Info Equestre
Resumos Edição 5º Ano 2020

Hidroterapia – Quais as Vantagens e Desvantagens?

Hidroterapia - Quais as Vantagens e Desvantagens? 1
V.5, Ed.1, N.161(2020)

HIDROTERAPIA – QUAIS AS VANTAGENS E DESVANTAGENS?

BERKEMBROCK, I ª

[email protected] – 7º período

ª Estudante de Medicina Veterinária da Universidade Sociedade Educacional de Santa Catarina, Joinville, Santa Catarina

 

RESUMO

A hidroterapia, que do grego significa: “hydor”, “hydatos” = água / “therapeia” = tratamento,  é uma maneira terapêutica de tratamento por meio da utilização de água, podendo ser gelada, aquecida, água salgada, duchas ou até mesmo compressas úmidas. Serve para agregar melhorias na saúde do animal, gerando aumento de massa muscular, auxiliando também na resistência do sistema respiratório e cardíaco ou até mesmo uma maneira de laser a ser aplicada após uma rotina intensa de exercícios ou algum procedimento doloroso que esse animal possa ter sido exposto, como traumas e cirurgias.

Palavras chave: hidroterapia, equinos, benefícios.

ABSTRACT

Hydrotherapy, from the Greek: “hydor”, “hydatos” = water / “therapeia” = treatment, is a therapeutic way of treatment using water, which can be chilled, heated water, salt water, showers or even wet compresses. Serves to aggregate improvements in animal health, increased muscle mass, also helping with resistance respiratory and cardiac system or even a way of leisure to be applied after intense exercise routine or painful procedure that this animal may have been exposed to.

Key-words: hydrotherapy, equine, benefits.

  1. INTRODUÇÃO:

Com o passar dos anos são mais conhecidos e comprovados os benefícios causados pelo uso da hidroterapia, que pode ser realizada em piscinas, riachos ou hidroesteiras. No caso das piscinas é necessário pensar nas suas dimensões e profundidades, a fim de proporcionar o bom aproveitamento do exercício realizado pelo animal. Geralmente em rios e piscinas o animal fica com os membros e o tórax submersos, deixando apenas a cabeça sem contato com a água. Já no caso das esteiras é possível escolher a altura da água necessária para aquele cavalo, e se ela ficará parada permanentemente ou em qual velocidade deve ficar.

É garantido que a hidroterapia tem muito a agregar como método de terapia não convencional, promovendo reações positivas em diversos sistemas, como no sistema cardiorrespiratório, imunológico e locomotor quando tratamos de equinos.

  1. COMPROVANDO OS BENEFÍCIOS:

Estudos realizados anteriormente comprovam que diversos efeitos benéficos são obtidos com a imersão dos animais em água aquecida, sendo eles a redução do impacto, analgesia e diminuição da agressão às articulações e tendões por diminuir a força que é exercida nessas estruturas.

As propriedades físicas da água promovem inúmeras diferenças entre exercícios que podem ser efetuados na terra quando os mesmos são comparados perante a realização na água, e por isso não é tão simples transferir atividades terrestres para aquáticas. Deve ser salientado  que a água possui diversas propriedades que necessitam ser compreendidas, sendo algumas delas a flutuabilidade, gravidade específica e densidade (EDLICH et al. 1987).

  1. FLUTUABILIDADE:

Há também um impulso ascendente que pode ser considerado como a flutuabilidade, que age contra a força da gravidade, ou seja, na direção oposta da gravidade. Nos humanos é compreendido que quando imerso o corpo na água é garantida a sensação de leveza, e isso é possível graças à água que é deslocada durante o aprofundamento do corpo, o mesmo feito é gerado  nos animais (EDLICH et al. 1987). A flutuabilidade é utilizada como suporte no auxílio da movimentação de animais com membros fracos ou feridos. Garante também que o gasto de energia na água seja diferente quando comparado ao gasto de energia do mesmo exercício se realizado na terra (CURETON, 1997).

Algumas vantagens do uso da hidroterapia podem ser descritos de acordo com os sistemas vitais, como por exemplo, se relacionado ao sistema cardiorrespiratório haverá aumento na resistência respiratória e cardíaca, melhorando também as trocas gasosas e auxiliando no gasto de energia. Quando mencionado sobre a termorregulação é muito considerada a dilatação dos vasos sanguíneos e consequentemente o metabolismo geral tem sua função elevada. No sistema nervoso o uso da água aquecida produz a redução de sensibilidade, promovendo intenso relaxamento muscular. O aumento da diurese é possível dependendo a altura da água em que o animal está submerso, promovendo a liberação de fluídos corpóreos ligados à função renal. Porém, um dos maiores e melhores proveitos ligados à hidroterapia com água aquecida está ligado ao sistema imunológico, onde estudos realizados comprovam que o calor da água é capaz de estimular o aumento da produção de leucócitos, que tem importante função na defesa do organismo (MONK, 2007).

  1. DENSIDADE:

Os animais que são desprovidos de gordura corporal, ou animais que possuem abundante musculatura devem receber maior atenção, visto que animais com maior gordura corporal tendem a flutuar com mais facilidade e animais mais pesados e musculosos tendem a afundar com mais facilidade (EDLICH et al. 1987).

  1. PRESSÃO HIDROSTÁTICA:

De acordo com pesquisadores o edema pode ser reduzido quando o membro acometido encontrar-se submerso, visto que a acumulação periférica de sangue é cada vez mais reduzida conforme se torna mais profunda a submersão na água. A pressão hidrostática também é capaz de afetar volumes pulmonares, por isso pacientes que possuem patologias que envolvem a função pulmonar devem fazer o uso da hidroterapia com cautela (EDLICH et 1987).

  1. GASTO DE ENERGIA:

O gasto de energia na água pode ser maior, igual ou menor quando comparado ao mesmo exercício realizado em terra firme, porém isso é extremamente variável conforme atividade que sera desempenhada, a profundidade da água, a temperatura e velocidade com que a atividade é realizada.

A viscosidade da água auxilia no aumento da energia necessária para desenvolver exercícios quando o animal se encontra submergido pois é necessária mais força para superar a resistência ao movimento que é oferecido pela água, essa resistência é ligada diretamente ao peso corporal, tamanho, forma, posição e velocidade do movimento que está sendo desempenhado.  Ademais, o exercício em água fria pode demandar que mais energia seja gasta, e isso não passa de uma tentativa do corpo manter a temperatura corpórea central enviando estímulos aos músculos gerando assim tremores (CURETON, 1997).

  1. CAMINHANDO NA ÁGUA:

O ato de caminhar ou exercitar animais submergidos tem sido escolhido como um método de reabilitação alternativa, visto os grandes benefícios que é capaz de trazer para animais que possuem membros lesionados (CURETON 1997), com isso, é possivel relacionar a expansão do uso da hidroterapia em equinos, pois são animais de grande porte e de grande peso, que muitas vezes desempenham funções que exigem excessivo esforço da musculatura dos membros, das estruturas ósseas, tendões, ligamentos e articulações, o que os torna animais com predisposição a essas lesões (MONK, 2007).

  1. CIRCULAÇÃO:

A hidroterapia agrega sinais positivos ao sistema circulatório, considerando que o deslocamento do sangue gera o aumento da pressão venosa central, estimula o volume diastólico final do ventrículo esquerdo, o volume sistólico e o débito cardíaco (CRAIG & DVORAK, 1970; EVANS, 1978).

  1. TERMORREGULAÇÃO:

A regulação da temperatura corporal na água é diferente da regulação com esse animal sem contato com imersão, e isso pode ser explicado porque o meio essencial de dissipação do calor é realizado através da liberação do suor através das glândulas sudoríparas, o que não é possível quando o animal está submerso na água.  A condutividade térmica é de aproximadamente 25x mais na água do que no ar, e o ganho do calor ou a perda dele é explicada pela convecção e condução térmica (CURETON 1997).

  1. BENEFÍCIOS DA HIDROTERAPIA PARA ANIMAIS:

Com base nas evidências obtidas atráves da hidroterapia humana, os benefícios sugeridos da natação ou do exercício em água para animais incluem: redução da sensibilidade de estruturas dolorosas, fazendo com que o exercício possa ser iniciado mais cedo após cirurgias, fornecendo suporte aos membros, reduzindo a probabilidade da ocorrência de lesões nos músculos, tendões e ligamentos, permitindo a continuidade do exercício que por vezes está restrita à realização em terra,  facilita o desempenho de atividades e movimentos, a água torna o animal mais resistente, evita atrofia da musculatura, gera aumentos na massa e força muscular, aumenta à extensibilidade de tecidos, auxilia no controle do edema, proporcionando relaxamento e redução da dor em articulações (MONK, 2007).

  1. RESTRIÇÕES:

Alguns questionamentos devem ser feitos antes de aplicar a hidroterapia nos equinos, como a ultima data que o animal foi vacinado, se alguma vez ele já nadou, se o animal possui algum trauma com água, se possui desconforto no ouvido e orelhas, se ele já faz algum tipo de exercício ou é sedentário, se possui incontinência e qual foi a ultima vez que o animal fez ingesta de alimentos. (MONK, 2007)

A hidroterapia como qualquer outro meio de atividade física possui algumas restrições, tornando-se não recomendada para animais com qualquer uma das seguintes condições: feridas abertas ou infectadas, incisões cirúrgicas que não estejam totalmente curadas ou estejam abertas, animal apresentando diarréia, temperatura elevada, ou em cavalos em que já são previamente conhecidas doenças cardíacas ou respiratórias. (MONK, 2007).

Através de estudos McClintock et al (1987) percebeu a sensação da redução do peso de um equino que se encontra flutuante em um tanque de água salgada, evidenciando a redução de cerca de 10% do peso do animal, quando o corpo do animal estava em contato com à água na altura do olécrano, porém quando elevado esse nível de água até a tuberosidade coxal ocorreu a redução de 75% do peso. Ao caminhar, o cavalo que possui água até a região do carpo é declarado redução na quantidade de passos que esse animal vai dar, porém será gerado o alongamento desses passos (ROVETTO, 2012).

É necessário que a pessoa que ficará encarregada pelos exercícios tenha conhecimento sobre a saúde e as restrições do animal, conhecer o temperamento do animal que será exercitado também é importante para fazer um planejamento de como será apresentado esse animal à água e aos exercícios (ROVETTO, 2012).

A maioria dos tanques é construída com profundidade semelhante a 4,5 metros, estabelecendo assim que o animal não toque o chão. É importante que exista uma rampa para ocorrer uma descida progressiva do animal até a piscina ou tanque, não deixando-o com traumas.

Os cavalos geralmente são nadadores naturais, porém, aos que não dominam bem essa aptidão, é possível  que possam saltar para fora da água, podendo causar sérias lesões e ferimentos, podem também ficar  em pânico ao entrar em contato com água, podendo induzir lordose devido a postura que irão adotar durante a natação e pode ocorrer também que esses animais desempenhem apneia por medo de afogamento (ROVETTO, 2012)

  1. CONCLUSÃO

A hidroterapia é alvo de diversos estudos nos últimos tempos, e torna-se cada vez mais comprovada a sua capacidade em auxiliar nos diversos sistemas do corpo humano e animal. Os equinos vem sendo beneficiados ao longo dos tempos por ser uma animal de grande porte, tornando-se propício a lesões musculares, onde a hidroterapia se encaixa perfeitamente como terapia auxiliar.

REFERÊNCIAS

BIASOLI, M. C.; MACHADO, C. M. C. Hidroterapia: aplicabilidades clínicas. Rev. Bras. Med., v. 63, n. 5, maio, 2006.

MONK, M.; Hydrotherapy. In Animal Physiotherapy: Assessment, Treatment and Rehabilitation of Animals.; Blackwell Publishing 2007; p. 187-198.

BACK, W.; CLAYTON H. Equine Locomotion; 2ª edição; Saunders Elsevier, 2013.

ROVETTO, J. Hidroterapia: Rehabilitación y acondicionamento em caballos deportivos; Universidad de Buenos Aires; 2012.

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