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Notícias Edição 5º Ano 2020

Qual Melhor Ambiente para o Parto? Baia X Piquete

Qual Melhor Ambiente para o Parto? Baia X Piquete 1
V.5, Ed.1, N.222 (2020)

Qual melhor ambiente para o parto? Baia X Piquete

Júlia Souza Santos Simões,8º período, UNICEUG-Centro Universitário de Goiânia, Goiânia

 

Muitas éguas são cobertas a cada ano, gestando potros de alto valor genético e econômico, o que torna interessante a monitoração desde o parto até a mamada do colostro. Todos sabemos que a gestação é um período de muitos cuidados com qualquer animal, e com os equinos isso não é diferente, uma das principais e mais importantes tarefas é o reconhecimento da gestação.

Identificar o quanto antes se uma égua está prenha ou não pode determinar todo o sucesso da gravidez e do pequeno potro que está por vir.

A duração da gestação é afetada por fatores genéticos, climáticos e nutricionais (CrowellDavis e Houpt, 1986). O parto é um evento importante dentro do ciclo reprodutivo, especialmente em animais que apresentam prenhez longa, como os equinos.

Os valores descritos na literatura para duração do parto diferem entre as várias raças. Segundo Unanian (1991). Os partos em éguas domesticadas ocorrem preferencialmente à noite, talvez porque o distúrbio pela presença humana é mínimo (Tyler, 1972).

Devido a um extenso período gestacional (315-340 dias), à segunda fase do parto muito curta (geralmente em menos de 30min) e à maior ocorrência dos partos em períodos noturnos, há a necessidade de se prever o início do parto para que se possa fazer o acompanhamento e interferir, se necessário, o mais rápido possível, em casos de distocia, retenção de placenta e deficiente ingestão de colostro pelo potro (Rossdale e Short, 1967; Wessel, 2005; Valente et al., 2006; Chirstensen, 2011).

Alguns cuidados devem ser tomados com a égua nas últimas semanas antes do parto como, ela armazena e mobiliza as suas reservas corporais durante o seu ciclo reprodutivo.

Esta mobilização tem lugar no Inverno, no final da gestação ou por vezes no início da lactação. Nestes períodos, as suas necessidades nutricionais podem exceder os nutrientes fornecidos pela dieta, especialmente se forem usadas forragens de baixa qualidade (Fradinho, Bessa, Martin-Rosset, Ferreira-Dias & Caldeira, 2013).

A égua deve ter uma alimentação equilibrada durante a gestação, incluindo uma proporção adequada de minerais, vitaminas, proteína e energia, sendo esta última particularmente importante que tenha em consideração a própria curva de necessidades nutritivas do período de gestação.

O peso corporal de uma animal gestante deve aumentar o suficiente para compensar o peso do feto, dos fluidos fetais e da placenta (McDonald & Pineda, 1989). Pouco tempo antes do parto, a alimentação à base de grãos de cereais deve ser reduzida e privilegiar-se o uso de alimentos mais leves e mais ricos em fibra, facilitando o trânsito digestivo do animal (Ensminger, 1973).

Chegando próximo de um mês antes do parto, é aconselhável que essas éguas sejam alocadas em piquetes-maternidades, que tenham passado por um vazio sanitário para evitar algum tipo de contaminação. A cerca de seis semanas do fim da gestação, a égua deve ser levada para o local onde irá ter o potro, não só para que se habitue ao novo manejo, mas também para que crie anticorpos específicos contra a população microbiana daquele lugar que serão secretados no seu colostro (Knottenbelt et al, 2004.

Nesta fase, deve ser implementada uma rotina regular no que diz respeito à alimentação, mas também aos seus movimentos para que sejam detectadas quaisquer alterações comportamentais.

O acesso a água é sempre importante. As alterações da região perineal e da glândula mamária devem ser monitorizadas e quando há evidência de um parto próximo, a égua deve ser colocada num local limpo, nomeadamente uma baia desinfectada para que possa ser vigiada permanentemente (Knottenbelt et al, 2004). A higiene tanto dos animais como das instalações são determinantes para a prevenção de complicações posteriores (Knottenbelt et al, 2004).

O momento do parto demanda um ambiente tranquilo,onde a égua se sinta segura, sendo este um dos motivos pelo qual ele ocorre preferencialmente à noite. Caso opte por um parto na cocheira, a égua tem que estar acostumada com esse ambiente. O estresse pode ser um fato problemático na hora do nascimento do potro, e se ela não estiver acostumada na baia isso será um fator de estresse.

As precauções com a higiene, mas também com a ventilação são importantes em todas as baias, as quais devem ter pelo menos três metros de largura e três metros de comprimento, piso antiderrapante, uma boa drenagem e serem facilmente desinfectáveis (Knottenbelt et al, 2004).

A cama ideal é de palha limpa e com uma altura adequada, tendo sempre em conta a minimização de poeiras presentes no ar, especialmente na altura do parto, minimizando o risco de infecções do trato reprodutivo da égua e do trato respiratório do poldro. Um correto isolamento da instalação permite que a temperatura ronde os valores adequados, cerca de 25ºC.

É necessário ter em conta que um ambiente quente, pouco ventilado e com uma humidade elevada é mais prejudicial para o poldro do que propriamente uma temperatura mais baixa. Uma boa luminosidade é outro aspecto importante no caso de alguma coisa correr mal, sendo que as éguas podem não apreciar um ambiente com uma luminosidade permanente (Knottenbelt et al, 2004).

Caso a égua for ter o potro no piquete, deve estar limpo, ter feito o controle de ecto e endoparasitas, ser planos e sem desníveis, e de fácil acesso para que a equipe possa acompanhar e sempre estar vigiando, deve ser seguro, livre de arames, cercas quebradas ou cercas onde o potro possa passar por baixo e ficar preso afastado da mãe. E não ter histórico de animais doentes ou que morreram no local e de preferência com uma forragem adequada.

Escolha um lugar tranquilo, silencioso, de fácil acesso e visualização. A limpeza deve ser prioridade em ambos ambientes pois nas primeiras 24 horas de vida de um potro, o intestino dele está aberto para absolver as imunoglobulinas do colostro. Ou seja, qualquer proteína sanguínea com propriedades imunitárias e que tem uma função de anticorpo no organismo.

Como resultado, o intestino está aberto também para qualquer tipo de bactéria que esteja presente. Deste modo, o local do parto pode ser uma fonte de infecção nas primeiras horas de vida do potro. O ambiente do parto vai depender da preferência do haras e do modo que estão acostumados a trabalhar, sempre ter um ambiente seguro e limpo para evitar risco futuros tanto para a mãe como para o potro.

Referências Bibliográficas

CROWELL-DAVIS, S.L.; HOUPT, K.A. Maternal behaviour. Vet. Clin. North. Am., v.2, p.557-571, 1986.

Chirstensen BW. Parturition. In: McKinnon AO, Squires EL, Vaala WE, Varner DD (Ed.). Equine reproduction. 2.ed. Oxford, UK: Wiley-Blackwell, 2011. p.2268-2276.

Ensminger, M. E. (1973). Horses and horsemanship. (Fourth edition). Danville, Illinois, U.S.A: The interstate printers and publishers, inc.

Fradinho, M.J., Bessa, R.J.B., Martin-Rosset, W., Ferreira-Dias, G., Caldeira, R.M. (2013). Nutritional status of Lusitano broodmares on extensive feeding systems: body condition, live weight and metabolic indicators. Italian Journal of Animal Science 2013; volume 12:e71.

Knottenbelt, D.C., Holdstock, N., Madigan J.E. (2004). Equine Neonatology. Medicine and Surgery. Philadelphia: Saunders.

McDonald, L. E., Pineda, M. H. (1989). Pregnancy and parturition. In “Veterinary Endocrinology and Reproduction”. (Fourth Edition). Lea & Febiger. Philadelphia.

ROSSDALE, P.D.; SHORT, R.V. The time of foaling of Thoroughbred mares. J. Reprod. Fertil., v.13, p.341-343, 1967

TYLER, S.J. The behaviour and social organization of the New Forest ponies. Anim. Behav. Monogr., v.5, p.85-196, 1972.

UNANIAN, M.M. Eficiência na reprodução. Rev. Cavalo Árabe, v.10, p.80-81, 1991.

Valente M, Unanian MM, Villarroel ABS, Gomes FFF. Duração da gestação e do parto em éguas Puro Sangue Árabe. Arq Bras Med Vet, v.58, p.668-671, 2006.

Wessel M. Staging and Prediction of Parturition in the Mare. Clin Thec Equine Pract, v.4, p.219-227, 2005.

 

 

 

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