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Úlcera Gástrica Em Equinos.

Úlcera Gástrica Em Equinos. 1

As úlceras gástricas são lesões de continuidade na mucosa gástrica, comprometendo a barreira de glicoproteínas e atingindo a camada muscular, o que as torna diferentes das erosões, que são mais superficiais. Esta enfermidade ocorre sempre em que há um desequilíbrio entre os fatores agressivos da mucosa (Ácido clorídrico e as enzimas digestivas) e os fatores protetores (Mucosa, prostaglandinas) que atuam no microambiente do estômago.

A causa das úlceras é multifatorial, sendo o estresse o principal fator. Como o equino é diferente de outras espécies que possuem secreção gástrica aumentada ao estímulo alimentar, ele possui pH estomacal em taxas menores que 2, o que se faz necessário que ele sempre esteja bem alimentado. Caso contrário, essa acidez contínua pode resultar em ulcerações no epitélio, e por isso animais os animais mantidos em baias e que passam por longo período de jejum, são mais susceptíveis a esta afecção.

As lesões também podem ocorrer de forma traumática se forem administrados ao cavalo alimentos grosseiros que por atrito lesionem a mucosa gástrica. Já os alimentos ricos em carboidrato requerem uma maior carga de ácido para serem digeridos, então é outro tipo de alimento que se não for administrado de forma correta na dieta do animal, pode levar a resultados indesejados. Nos cavalos atletas, por serem submetidos a estresse constante há uma atuação dos hormônios no eixo hipófise-adrenal que leva a diminuição da circulação sanguínea no estômago, aumentando a produção dos ácidos e isquemia local, resultando nas alterações da mucosa. Nos potros, o desenvolvimento de úlceras está associado a uma regulação imatura da secreção ácida e desenvolvimento incompleto dos processos protetores. Gastrites parasitárias (Gasterophillus spp.) são outros fatores que culminam em úlcera na mucosa, pois o parasita se alimenta por sucção na parede gástrica.

O uso de antiinflamatórios não esteroidais por tempo prolongado também predispõe o aparecimento de úlceras gástricas, pois eles inibem a prostaglandina (PGE 2) que está envolvida no mecanismo de defesa da mucosa, manutenção do fluxo sanguíneo, produção de muco protetor e bicarbonato.

Na maioria das vezes, as úlceras gástricas não apresentam sintomatologia ou os sintomas não são de forma específica. Em potros, podemos observar bruxismo, salivação excessiva, decúbito dorsal, apetite diminuído, mímica de vômito e dor ao se alimentar. Nos animais adultos pode se manifestar de forma suave até cólicas agudas ou crônicas. A sintomatologia é semelhante à dos potros, mas com a ocorrência de diminuição no desempenho físico, perda de peso, diarréia, e outros sintomas que estarão presentes caso a apresentação das úlceras sejam de forma crônica.

O diagnóstico deve ser baseado na anamnese, manifestações clínicas, exame do líquido abdominal e hemograma. Porém, para que o diagnóstico seja mais preciso, é importante a execução da gastroscopia (Exame de imagem do interior do estômago).

Para que o tratamento seja feito de forma correta, é importante ter a ciência da causa primária, permitindo a correção dos fatores etiológicos. Diminuir qualquer fator que produza estresse e eliminar a administração de antiinflamatórios não esteroidais é crucial para potencializar os efeitos dos medicamentos anti-ulcerativos. Os principais grupos de fármacos utilizados são: inibidores da bomba de prótons, bloqueadores da acidez gástrica e protetores de mucosa.

Oferecer uma alimentação de qualidade e diminuir o alimento concentrado são medidas preventivas. A utilização de fármacos pode ser essencial para tornar o ambiente estomacal favorável, havendo assim, boa cicatrização das úlceras.

 Texto por: Nathália Louise Bezerra de Brito. Estudante do 7º período de Medicina Veterinária na Universidade Federal de Campina Grande/PB

Edição e Revisão: Deivisson Ferreira Aguiar – Médico Veterinário CRMV/ES 1569 – Muniz Freire/ES

 

 REFERÊNCIAS

CARDONA, J., PAREDES, E., FERNANDEZ, H.. DETERMINACIÓN DE Helicobacter spp., EN ÚLCERAS GÁSTRICAS EN CABALLOS. Revista Mvz Córdoba, Córdoba, v. 14, n. 3, p.1-1, set. 2009. Disponível em: <http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0122-02682009000300007>. Acesso em: 09 jun. 2016.

SILVA, L. C. L. C., BELLI, C.B., BACCARIN, R.Y.A., FERNANDES, W. R. Úlcera gástrica em equinos. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária, São Paulo, v. 4, n. 3, p.39-47, 2001. Disponível em: <http://revistas.bvs-vet.org.br/recmvz/article/viewFile/3304/2509>. Acesso em: 09 jun. 2016.

EMILIANO, A. K. S. et al. Gastrite e úlcera gástrica em equinos. Patos, 2016.

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