Info Equestre
Resumos Edição 5º Ano 2020

Adsorventes de Micotoxinas

Adsorventes de Micotoxinas 1
V.5, Ed.1, N.109 (2020)

ADSORVENTES DE MICOTOXINAS

MEDEIROS, N.
Universidade Federal do Rio Grande do Sul  Estudante de veterinária
SEXTO semestre
RESUMO: Micotoxinas são metabólicos secundários produzidos por fungos e tóxicos para humanos, plantas e animais. Fungos estão presentes em quase toda matéria natural ou fabricada pelo homem, mas somente algumas condições ambientais favorecem a proliferação desses e assim podem produzir micotoxinas. A contaminação do animal por micotoxinas se dá de forma direta ou indireta de alimentos e rações ingeridos.

As micotoxicoses apresentam sinais clínicos variáveis oque dificulta o diagnóstico correto. Elas podem afetar negativamente a saúde animal. Vários são os métodos usados no controle das micotoxinas na produção alimentar animal, mas o uso de adsorventes em situações emergenciais e incluídos na ração animal são as melhores escolhas. Adsorventes são agentes que se ligam às moléculas de micotoxinas no trato gastrointestinal do animal e previnem a distribuição da toxina para os demais órgãos.

Palavras-chave: Micotoxinas; Alimentos; Rações; Adsorventes.

 

ABSTRACT: Mycotoxins are secondary metabolic compounds produced by fungi and toxic to humans, plants and animals. Fungi are presente in almost all natural or man-made matter, but only a few environmental conditions favor their proliferations and thus can produce mycotoxins. Contaminations of the animal by mycotoxins occurs directly or indirectly from ingested food and feed. Mycotoxicoses show variable clinical signs, which makes correct diagnosis difficult.

They can negatively affect animal health. There are several methods used to control mycotoxins in animal food productions, but the use of adsorbents in emergency situations and included in animal feed ate the best choices. Adsorbents are agents thet bind to mycotoxin molecules in the animal’s gastrointestinal tract and prevent the toxin from being distributed to other organs.

Keywords: Mycotoxins; Foods; Rations; Adsorbents.

 

Recentemente, se conhece que as toxinas produzidas por fungos filamentosos são chamadas de micotoxinas (FRISVAD E SAMSON, 1992).  Já se conhece cerca de 300 micotoxinas, seis são de maior incidência e toxicidade: aflatoxinas (AFB1, AFB2, AFG1, AFG2), ocratoxina A, patulina, fumonisina (B1, B2), deoxinivalenol (DON) e zearalenona (CANÇADO, 2004), produzidas pelos gêneros Aspergillus spp., Penicillium spp. e  Fusarium spp. (HOELTZ et al., 2009). Elas têm entrado na cadeia alimentar animal por meio da presença de fungos nos alimentos e rações, estando presente em 25 % dos produtos mundialmente produzidos (FREIRE et al., 2007).

A contaminação pode ser direta ou indireta. A contaminação indireta se dá pela presença da micotoxina no alimento ou ração, já que o fungo toxigênico tenha sido eliminado durante o processamento desses. Por outro lado na contaminação direta o alimento ou ração está contaminado com o fungo toxigênico e produz a toxina. “Sabe-se que a maioria dos alimentos e rações pode permitir o crescimento e o desenvolvimento de fungos toxigênicos, tanto durante a produção, quanto durante o processamento, o transporte e o armazenamento” (FRISVAD E SAMSON, 1992).

O clima temperado do Brasil propicia condições para o crescimento e proliferação de fungos produtores de micotoxinas, e com isso medidas de prevenção e tratamento são tomadas para garantir a qualidade do alimento e ração ingerido para não comprometer a saúde animal (PAULUS E PARIS, 2016).

O controle de micotoxinas tem sido cada vez mais rigoroso na produção, armazenamento e qualidade do alimento ingerido pelos animais. O uso de adsorventes como micro-organismos e argilas tem apresentado um bom resultado frente à contaminação do alimento ou ração pelas micotoxinas (PAULUS E PARIS, 2016), já na redução da toxicidade os aluminosilicatos tem alta efetividade em diferentes espécies (NUTEK S.A. E NUTEK S.A., 2008).

As micotoxicoses ganharam importância quando da ocorrência de diversos surtos de doenças em animais e quando analisado suas alimentações se destacavam a presença das micotoxinas. Um dos acontecimentos foi o surto de leucoencéfalomalácia equina na Argentina em 2007, que animais da raça árabe, viviam a pasto e recebiam suplemento à base de milho e trigo.  Na análise da ração ingerida pelos animais encontrou-se certa quantidade de fumonisina B1 e B2, valores que estavam acima do permitido pela legislação, sendo considerados os fatores causais do surto (GIANNITTI et al., 2011).

Em equinos, as micotoxicoses causadas por Fusarium sp. são as mais graves, sendo que  Fusarium sp. produz metabólicos estrogênicos e tricotecenos (MARASAS et al, 1979; MIROCHA et al., 1979; UENO, 1983; OSBORNE & WILLIS, 1984; TRENHOLM et al., 1985).

A doença do milho mofado, caracterizada por leucoencéfalomalácia (BRIDGE, 1978), é adquirida pela ingestão de milho contaminado por micotoxinas produzidas por Fusarium moniliforme (WILSON & MARONPOT, 1971). Fusarium moniliforme patógeno do milho é capaz de produzir princípios eméticos, metabólicos estrogênicos, fusariocina A e B, toxina T-2, diacetoxiscirpenol, moniliformina e ácido fusárico (BRIDGE, 1978; UENO, 1983, porém não se sabe qual a toxina que produz a leucoencefalomaláciaequina (PIER, 1981; UENO, 1983).

A fusariose é considerada uma doença de clima temperado (MARASAS et al, 1979; MIROCHA et al., 1979; SUTTON et al. , 1980; OSBORNE & WILLIS, 1984), sendo o desenvolvimento do fungo Fusarium sp. e suas toxinas relacionado com a umidade (SUTTON et al. , 1980; BARROS et al., 1984)  e baixa temperatura (PALTI, citado por PIER, 1981; ORTH, 1981).

Os adsorventes são agentes que se ligam as moléculas de micotoxinas no trato gastrointestinal do animal e previnem a distribuição da toxina para os demais órgãos (DOMENICO Di. S. A. et al.), sendo eles eliminados nas fezes do animal (ARELLANO, JL; ROSAS, IG). Os adsorventes têm mostrado bons resultados no controle de micotoxicoses em animais. (DOMENICO Di. S. A. et al.).

A utilização de micro-organismos na degradação, no controle biológico e como material adsorvente de micotoxinas, utilização de aluminosilicatos na redução de toxicidade e utilização de argilas no mercado de ração animal são métodos que previnem e reduzem os efeitos das micotoxinas no animal in vivo.

REFERÊNCIAS

BRETAS, A.A. Inclusão de adsorventes de micotoxinas para leitões. Rev. CES Med. Zootec., v. 13.n.1, p.80-95, 2018.

FREIRE, F.C.O. et. al. Micotoxinas: Importância na Alimentação e na Saúde Humana e Animal. Fortaleza: Embrapa Agroindústria Tropical. Documentos, 110, 2007. Acessado em 10 de abr. 2020. Online. Disponível em : file:///C:/Users/W10/Downloads/micotoxinas%201.pdf.

HIROOKA, E. Y. Intoxicação em equinos por micotoxinas produzidas por Fusarium moliniforme no norte do Paraná. Semina, v.9, n.3, p. 135-141, 1988.

DOMENICO, A. S. D. et al. Implicações da contaminação de grãos de milho por micotoxinas na produção pecuária. Curitiba: Ed. UTFPR, 2016, p. 293-313. Acessado em 10 de abr. 2020. Online. Disponível em: file:///C:/Users/W10/Downloads/micotoxinas..pdf.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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