

Os pesquisadores dizem…

Hubbell inicialmente revisou o que os veterinários e pesquisadores sabiam sobre a gestação equina, como a sedação e a anestesia afetam-na e como são afetadas por ela.

Gestação – A gestação das éguas dura, em média, de 320 a 370 dias. 

Hubbell revisou a linha do tempo dos eventos básicos: 

 

Em torno do dia 6 ou 7 após a ovulação o concepto começa se mover dentro do útero até se fixar, entre os dias 15-17. Durante esse estágio inicial, a progesterona (um tipo de progestógeno, ou hormônio que tem atividade pró-gestacional) produzida pelo corpo lúteo (a estrutura formada após o folículo ovariano lançar o oócito) mantém a gestação.

No 35º dia, formam-se os cálices endometriais na base do corno uterino, contendo o concepto, onde ele forma um corpo lúteo acessório que produz progesterona adcional para a manter a gestação até o 100º dia. Neste momento, os progéstogenos placentários assumem esse papel até a égua parir.

‘’A maior parte do desenvolvimento fetal ocorre nos três meses finais da gestação (220º dia ao parto), ponto no qual o abdômen da égua se torna notavelmente distendido,’’ disse Hubbell. “Assim como o abdômen da égua está se expandindo, o potro toma uma crescente quantidade de espaço, crescendo aproximadamente 1 Kg (aproximadamente 2 libras) a cada dois dias.”

Os índices de partos a termo relatados no Kentucky alcançam de 62% a 87%, ele disse.

Os pesquisadores também estudaram os índices de abortos, os quais são mais altos até 40 dias de gestação, disse Hubbell.

Como a gestação afeta a anestesia – Segundo Hubbell, há pouco conhecimento sobre esse assunto em cavalos, há mais pesquisas em outras espécies. Cientistas têm mostrado que mulheres anestesiadas no início da gravidez têm aumento no VOLUME ONDULANTE (a quantidade de ar inspirado e expirado em cada respiração) e volume respiratório por minuto (a quantidade de gás exalado por minuto).

Mulheres anestesiadas ao final da gestação, por outro lado, têm volume respiratório residual diminuído- a quantidade de ar que permanece nos pulmões no final da respiração. “Mudanças similares poderiam ser esperadas em éguas prenhes anestesiadas no final da gestação, particularmente quando elas são posicionadas em decúbito dorsal (deitadas sobre suas costas)”, ele diz.

Como a sedação e a anestesia afetam a gestação – Os cientistas sabem mais sobre esse assunto em cavalos. Em um estudo pesquisadores administraram o sedativo detomidina em 10 éguas prenhes, semanalmente, do 14º ao 60º dia de gestação, e então mensalmente até o parto.

Uma égua abortou no 167º dia de gestação, e outra foi eutanasiada após desenvolver uma grande torsão do cólon. Seis de oito potros vivos nascidos eram normais, enquanto os outros dois sofreram de torcicolo (curvatura anormal do pescoço) e fixação restritiva bilateral (em ambos os pares de membros) da patela (uma condição restritiva).

Além disso, ele diz, “os autores concluíram que não houve nenhum efeito adverso específico da detomidina.”

De qualquer modo, o reconhecimento de que todas as técnicas anestésicas conhecidas têm potencial de reduzir o débito cardíaco, deprimir a pressão arterial e causar depressão respiratória (hipoventilação ou respiração lenta e inefetiva), que poderia levar à acidose fetal (acidez sanguínea anormalmente elevada), hipóxia (suprimento de oxigênio inadequado), e hipercarbia (níveis anormais de dióxido de carbono elevados no sangue).

Os pesquisadores não realizaram estudos extensivos avaliando os efeitos da anestesia em éguas prenhes passando por cirurgias eletivas, Hubbell aponta que os veterinários devem utilizar os achados dos estudos sobre éguas anestesiadas como uma base para emergências. Alguns exemplos de resultados incluem:

“O maior estudo retrospectivo de morbidade e mortalidade anestésica em cavalos mostra que éguas no terceiro trimestre de gestação estão sob risco aumentado, com duas de 16 éguas tendo morrido de complicações anestésicas”, disse ele.

Baseado nos resultados de uma série de estudos, os pesquisadores concluíram que agentes intravenosos resultam menos casos de acidose fetal e hipóxia que anestésicos inalatórios.

Em quatro estudos nos quais os pesquisadores avalariam efeitos da cirurgia de cólon sobre índices de parto subsequentes, Hubbell disse que os índices de parto para éguas sobreviventes foram 80%, 79.4%, 66.7% e 53.8%; e “um estudo examinou a relação entre o tempo da cirurgia de cólon e a idade gestacional, descobrindo que éguas prenhes de 16 a 39 dias do tempo da cirurgia tinham um índice de parto mais baixo que éguas prenhes por tempo maior que 40 dias da cirurgia.”, ele disse.

O que tudo isso significa?

Baseado na pesquisa de revisão da equipe, Hubbell recomenda que, se a anestesia geral precisar ser realizada em éguas prenhes, a janela de tempo mais segura é entre os dias 40-220 de gestação.

´´ A decisão de anestesiar uma égua prenhe é feita com base em cada caso,” disse Hubbell.

´´ Fatores a considerar incluem a saúde geral da égua, sua idade (um risco anestésico por si só), a previsão de duração do procedimento, e qualquer histórico anterior de aborto.

Na maioria dos casos o risco de anestesiar a égua para cirurgia deve ser pesado contra o risco de deixar uma condição não tratada. Um fator adicional a considerar, se a cirurgia for adiada, é a dificuldade em lidar com uma égua e seu parto no momento da cirurgia, particularmente quando os proprietários desejam que a égua acasale novamente o mais cedo possível. ´´

Autor: Hugo Garcia da Silveira, Médico Veterinário – Ceo da InfoEquestre

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