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Edição 5º Ano 2020 Notícias

10 Maneiras de Dar Suporte à Saúde das Articulações do seu Cavalo

10 Maneiras de Dar Suporte à Saúde das Articulações do seu Cavalo 1
V.5, Ed.1, N.201(2020)

10 maneiras de dar suporte à saúde das articulações do seu cavalo

EVANGELISTA, Ka
a Graduanda de Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

RESUMO: A relação homem-cavalo vem evoluindo ao longo da história e é fato que esses animais participaram da formação das civilizações. Devido a sua habilidade locomotora, atualmente são utilizados como fonte de lazer e esporte, força de tração no trabalho agrícola e também na equoterapia, além de terem conquistado espaço como animais de companhia. Nesse cenário, o cuidado com a saúde dos equinos se faz cada vez mais presente e é importante para garantir o bem estar da espécie.

As afecções articulares, principalmente a osteoartrite equina, são muito comuns e investir em métodos preventivos e terapêuticos ajuda a minimizar o impacto no desempenho físico que essas enfermidades ocasionam e proporciona uma vida longa e saudável a espécie.

Devido a importância do sistema locomotor do cavalo, existem muitos métodos que vêm sendo aprimorados e destinados à manter a saúde articular, atuando na prevenção e tratamento de injúrias. Sendo disponíveis na forma de suplementos alimentares e medicamentos injetáveis, bem como através de técnicas moleculares.

Palavras-chave: equinos; saúde articular; prevenção; tratamento.

 

ABSTRACT: The man-horse relationship has evolved throughout history and it is a fact that these animals participated in the formation of civilizations. Due to their locomotor skills, they are currently used as a source of leisure and sport, traction force in agricultural work and also in horse riding, in addition to having conquered space as companion animals. In this scenario, care for the health of horses is increasingly present and is important to ensure the well-being of the species.

Joint disorders, especially equine osteoarthritis, are very common and investing in preventive and therapeutic methods helps to minimize the impact on physical performance that these diseases cause and provides a long and healthy life for the species. Due to the importance of the horse’s locomotor system, there are many methods that have been improved and aimed at maintaining joint health, acting in the prevention and treatment of injuries. Being available in the form of food supplements and injectable drugs, as well as through molecular techniques.

Keywords: equine; joint health; prevention; treatment.

Introdução

Segundo o IBGE (2016), o Brasil conta com uma tropa de aproximadamente 5,5 milhões de equinos e o mercado movimenta 16 bilhões de reais ao ano (MAPA, 2016). Nesse cenário, as raças mais predominantes são, respectivamente, Mangalarga Marchador (MG), Nordestino (PE), Quarto de Milha (SP) e Crioulo (RS). Os animais são utilizados para diferentes finalidades que vão desde a lida de campo, esportes dos mais variados, até o lazer (MAPA, 2016). Sendo que o maior relacionamento da sociedade com esses animais está ligado ao esporte e entretenimento, atividades essas que envolvem alto valor econômico (SILVA, 2014).

Independente da raça e sua utilização, o cuidado com a saúde e o bem estar dos equinos deve ser priorizado. As principais afecções que ocasionam a morte da espécie no Rio Grande do Sul, seja natural ou por eutanásia, envolvem principalmente os sistemas digestivo e musculoesquelético; no entanto essa prevalência pode variar de um estudo para outro (PIEREZAN, 2009).

Afecções do sistema locomotor são muito comuns nos equinos e se tornam mais frequentes em animais utilizados para tração e esporte, pois a atividade física exacerbada provoca uma resposta inflamatória nos tecidos articulares, variando com a intensidade e a duração (PRADO et al., 2019; RASERA, 2007).

Injúrias ao sistema locomotor são as que mais acarretam em diminuição do desempenho físico dos cavalos atletas, sendo assim, além de prejuízos à saúde animal, alterações musculoesqueléticas também têm impacto negativo no valor econômico que essas atividades esportivas agregam. Dentre as alterações encontram-se as doenças articulares (SILVA, 2014).

A junção de dois ossos quaisquer é conhecida como articulação ou junta (GOFF, 2017) e podem ser de três tipos: sinoviais, cartilaginosas e fibrosas; os tipos variam conforme o grau de mobilidade. As articulações sinoviais, como por exemplo a do joelho, são as que permitem maior movimento.

Já as articulações fibrosas (entre os ossos do crânio) e cartilaginosas (sínfise mandibular) são unidas por tecido fibroso e cartilaginoso, respectivamente, e dessa maneira apresentam pouco ou nenhum movimento (FOSSUM, 2014).

As articulações sinoviais contém, como componentes obrigatórios: dois ou mais ossos, cavidade articular, líquido sinovial, cápsula articular e cartilagem articular. O espaço entre os ossos é a cavidade articular que é limitada lateralmente pela cápsula articular.

A cápsula, por sua vez, contém um componente externo fibroso e um componente interno que é a membrana sinovial, responsável pela produção do líquido sinovial e também por atividade fagocítica. O líquido sinovial realiza a nutrição e lubrificação das cartilagens, sendo composto por  ácido hialurônico, eletrólitos e proteínas de baixo peso molecular (CLYNE, 1987; SUTTON et al., 2009).

A cartilagem articular recobre as extremidades dos ossos envolvidos na articulação e é metabolicamente ativa, apresentando equilíbrio entre anabolismo (construção de moléculas) e catabolismo (quebra de moléculas).

Este equilíbrio pode ser quebrado quando ocorrer estresse da cartilagem, dos ossos ou dos tecidos moles envolvidos na articulação, sendo assim a manutenção da saúde da cartilagem é de suma importância e envolve o controle do movimento e da carga de peso adicionados à junta (CLYNE, 1987; SUTTON et al., 2009; GOFF, 2017).

Dentre as afecções articulares que afetam os equinos, a mais comum é a doença degenerativa das articulações ou osteoartrite/osteoartrose (CABETE, 2018). É caracterizada pela degeneração progressiva da cartilagem articular, acarretando em distúrbios nos tecidos moles e ossos (Mcllwraith et al. 2012).

Nessa afecção, a cartilagem sofre alterações morfológicas que resultam em perda de seu aspecto homogêneo, podendo haver  rupturas e fragmentações. Com o avanço da patologia, a cartilagem articular é totalmente destruída e o osso subcondral fica com áreas expostas (Moskowitz, 1973 e Muir, 1977).

Com os métodos preventivos, de tratamento e as terapias disponíveis atualmente, tornou-se mais fácil cuidar das articulações dos equinos, proporcionando uma vida mais saudável  e longa a esses animais.

Tomar medidas para proteger a saúde das articulações pode ajudar na cura após lesões e no combate ao desgaste geral, o que ajudará a preservar a capacidade atlética do animal, bem como sua qualidade de vida. Abaixo estão listados os suplementos alimentares, produtos injetáveis e tratamentos biológicos que podem ajudar a prevenir a osteoartrite equina, estimular a cura e promover a saúde geral das articulações.

  1. Corticosteróides

 Mimetizam os efeitos dos hormônios produzidos pela glândula adrenal. Corticosteróides orais são normalmente usados no tratamento de equinos com múltiplos problemas articulares ou quando a articulação afetada não é identificada. Quando são prescritos em doses mais altas do que os níveis naturalmente encontrados no organismo, podem suprimir infecções sistêmicas. Corticosteróides injetáveis tem uma poderosa ação anti-inflamatória que interrompem o processo destrutivo e aliviam a dor do animal. Contudo, podem apresentar alguns efeitos colaterais, incluindo impacto adverso nas cartilagens e aumento do risco de laminite em cavalos predispostos à doença.

  1. Glucosamina

É um aminossacarídeo que o organismo do equino utiliza para produção e reparação das cartilagens. Frequentemente é combinada com condroitina nos suplementos orais para a espécie; sendo comumente derivada de conchas de marisco, mas também pode ser produzida através do fungo Aspergillus niger ou da fermentação do milho.

  1. Hyaluronan (ácido hialurônico)

Também conhecido como hialuronato de sódio, se liga a água e forma um viscoso fluido lubrificante. Encontrado no tecido conectivo, cartilagem e fluido sinovial, o ácido hialurônico pode ser injetado diretamente na articulação, administrado como injeção intravenosa ou oralmente, através de suplementos alimentares. O AH tem efeito anti inflamatório e estimula a produção de mais AH, o que torna o líquido sinovial mais espesso e aumenta sua capacidade de amortecimento na articulação.

  1. Proteína antagonista do receptor de interleucina-1 (IRAP)

O IRAP bloqueia a interleucina-1, proteína que acelera o dano articular. O soro contendo IRAP e outros mediadores benéficos é derivado do próprio sangue equino.  Este soro é injetado dentro da articulação inflamada do mesmo cavalo.

  1. MSM (metilsulfonilmetano)

Derivado do DMSO (dimetilsulfóxido), é um componente orgânico que contém enxofre, que é usado na produção de colágeno e tecido conectivo. O MSM ajuda a dar estabilidade e força ao colágeno e melhora a função da glucosamina.

  1. Antiinflamatório não esteróide (AINE)

É um medicamento que interrompe o processo inflamatório da artrite, fornecendo alívio da dor enquanto desacelera o ciclo de destruição da cartilagem. Alguns AINEs, como a Fenilbutazona, inibem enzimas destrutivas e também enzimas protetoras, aumentando o potencial de causar efeitos colaterais adversos, como úlceras gástricas, com o uso prolongado. O medicamento firocoxib (Equioxx) pertence à uma classe diferente de AINEs que inibem apenas enzimas destrutivas.

  1. Glicosaminoglicanos polissulfatados (PSAGAGs):

São açúcares complexos naturalmente encontrados nas cartilagens articulares. Quando usados por via injetável, funcionam bem para estimular a produção de ácido hialurônico e para inibir a degeneração da cartilagem. Os PSAGAGs têm efeito anti-inflamatório e acredita-se que podem estimular a produção de fluído sinovial, prevenção de degradação futura da cartilagem e facilitar o reparo. O PSAGAG mais comum pode ser usado por via intramuscular, assim como diretamente na articulação..

  1. Resveratrol

É um componente derivado da pele de uvas vermelhas que acredita-se ter propriedades antioxidantes. Os antioxidantes protegem as células contra os efeitos de radicais livres, ajudando a reduzir a resposta inflamatória do corpo. Pesquisas sugerem que suplementos dietéticos de resveratrol podem ser benéficos para a saúde das juntas, quando usados sozinhos ou associados a injeções nas articulações.

  1. Extratos de soja e abacate (abacate e soja insaponificados = ASU)

O ASU bloqueia produtos químicos inflamatórios, previne a deterioração da cartilagem e simula o reparo do tecido conectivo. Apenas alimentar os cavalos com soja e abacates não terá um efeito benéfico. Segundo Laurino (2018) após a ingestão oral dos Insaponificáveis de Soja e Abacate (ISA), seus metabólitos alcançam a articulação e modulam o metabolismo da cartilagem. Esses compostos, inibem a ação da IL-1, inibem a produção de mediadores pró-inflamatórios e pró-catabólicos, entre outros efeitos benéficos no tratamento da osteoartrite.

  1. Terapia com células tronco

Envolve colher células indiferenciadas do corpo de um cavalo e, na maioria dos casos, injetá-los de volta na articulação danificada do mesmo animal para que se tornem células cartilaginosas que auxiliarão a reparar a lesão articular. Um dos últimos desenvolvimentos nesse campo é a extração de células tronco de botões dentários (maciços celulares provenientes do ectoderma que vão ficar na lâmina dentária nos locais que correspondem a posição dos futuros dentes decíduos em ambas as arcadas) de potros recém nascidos para injetar em outros cavalos.

REFERÊNCIAS

 

10 Ways To Support Your Horse’s Joint Health. Equus Magazine, 25, jul, 2019. Disponível em: <https://equusmagazine.com/lameness/10-ways-support-horses-joint-health>. Acesso em: 25 de agosto de 2020.

CABETE, A. C. S. Osteoartrite equina: revisão bibliográfica e terapias atuais. 2018. 51f. Tese (mestrado) – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Universidade do Porto.

CLYNE, M. J. Pathogenesis of degenerative joint disease. Equine Veterinary Journal, v. 19, n. 1, p. 15-18, 1987.

ELSEVIER, Cirurgia de Pequenos Animais. In: FOSSUM, T. W. Afecções Articulares. 2014, cap. 34.

GUANABARA, Dukes FISIOLOGIA DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS. In: GOFF, J. P. Cartilagem, Ossos e Articulações. 2017, cap. 50.

LAURINO, C. Os Insaponificáveis de Soja e Abacate no Tratamento da Osteoartrite do Joelho. INSPORT – Instituto de saúde, prevenção, ortopedia, reabilitação e tratamento. São Paulo, 2018. Disponível em: <https://www.institutosport.com.br/os-insaponificaveis-de-soja-e-abacate-no-tratamento-da-osteoartrite-do-joelho/>

MAPA. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 2016. Revisão do Estudo do Complexo do Agronegócio Cavalo. Disponível em: <http://www.agricultura.gov.br/assuntos/camaras-setoriais-tematicas/documentos/camarassetoriais/equideocultura/anosanteriores/revisao-do-estudo-do-complexo-doagronegocio-do-cavalo/view>

MCILWRAITH, C. W.; FRISBIE, D. D.; KAWCA, C. E. The horse as a model of naturally occurring osteoarthritis. Bone & Joint Research, v.1, n. 11, p. 297-309, 2012.

MOSKOWITZ, R.W.; DAVIS, W.; SANMARCO, J., MARTENS, M; BAKER, J.; MAYOR, M.; BURNSTEIN, A.H., FRANKEL, V.H. Experimentally induced degenerative joint lesions following partial meniscectomy in the rabbit. Arthritis Rheum, v.16, n.3, p.397-405, 1973.

MUIR, H. Molecular approach to the understanding of arthrosis. Ann. Rheum. Dis, v.16. n.2, p. 199, 1977.

PIEREZAN, F. Prevalência das doenças de equinos no Rio Grande do Sul. 2009. 163f. Tese (doutorado) – Faculdade de Medicina Veterinária. Universidade Federal de Santa Maria.

PRADO, V. C. M.; HAGE, M. C. F. N. S.; DÓRIA, R. G. S. Welfare and locomotor system disorders in active draft horses (cart horses). Pesquisa Veterinária Brasileira, v.39, n.12, p.942-948, 2019.

RASERA, L. Influência da atividade física sobre a articulação metacarpofalangeana de cavalos de pólo. [Physical activities influence in metacarpophalangeal joint of the polo ponies]. 2007. 158 f. Tese (Doutorado em Medicina Veterinária) – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.

SILVA, M. M. Desenvolvimento de protocolo de avaliação, por determinação de escore, das alterações encontradas nas doenças articulares em equinos e sua correlação com evolução após tratamento. 2014. 95f.  Tese (doutorado) – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo.

SUTTON, S.; CLUTTERBUCK, A.; HARRIS, P.; GENT, T.; FREEMAN, S.; FOSTER, N.; BARRET-JOLLEY, R.;MOBASHERI, A. The contribution of the synovium, synovial derived inflammatory cytokines and neuropeptides to the pathogenesis of osteoarthritis. The Veterinary Journal, v. 179, p. 10-24, 2009.

 

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